Congresso dos EUA inclui transição democrática na Nicarágua
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DITADURA DA NICARÁGUACongresso dos EUA inclui transição democrática na Nicarágua na agenda e pressiona Ortega

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O Congresso dos Estados Unidos colocou formalmente a possibilidade de uma transição democrática na Nicarágua entre as prioridades de sua política externa para a América Latina. A iniciativa aparece no processo orçamentário para o ano fiscal de 2027 e ocorre em meio a um novo avanço institucional do governo dos copresidentes Daniel Ortega e Rosario Murillo, que impulsiona alterações constitucionais capazes de restringir ainda mais a competição eleitoral no país.

O dispositivo consta do relatório da Comissão de Apropriações da Câmara que acompanha o HR 8595 — Ato de Apropriações para Segurança Nacional, Departamento de Estado e Programas Relacionados, 2027. O texto determina que, no prazo máximo de 90 dias após a entrada em vigor da lei, o secretário de Estado Marco Rubio envie às Comissões de Apropriações um relatório sobre os esforços destinados a apoiar uma transição democrática na Nicarágua. O documento deve abordar a restauração das liberdades fundamentais, das instituições independentes, dos direitos humanos, da liberdade religiosa, as condições para a realização de eleições consideradas livres, justas e confiáveis e as medidas para reduzir a dependência da Nicarágua em relação à República Popular da China.

A redação é politicamente significativa porque vai além da aplicação específica de sanções. O próprio relatório da Comissão afirma que a população nicaraguense deveria recuperar liberdades fundamentais, instituições independentes e a possibilidade de escolher seus governantes por meio de eleições “críveis, inclusivas, livres e justas”. O documento também prevê apoio continuado a programas relacionados à democracia na Nicarágua.

A discussão no Congresso não ocorre de forma isolada. O governo dos Estados Unidos já havia ampliado as medidas econômicas contra integrantes e entidades ligadas ao governo nicaraguense ao longo de 2026. Em 26 de fevereiro, o Departamento do Tesouro sancionou cinco membros do governo nicaraguense vinculados, segundo Washington, a estruturas financeiras, de comunicação e militares utilizadas para reprimir adversários políticos. Em 16 de abril, uma nova rodada alcançou cinco pessoas e sete empresas relacionadas ao setor de ouro. Entre os atingidos estavam dois filhos de Ortega e Murillo e empresas que, segundo o Tesouro americano, participaram da apropriação de propriedades com participação americana e de atividades destinadas a gerar receitas para a estrutura governamental.

Assim, a discussão sobre uma eventual transição democrática surge em um ambiente no qual Washington combina sanções financeiras, pressão diplomática, financiamento a programas ligados à democracia e planejamento político de médio prazo. A tensão aumentou depois de uma declaração feita por Daniel Ortega em 19 de julho. Segundo a Reuters, o copresidente afirmou que não haveria mais eleições que permitissem à oposição retornar ao governo. A declaração provocou críticas de países latino-americanos e dos Estados Unidos.

A Nicarágua já havia passado por uma profunda reforma constitucional aprovada entre 2024 e 2025. As mudanças ampliaram o mandato presidencial de cinco para seis anos, realizaram na prática uma Presidência compartilhada e elevaram Rosario Murillo, então vice-presidente, à condição de copresidente. A nova proposta agora pretende estender os mandatos novamente, de seis para sete anos.

O confronto entre Washington e Manágua se intensificou depois da crise política de 2018, quando manifestações contra o governo foram reprimidas pelas forças de segurança. Segundo a Reuters, mais de 300 pessoas morreram, milhares ficaram feridas e a crise provocou uma saída em massa de nicaraguenses do país. A eleição presidencial de 2021 aprofundou o isolamento externo do governo. Antes da votação, importantes adversários e potenciais candidatos presidenciais foram presos ou impedidos de participar. Ortega iniciou em janeiro de 2022 seu quarto mandato consecutivo. Desde então, as sucessivas administrações americanas incluem aplicação de sanções financeiras, restrições de vistos e instrumentos diplomáticos contra autoridades e organizações ligadas ao governo nicaraguense.

O elemento novo do processo legislativo de 2027 está exatamente na escolha das palavras. Ao pedir ao Departamento de Estado um “relatório de transição da Nicarágua”, o Congresso americano não determinou que uma mudança de governo ocorreria, nem definiu quando ou como ela deveria ocorrer. Tampouco autoriza, por esse dispositivo, uma operação para remover Ortega e Murillo. O que o documento faz é exigir que a diplomacia americana desenvolva e apresente ao Legislativo uma avaliação sobre como os Estados Unidos poderiam apoiar uma eventual transição institucional, quais condições seriam necessárias para eleições competitivas e medidas que poderiam diminuir a influência chinesa sobre Manágua. É uma mudança relevante de abordagem: além das políticas destinadas a pressionar as autoridades atuais nicaraguenses, parte do Congresso americano começa a formalizar a discussão sobre quais instituições, liberdades e condições eleitorais serão possíveis em um eventual cenário político posterior.

Fonte: Redação

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