Europa em alerta: drones russos e o temor de confronto
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europa perto da guerraEuropa em alerta: drones russos e o temor de confronto direto com a OTAN

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A possibilidade de um confronto direto entre a Rússia e países da OTAN voltou ao centro das preocupações de segurança europeias nesta quinta-feira (24), após uma sequência de alertas envolvendo drones, violações de espaço aéreo e novas avaliações dos serviços de inteligência do continente.

Segundo reportagem publicada pelo jornal espanhol El Mundo e repercutida por veículos como Euronews e ANSA, serviços de inteligência dos Estados Unidos teriam alertado governos europeus sobre a possibilidade de a Rússia realizar ataques com drones contra Espanha, França ou Itália. O cenário descrito envolve o uso de drones do modelo Gerbera, escondidos em navios mercantes e lançados a partir do Mar Mediterrâneo contra infraestrutura estratégica no sul da Europa. A informação é atribuída a fontes anônimas ligadas à área de defesa e ainda não foi confirmada publicamente pela CIA.

De acordo com o relato, o Gerbera poderia percorrer até cerca de 600 quilômetros, dependendo da carga e das condições operacionais, o que permitiria que navios posicionados em águas internacionais lançassem ataques contra portos, aeroportos, instalações energéticas ou outros pontos vulneráveis. O objetivo, nesse tipo de ação, não precisaria ser provocar destruição massiva. Ataques limitados poderiam ser usados para interromper operações, testar as defesas da OTAN e criar insegurança política e econômica dentro da Europa.

Enquanto o alerta sobre o Mediterrâneo ainda depende de confirmação independente, um incidente concreto ocorreu nesta quinta-feira na Romênia, país integrante da OTAN. O Ministério da Defesa romeno informou oficialmente que seus radares detectaram um alvo aéreo vindo do território ucraniano, próximo à fronteira. Dois caças F-16 foram acionados. Segundo o governo, o objeto entrou no espaço aéreo romeno e permaneceu nele por aproximadamente quatro minutos, antes de cair perto da localidade de Solca, no condado de Suceava. Equipes de segurança encontraram no local um drone de pequeno porte. Não houve mortos, feridos ou danos materiais. As autoridades ainda analisavam o equipamento para estabelecer sua origem. Portanto, até o momento, não é possível afirmar oficialmente que se tratava de um drone russo.

O episódio, porém, ocorre em um contexto de sucessivas incursões de drones relacionados ao conflito ucraniano sobre territórios de países da OTAN. Em maio, a Romênia afirmou que um drone russo atingiu um edifício residencial na cidade de Galati durante um ataque contra a Ucrânia, deixando feridos leves. Neste mês, um caça italiano em missão da OTAN também derrubou sobre a Lituânia um drone suspeito de origem russa, posteriormente identificado pelas autoridades locais como um aparelho carregado com explosivos.

Outro sinal de deterioração do ambiente de segurança veio nesta quinta-feira da Inteligência de Defesa da Dinamarca. O serviço publicou uma nova avaliação sobre a Rússia com três conclusões principais. A primeira é de que Moscou deverá intensificar nos próximos meses sua guerra híbrida contra a OTAN e o Ocidente. A segunda é que existe um risco ainda baixo, porém crescente, de a Rússia realizar ataques militares limitados contra um país da Aliança, mesmo enquanto a guerra na Ucrânia continuar. A terceira é ainda mais preocupante: embora considere improvável uma invasão convencional de grande escala, a inteligência dinamarquesa afirma que já não pode excluir essa possibilidade.

A mudança de linguagem é significativa. Durante grande parte da guerra na Ucrânia, países europeus trabalhavam com a premissa de que Moscou evitaria deliberadamente atingir território da OTAN para não provocar a aplicação do Artigo 5º, que estabelece a defesa coletiva da Aliança. Agora, os serviços de inteligência europeus passam a considerar cenários intermediários: ataques limitados, sabotagens, drones, ciberataques e operações clandestinas destinadas a testar até onde a OTAN está disposta a reagir.

A própria OTAN afirma que a Rússia intensificou ações híbridas contra países aliados. Entre essas atividades estão sabotagem, ataques cibernéticos, interferência eletrônica, campanhas de desinformação, violência por meio de intermediários e ações contra infraestrutura crítica. Na semana passada, o secretário-geral da OTAN afirmou que violações de espaço aéreo, episódios envolvendo drones e operações híbridas russas estão testando a capacidade de reação da Aliança. Ele reiterou que a organização está preparada para defender todo o território aliado. A França também anunciou recentemente medidas adicionais para proteger sua infraestrutura crítica contra possíveis ações russas, especialmente ataques por drones e sabotagens.

Caso o alerta atribuído à CIA seja confirmado, a ameaça representaria uma mudança importante na geografia do conflito. Até agora, a maior parte das violações de espaço aéreo e incidentes com drones ocorreu no flanco oriental da OTAN — especialmente Polônia, Romênia, países bálticos e áreas próximas à Ucrânia e Belarus. Um ataque lançado do Mediterrâneo contra Espanha, França ou Itália demonstraria capacidade russa de atingir a retaguarda europeia longe das fronteiras tradicionais do conflito. Navios comerciais seriam particularmente difíceis de monitorar porque poderiam circular misturados ao intenso tráfego marítimo da região. O modelo lembraria estratégias em que drones são escondidos em contêineres ou veículos comuns e lançados apenas quando já estão próximos do alvo. Até agora, entretanto, não há confirmação pública de que esses equipamentos estejam efetivamente posicionados no Mediterrâneo ou de que uma operação esteja prestes a ocorrer. Também não foi possível confirmar de maneira independente a informação de que a Rússia utilizaria especificamente sua influência na Argélia ou na Líbia como base ou apoio para esse tipo de operação. Essa parte deve ser tratada, neste momento, como hipótese não verificada.

O conjunto dos episódios demonstra uma escalada concreta do risco estratégico na Europa. Mas ainda existe diferença entre uma intensificação da guerra híbrida e uma guerra aberta entre Rússia e OTAN. Ataques cibernéticos, sabotagens, incursões de drones e operações clandestinas permitem que Moscou pressione adversários mantendo certo grau de ambiguidade sobre sua responsabilidade. Um ataque militar deliberado e comprovado contra território da OTAN poderia produzir uma situação muito mais perigosa, porque abriria a discussão sobre a aplicação do mecanismo de defesa coletiva da Aliança. Por isso, o maior risco pode estar justamente na zona cinzenta entre guerra e paz. Um drone que cruza uma fronteira. Uma instalação sabotada. Um aeroporto temporariamente paralisado. Um navio suspeito no Mediterrâneo. Separadamente, cada incidente pode parecer limitado. Somados, porém, eles elevam a possibilidade de erro de cálculo. E, numa Europa já submetida a mais de quatro anos de guerra na Ucrânia, um único episódio mal interpretado ou deliberadamente provocado pode transformar uma guerra híbrida em uma crise militar direta entre duas potências nucleares. Esse é o cenário que hoje leva governos europeus e a própria OTAN a reforçar defesas, proteger infraestrutura e preparar suas sociedades para uma ameaça que, embora ainda não configure uma guerra Rússia–OTAN, deixou de ser considerada impossível.

Fonte: Redação

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