A Marejada, festa que se tornou símbolo da identidade cultural de Itajaí, teve sua origem em 1987, a partir de uma iniciativa do empresário Luiz Felipe Saada Graf. A primeira edição foi realizada entre os dias 8 e 12 de outubro daquele ano, no antigo terminal de ônibus coletivos, área que hoje abriga o Centreventos.
Na época, Felipe, como era conhecido, era um dos proprietários da loja Giorama e buscava formas de atrair para Itajaí os turistas argentinos que se hospedavam em Balneário Camboriú. Ele mandou produzir um mapa com os principais pontos turísticos da cidade e fretou um ônibus para buscar os visitantes no município vizinho e levá-los até sua loja.
A ação deu certo, mas o empresário percebeu que precisava criar uma atração própria para movimentar a cidade e oferecer aos visitantes uma experiência ligada à cultura local. Foi assim que surgiu a ideia de uma festa relacionada ao mar, conceito que deu origem ao nome Marejada, inspirado na forte ligação de Itajaí com a pesca e a vida ribeirinha.
Para tirar o projeto do papel, Felipe reuniu apoiadores, entre eles o então secretário de turismo Renato Silva, o agente de viagens Reinaldo Wanderech, o empresário Gabriel Bihr e o professor Acyr Oliveira. Este último foi fundamental para incorporar à celebração elementos da cultura portuguesa e açoriana, marcas da história da cidade.
O espaço do antigo terminal de ônibus foi reaproveitado: as pequenas estruturas em formato de casinhas, que serviam como pontos de ônibus, foram transformadas nos primeiros quiosques da festa. Décadas depois, o local ainda é lembrado por moradores mais antigos como “a Marejada”.
O irmão de Felipe, Paulo Roberto Saada Graf, o Beto, acompanhou de perto os primeiros passos e relembra a dedicação do empresário. “Ele mandou fazer um mapinha com os pontos turísticos da cidade, arranjou um ônibus e começou a buscar os argentinos. Depois percebeu que precisava fazer alguma coisa maior, uma festa que trouxesse as pessoas para Itajaí e mostrasse a nossa cultura”, conta Beto.
Nas edições iniciais, a estrutura era simples e contava com a participação de entidades locais, que assumiam as barracas e preparavam pratos como caldeirada, pastel e bolinho de peixe. A proposta era manter preços acessíveis e fazer da Marejada um evento voltado para as famílias, permitindo também que as próprias associações arrecadassem fundos.
A cultura portuguesa ganhou destaque rapidamente. Em uma viagem a Curitiba, Felipe conheceu Dona Maria, uma portuguesa especializada em pratos de bacalhau, e a convidou para participar com a Tasca Portuguesa. Ela se tornou uma das personagens mais lembradas das primeiras edições. Após sua morte, a tradição foi mantida por Gabriel Bihr, da Pizzaria Forno de Lenha.
A programação passou a incluir grupos folclóricos ligados às comunidades portuguesas, especialmente de São Paulo, reforçando a presença dessa cultura no evento. Entre os artistas trazidos pelo empresário esteve o cantor português Roberto Leal, radicado no Brasil, cuja participação ajudou a consolidar a ligação da festa com Portugal.
Felipe acompanhava pessoalmente cada detalhe da organização, com o aval do então prefeito Arnaldo Schmitt. Ele percorria as barracas, observava o atendimento, experimentava os pratos e anotava o que precisava ser corrigido. Também se envolvia na estrutura e na decoração, desenhando elementos que marcaram as primeiras edições, como um moinho, uma torre e um chafariz. O moinho permaneceu na memória da família como um dos símbolos daquela fase inicial.
Apesar de ser o idealizador, Felipe preferia atuar nos bastidores e evitava os holofotes, deixando o destaque para as atrações e para a comunidade. Ao longo dos anos, a Marejada cresceu, ganhou novas estruturas e passou a receber grandes shows, mas manteve sua essência: reunir a comunidade em torno da gastronomia, da cultura portuguesa e da identidade de Itajaí.
Luiz Felipe Saada Graf faleceu em setembro de 2017. Para Beto, as lembranças do irmão estão ligadas à criatividade e à disposição para concretizar ideias. “Eu tenho muito orgulho de ter vivido tudo isso ao lado do Felipe. A Marejada foi uma das coisas que ele fez com muito carinho, sempre pensando na cidade e nas pessoas. Ele queria uma festa para a família, para o pai, a mãe, os filhos, os netos, para todo mundo poder participar, conhecer a nossa cultura e aproveitar sem”, finaliza.
Fonte: Prefeitura de Itajaí





















