O mês de outubro tornou-se, em várias partes do mundo, um período dedicado à conscientização sobre o câncer de mama. O movimento conhecido como Outubro Rosa começou nos Estados Unidos em 1985, inicialmente como uma campanha de uma semana organizada pela American Câncer Society para promoção de informação, rastreamento e realização de mamografias. Com o tempo, a mobilização ganhou o mês inteiro.
O laço rosa, hoje símbolo internacional de causa, foi projetado no início dos anos 1990. Em 1991, a Fundação Susan G. Komen distribuiu fitas rosas em uma corrida pela cura em Nova York; No ano seguinte, Evelyn Lauder e Alexandra Penney ajudaram a popularizar o símbolo em grande escala.
Desde então, a campanha deixou de ser apenas um movimento de conscientização e passou a enfatizar prevenção, reconhecimento de sinais suspeitos, diagnóstico precoce, acesso à mamografia e tratamento oportuno.
O desafio continua grande. A Organização Mundial da Saúde estima que, em 2024, 2,4 milhões de mulheres sofreram câncer de mama no mundo e cerca de 694 mil morreram pela doença. A incidência aumenta com a idade e a maior parte dos casos e mortes ocorre depois dos 50 anos.
No Brasil, o cenário também preocupa. O INCA estima 78.610 novos casos de câncer de mama feminino por ano no triênio 2026–2028, o equivalente a aproximadamente 30% dos tumores malignos revelados entre mulheres quando desconsiderado o câncer de pele não melanoma.
Santa Catarina aparece com uma das maiores taxas estimadas do país. Para 2026, o INCA projeta 4.460 novos casos no Estado, com taxas ajustadas de incidência de 73,51 casos por 100 mil mulheres, a maior entre as unidades da Federação.
Os dados mais recentes de mortalidade, referentes a 2024, mostram 20.849 mortes por câncer de mama no Brasil, taxa bruta de 19,14 óbitos por 100 mil mulheres. A Região Sul apresentou a maior taxa ajustada de mortalidade entre as regiões brasileiras.
A idade permanece como um dos principais fatores associados à doença. No Brasil, a mediana de idade ao diagnóstico varia entre 55 e 60 anos, chegando aos 60 anos na Região Sul. A mortalidade proporcional também se concentra especialmente entre mulheres de 50 a 69 anos.
Ao longo das últimas décadas, houve avanço na sobrevida. Dados reunidos pelo INCA indicam que a sobrevida líquida em cinco anos no Brasil passou de 68,7% no período 2000–2004 para 75,2% entre 2010 e 2014, evolução associada ao diagnóstico mais precoce e ao aprimoramento dos tratamentos.
A prevenção ganhou força justamente quando estudos e campanhas passaram a demonstrar que detectar o tumor em fases iniciais aumentou significativamente as possibilidades de tratamento e controle da doença. Hoje, além da atenção aos sinais e sintomas, o rastreamento mamográfico ocupa papel central nas políticas de saúde.
No Brasil, o INCA recomenda mamografia de rastreamento a cada dois anos para mulheres entre 50 e 69 anos, faixa em que haja evidências consolidadas de benefício populacional. Mulheres com sintomas ou risco elevado serão avaliadas individualmente pelos serviços de saúde.
O câncer de mama não possui uma causa única. Idade, excesso de peso após a menopausa, sedentarismo, consumo de álcool, fatores hormonais, história reprodutiva e alterações hereditárias, como os genes BRCA1 e BRCA2, estão entre os fatores associados ao risco.



















