A expressiva votação de partidos de direita nas eleições deste domingo, 4, resultou na conquista de 22 das 54 cadeiras do Senado Federal que estavam em disputa. Esse número representa mais de 40% das vagas renovadas. O Partido Liberal (PL), legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro, foi o principal responsável por esse desempenho, elegendo 19 senadores, enquanto o partido Novo garantiu três cadeiras.
O PL conseguiu eleger dois senadores em quatro estados diferentes. No Distrito Federal, os eleitos foram Michelle Bolsonaro e Bia Kicis. Em Mato Grosso do Sul, Reinaldo Azambuja e Capitão Contar foram os vitoriosos. No Rio de Janeiro, Carlos Portinho e Carlos Jordy asseguraram as duas vagas. Em Santa Catarina, o partido repetiu o feito com Carol de Toni e Carlos Bolsonaro.
Além desses estados, o PL elegeu Márcio Bittar, no Acre; Nicoletti, em Roraima; Fernando Máximo e Bruno Scheid, em Rondônia; Eduardo Gomes, no Tocantins; Gustavo Gayer, em Goiás; José Medeiros, em Mato Grosso; Domingos Sávio, em Minas Gerais; André do Prado, em São Paulo; Filipe Barros, no Paraná; e Ubiratan Sanderson, no Rio Grande do Sul.
O Novo conquistou as outras três cadeiras entre as 22. Lahesio Bonfim venceu no Maranhão; Deltan Dallagnol, no Paraná; e Marcel van Hattem, no Rio Grande do Sul.
Com esse resultado, PL e Novo conseguiram eleger senadores nas cinco regiões do país. O PL teve seu melhor desempenho nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, onde também garantiu as quatro dobradinhas (dois senadores por estado).
A renovação deste ano alcançou dois terços do Senado. Os 54 eleitos terão mandato de oito anos, de 2027 a 2035. Eles se juntarão aos 27 senadores escolhidos em 2022, cujos mandatos terminam em 2031.
O avanço da direita, no entanto, não se limita aos candidatos eleitos por PL e Novo. Outros partidos também elegeram senadores que declararam apoio a Flávio Bolsonaro na disputa presidencial.
Em São Paulo, Guilherme Derrite, eleito pelo PP, manifestou apoio a Flávio. Durante a campanha, afirmou que sua filiação ao Progressistas ocorreu sob a condição de poder manter esse apoio. Derrite chegou a declarar que havia “possibilidade zero” de o PP paulista não apoiar o candidato do PL.
No Amazonas, Plínio Valério, do PSDB, disse que votaria em Flávio para presidente. Sua posição na disputa nacional, porém, não significou uma aliança automática com o PL no estado, onde manteve sua própria composição política.
Em Roraima, Teresa Surita, do MDB, declarou apoio a Flávio meses antes da votação. Ela conquistou uma das duas vagas. A outra ficou com Nicoletti, do PL.
No Espírito Santo, Evair de Melo, do Republicanos, também apoiou Flávio e foi eleito senador.
No Rio Grande do Norte, Styvenson Valentim, do Podemos, declarou apoio ao candidato do PL. Em outro momento da campanha, afirmou estar “retraído” em relação a Flávio, mas disse que não havia retirado o apoio.
No Rio Grande do Sul, Marcel van Hattem mudou o voto presidencial nos últimos dias da campanha. O candidato do Novo havia apoiado Romeu Zema, seu correligionário, mas anunciou que votaria em Flávio no primeiro turno. Ubiratan Sanderson, eleito pelo PL no mesmo estado, também declarou apoio ao candidato.
A direita tratou a renovação do Senado como uma oportunidade de aumentar a pressão sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), especialmente sobre o ministro Alexandre de Moraes. Em setembro, o ministro acumulava 67 pedidos de impeachment no Congresso. Naquele mês, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), informou que havia 109 pedidos contra ministros do STF.
Moraes tornou-se o principal alvo depois de anos de embates com parlamentares da oposição e, mais recentemente, da divulgação de mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro no contexto do escândalo do Banco Master.
O assunto entrou na campanha eleitoral. Em agosto, Flávio Bolsonaro reuniu candidatos ao Senado em Brasília e perguntou aos presentes se eram favoráveis ao impeachment de Moraes. Entre os participantes estavam Bia Kicis (PL-DF), Evair de Melo (Republicanos-ES), Deltan Dallagnol (Novo-PR) e Guilherme Derrite (PP-SP). Os candidatos responderam afirmativamente. Os quatro foram eleitos neste domingo.
A Constituição entrega ao Senado o poder de processar e julgar ministros do Supremo por crimes de responsabilidade. Atualmente, são necessários 54 dos 81 votos para a abertura de um processo contra um ministro do STF, conforme decisão do Supremo de dezembro de 2025. Uma eventual condenação também exige dois terços da Casa.
A Presidência do Senado continua sendo outro foco de disputa. O líder da oposição, Rogério Marinho (PL-RN), apresentou em setembro um projeto para estabelecer prazo de 30 dias úteis para o presidente da Casa decidir sobre pedidos contra ministros do STF. Se não houver decisão, a competência passaria à Mesa Diretora. O texto também prevê recurso ao plenário contra o arquivamento, que precisaria de 49 votos para prosperar.
Os 22 senadores eleitos por PL e Novo, sozinhos, não alcançam os 54 votos necessários. O impeachment de Moraes, contudo, também encontra apoio entre vencedores de outras legendas. Gracinha Caiado (União-GO), Mauro Mendes (União-MT), Plínio Valério (PSDB-AM), Teresa Surita (MDB-RR) e Styvenson Valentim (Podemos-RN) estão entre os eleitos que já se manifestaram favoravelmente ao afastamento de ministros do STF ou à abertura de processo contra Moraes.
Do outro lado, a esquerda conquistou 11 das 54 vagas em disputa. PT, PSB, PDT e Rede elegeram, juntos, 20,4% dos senadores escolhidos neste domingo. O PT garantiu seis cadeiras. Na Bahia, o partido elegeu Rui Costa e Jaques Wagner. Também venceram Humberto Costa, em Pernambuco; Samanda, no Rio Grande do Norte; Rogério Carvalho, em Sergipe; e Marília Campos, em Minas Gerais.
O PSB elegeu três senadores: Cid Gomes, no Ceará; João Azevêdo, na Paraíba; e Renato Casagrande, no Espírito Santo. Marília Arraes conquistou uma vaga pelo PDT em Pernambuco. Luizianne Lins venceu pela Rede no Ceará.
A eleição deste domingo definiu 54 dos 81 integrantes do próximo Senado. Os outros 27 foram eleitos em 2022 e permanecem no cargo até 2031. Para medir o tamanho efetivo dos grupos políticos na próxima legislatura, é necessário somar as duas partes.
Confira a lista completa dos senadores eleitos por região:
Norte
Acre: Márcio Bittar (PL) e Mara Rocha (Republicanos)
Amapá: Rayssa Furlan (Pode) e Lucas Barreto (PSD)
Amazonas: Eduardo Braga (MDB) e Plínio Valério (PSDB)
Pará: Hélder Barbalho (MDB) e Chicão (União)
Roraima: Nicoletti (PL) e Teresa Surita (MDB)
Rondônia: Dr. Fernando Máximo (PL) e Bruno Scheid (PL)
Tocantins: Eduardo Gomes (PL) e Alexandre Guimarães (MDB)
Nordeste
Alagoas: Arthur Lira (PP) e Marina JHC (PSDB)
Bahia: Rui Costa (PT) e Jaques Wagner (PT)
Ceará: Cid Gomes (PSB) e Luizianne (Rede)
Maranhão: Fufuca (PP) e Lahesio Bonfim (Novo)
Paraíba: João Azevêdo (PSB) e Veneziano (MDB)
Pernambuco: Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (PDT)
Piauí: Marcelo Castro (MDB) e Júlio César o Julim do Lula (PSD)
Rio Grande do Norte: Styvenson Valentim (Podemos) e Samanda de Lula (PT)
Sergipe: Rogerio Carvalho (PT) e Alessandro Vieira (MDB)
Centro-Oeste
Distrito Federal: Michelle Bolsonaro (PL) e Bia Kicis (PL)
Goiás: Gustavo Gayer (PL) e Gracinha Caiado (União)
Mato Grosso: Mauro Mendes (União) e José Medeiros (PL)
Mato Grosso do Sul: Reinaldo Azambuja (PL) e Capitão Contar (PL)
Sudeste
Espírito Santo: Renato Casagrande (PSB) e Evair de Melo (Republicanos)
Minas Gerais: Domingos Sávio (PL) e Marília Campos (PT)
Rio de Janeiro: Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL)
São Paulo: Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL)
Sul
Paraná: Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo)
Rio Grande do Sul: Ubiratan Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo)
Santa Catarina: Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL)
Fonte: Revista Oeste




















