As ações da Americanas (AMER3) encerraram o pregão desta terça-feira (20) com valorização de 15,58%, cotadas a R$ 6,90. Esse foi o primeiro dia completo de negociação após o término do processo de recuperação judicial da companhia, que havia sido solicitado em março.
Na véspera, o mercado já havia reagido positivamente ao anúncio do encerramento, com os papéis fechando a R$ 5,97, alta de 6,99%. Nos primeiros minutos desta quarta-feira (21), as ações chegaram a R$ 7,10.
A trajetória da Americanas na Bolsa começou em 1929, quando a primeira loja foi inaugurada em Niterói (RJ). Em 1940, a empresa abriu seu capital e passou a negociar ações em bolsa, inicialmente com 10 mil papéis ao valor nominal de um conto de réis cada. Após a criação do Real, as ações passaram a ser cotadas a R$ 26 por mil.
Em julho de 2021, houve uma reestruturação societária: a B2W incorporou parte dos ativos operacionais da Lojas Americanas e adotou o nome Americanas S.A. O código BTOW3 foi substituído por AMER3. No primeiro dia de negociação com o novo ticker, em 19 de julho, os papéis fecharam a R$ 61,92, com queda de 8,94%.
As antigas ações LAME3 e LAME4 continuaram a ser negociadas até janeiro de 2022, quando a Lojas Americanas foi incorporada pela Americanas S.A. e os códigos deixaram a Bolsa.
O pico histórico da AMER3 ocorreu em julho de 2021, impulsionado pelo auge do e-commerce durante a pandemia, quando atingiu R$ 61,92. Já o fundo do poço veio em agosto de 2024, durante a recuperação judicial: em 26 de agosto, as ações fecharam a R$ 0,05, queda de 16,66% no dia. Na ocasião, a empresa realizou um grupamento de 100 para 1, elevando mecanicamente a cotação de referência para R$ 5. No pregão seguinte, já ajustadas, as ações subiram 40%, a R$ 7.
A situação se deteriorou após a divulgação de inconsistências contábeis, em janeiro de 2023. Antes do anúncio, os papéis valiam R$ 12; no dia seguinte, despencaram 77,33%, para R$ 2,72.
O pedido de recuperação judicial foi aceito pela Justiça uma semana depois, em meio à revelação de dívidas de aproximadamente R$ 43 bilhões. Naquele dia, as ações fecharam a R$ 1, com queda de 42,53%.
Em junho de 2024, a Polícia Federal deflagrou a Operação Disclosure para investigar suspeitas de fraude contábil. Foram expedidos mandados de prisão preventiva contra o ex-CEO Miguel Gutierrez e a ex-diretora Anna Saicali. Apesar da gravidade, a reação do mercado foi moderada: AMER3 oscilou cerca de 2,5% e fechou estável, a R$ 0,40.
O encerramento da recuperação judicial foi solicitado em 25 de março de 2026. No pregão seguinte, as ações subiram 12,62%, a R$ 5,80.
Fonte: Gazeta do Povo




















