No domingo (4), a chuva e a idade avançada não foram obstáculos para que Maria Evangelina da Silva Jardim, de 103 anos, comparecesse ao Colégio Catarinense, em Florianópolis, para votar. A eleitora chegou por volta das 11h, em uma cadeira de rodas, acompanhada da filha Adelaide, e concluiu o voto em pouco mais de um minuto.
Para dona Maria, o ato de votar vai além de um direito: é uma missão pessoal. “Há mais de três décadas cumpro com meu dever de cidadã. Estou aqui para dar o exemplo”, afirmou. O momento foi testemunhado pelo presidente do Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina (TRE-SC), Carlos Roberto da Silva.
A história de dona Maria se entrelaça aos números do eleitorado catarinense. Santa Catarina inicia o primeiro turno das Eleições 2026 com 5.725.753 eleitores aptos, distribuídos pelos 295 municípios. Desse contingente, 589.010 têm 70 anos ou mais, o que representa 10,28% do total. Para esse grupo, o comparecimento às urnas é facultativo, conforme a legislação. Assim, a presença de eleitores como ela evidencia a dimensão da participação voluntária no processo democrático.
Das 8h às 17h, os catarinenses escolherão presidente e vice-presidente, governador e vice-governador, dois senadores, deputados federais e 40 deputados estaduais. A definição dos parlamentares estaduais moldará a próxima legislatura da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), responsável por representar as regiões, fiscalizar o Executivo e colaborar na elaboração das leis.
Para viabilizar a votação, cerca de 80 mil mesários e profissionais de apoio atuarão em aproximadamente 17,3 mil seções eleitorais espalhadas pelo estado. Mais do que cifras, essa estrutura representa uma grande operação para garantir que milhões de pessoas possam escolher seus representantes.
O perfil do eleitorado revela uma Santa Catarina plural também em idade e gênero. As mulheres são maioria, com 52,26% do total, enquanto os homens somam 47,74%. As regiões com maior concentração de eleitores são o Vale do Itajaí e o Norte Catarinense. A faixa de 40 a 44 anos é a mais numerosa, com 593.960 eleitores, equivalente a 10,37% do total. Nos extremos, estão os jovens de 16 e 17 anos, que também têm voto facultativo e somam 45.053 pessoas (0,78%), e os cidadãos com mais de 70 anos, como dona Maria.
A presença de uma eleitora de 103 anos nas urnas cria um retrato simbólico: de um lado, jovens que iniciam sua participação cívica; de outro, pessoas que acumulam décadas de experiência e memória das transformações do país. Dona Maria integra uma geração que testemunhou profundas mudanças na sociedade e no processo eleitoral. Neste domingo, seu voto não é obrigatório, mas uma escolha consciente.
As Eleições 2026 também mostram alterações na composição territorial do eleitorado. Desde a retomada do cadastramento, em novembro de 2024, até o fechamento do cadastro em 6 de maio de 2026, foram realizadas 260.546 transferências de domicílio eleitoral em Santa Catarina. Dessas, 102.937 (39,5%) ocorreram entre municípios catarinenses, enquanto 157.609 (60,5%) vieram de outros estados, principalmente Rio Grande do Sul (40.101), Paraná (26.167), São Paulo (18.472), Pará (15.374) e Amazonas (6.581). Os dados revelam uma Santa Catarina em movimento, com eleitorado que se modifica à medida que pessoas de diferentes partes do país se estabelecem no estado.
A dimensão do pleito também se reflete na distribuição dos eleitores. Joinville tem o maior colégio eleitoral, com 441.735 pessoas aptas, seguida por Florianópolis (420.430), Blumenau (268.254), São José (194.697) e Itajaí (182.124). Chapecó, Palhoça, Criciúma, Jaraguá do Sul e Lages completam a lista dos maiores. De Norte a Sul, do litoral ao Oeste, da Serra ao Vale do Itajaí, os números representam realidades diversas que se reunirão nas urnas neste domingo.
Fonte: Assembleia SC




















