O ex-procurador da República Deltan Dallagnol, candidato pelo Novo no Paraná, declarou nesta quinta-feira (22) que, na última ocasião em que examinou documentos referentes ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o resultado foi a prisão do petista. A fala ocorreu no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), após a campanha de Lula aceitar as 19 condições impostas pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) para a quebra de sigilos bancários, fiscais e telefônicos.
“Na última vez em que fiz isso, Lula acabou na cadeia”, afirmou Deltan, recordando sua participação na Operação Lava Jato. O ex-procurador foi indicado pela campanha de Flávio para analisar as movimentações financeiras do presidente e de pessoas a ele ligadas.
Deltan integrou a força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, que conduziu investigações que levaram à condenação e à prisão de Lula em 2018. O presidente permaneceu detido por 580 dias, entre abril de 2018 e novembro de 2019.
Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou as condenações de Lula no âmbito da Lava Jato em Curitiba, ao entender que a 13ª Vara Federal da capital paranaense não tinha competência para julgar os processos. A Corte também reconheceu a parcialidade do então juiz Sergio Moro no caso do tríplex do Guarujá (SP).
Durante a entrevista, Deltan afirmou que a campanha petista aceitou formalmente as exigências, mas não apresentou os documentos necessários para análise. Segundo ele, concordar com a abertura dos sigilos não é o mesmo que entregar as informações financeiras e patrimoniais.
O ex-procurador defendeu que a análise dos dados de Lula abranja o período desde 2003, quando o petista iniciou seu primeiro mandato na Presidência da República.
“O desafio foi lançado e aceito. Acho que o povo brasileiro quer saber se os candidatos nesta reta final se enriqueceram com a máquina pública”, declarou.
Deltan também questionou a possibilidade de limitar a divulgação dos documentos aos últimos oito anos, período correspondente ao mandato de Flávio Bolsonaro como senador.
“Por isso pedimos que o sigilo não seja de oito anos. Oito anos é o mandato de senador do candidato Flávio Bolsonaro. Precisamos ir além, porque o Lula está no poder há quase 20 anos”, afirmou.
A exigência de documentos desde 2003 já constava da petição apresentada pela campanha de Flávio na quarta-feira (21) e não representa uma nova condição anunciada nesta quinta.
A discussão começou durante o debate presidencial da Band, no domingo (18), quando Lula desafiou Flávio a abrir seus sigilos bancário e telefônico. Na terça-feira (20), a campanha petista apresentou ao TSE uma proposta para divulgar informações financeiras, fiscais e telefônicas do presidente, de seus familiares e de empresas relacionadas a ele, desde que o candidato do PL adotasse medida equivalente.
Flávio respondeu na quarta-feira (21) com uma petição que estabeleceu 19 exigências, incluindo a divulgação de informações sobre familiares de Lula, empresas relacionadas ao presidente e registros envolvendo pessoas citadas em investigações.
Nesta quinta-feira (22), representantes do PT compareceram ao TSE para formalizar a aceitação das condições. Participaram o presidente nacional do partido, Edinho Silva, o senador Camilo Santana (PT-CE), o secretário-geral da Presidência, Guilherme Boulos (Psol), e a deputada federal Camila Jara (PT-MS).
A advogada Maria Claudia Bucchianeri, que representa Flávio, afirmou que a campanha do PL pretende examinar os documentos antes de disponibilizar os dados do senador. “Se eles trouxerem tudo, a gente traz”, declarou.
O presidente do PT, Edinho Silva, afirmou que Lula não impôs restrições à divulgação de suas informações. “O Lula não tem nenhuma restrição, não colocou nenhuma restrição”, disse.
Apesar do entendimento anunciado pelas campanhas, os sigilos ainda não foram efetivamente abertos. A divulgação dos documentos depende do cumprimento das condições apresentadas e das providências judiciais cabíveis.
Fonte: Poder360





















