Começou na quinta-feira (15) e segue até 28 de outubro a exposição que reúne trabalhos de estudantes da organização não governamental Bairro da Juventude, de Criciúma. A visitação ocorre no Espaço Cultural Cruz e Sousa, que dá acesso aos gabinetes do Anexo Deputado Epitácio Bittencourt, no primeiro andar do Palácio Barriga Verde, em Florianópolis. Nos dias úteis, o público pode conferir as obras das 7h às 19h.
A ONG atende diariamente 1,6 mil alunos em período integral, desde bebês no berçário até jovens de 21 anos, muitos oriundos de famílias em situação de vulnerabilidade social de diversos bairros de Criciúma. “Somos uma organização referência no Brasil, sustentada por muitas parcerias, que acolhe crianças e jovens o dia todo, com atividades nos turnos da manhã, tarde e noite”, afirma o coordenador Márcio Cichella de Souza.
A mostra traduz o senso crítico cultivado por jovens que frequentam os cursos de eletroeletrônica e programação da tradicional instituição do Bairro Pinheirinho. A curadoria é do professor Macsuel de Bona, que foi aluno do curso técnico de eletricista, formou-se em história e arquitetura e urbanismo e responde pela disciplina complementar de criatividade e sustentabilidade. “O projeto possibilita uma abordagem artística e crítica de problemas atuais, como o descarte de resíduos eletrônicos e os efeitos de guerras e conflitos em diversas regiões do mundo, propondo um manifesto humanizado sobre as vítimas desses processos”, explica o orientador.
As peças expostas foram criadas a partir de componentes que ganham novos sentidos pela criatividade e pelo olhar dos alunos. A exposição aborda o impacto do consumo na era digital e as consequências dos conflitos contemporâneos para a desumanização e a degradação ambiental. As obras surgiram da reutilização de componentes eletrônicos que seriam jogados fora. Os estudantes empregam placas, fios, teclados e outras peças obsoletas em manifestações visuais. O projeto alia arte, tecnologia e sustentabilidade, usando elementos do cotidiano digital para tratar de temas atuais e estimular o pensamento crítico.
Nikison Silvério Luiz, 17 anos, e Emanuely Cristiny Francioni, 16, participaram da elaboração de três obras. “O Alvo” trata de conflitos no continente africano; “Jogo de Tabuleiro”, dos interesses econômicos; e “Obrigado por Morrer”, das condecorações entregues a famílias de mortos em guerras. “No começo, fiquei desanimado, mas depois a ficha caiu”, conta Nikison sobre o efeito do processo criativo. “Eu não me interessava muito, de repente passei a ver a criação de outro jeito”, concorda Emanuely.
O processo criativo foi coletivo, da seleção e separação dos materiais ao planejamento, à experimentação e à montagem das peças. Além de ampliar a consciência sobre o descarte correto e o reaproveitamento de resíduos, a atividade desenvolveu a criatividade, a sensibilidade artística e habilidades técnicas e colaborativas. Até pontas de lápis coloridos entraram na confecção de “Arsenal do Conhecimento”, representação de uma metralhadora que Miguel Cardoso da Silva produziu com os colegas John Henrique André e Vítor Lopes Adão. “É uma obra autoexplicativa”, diz Miguel, que aos 22 anos está concluindo o curso de programação.
Para o curador Macsuel, “a exposição evidencia o protagonismo dos estudantes e a capacidade de transformar o conhecimento tecnológico em ferramenta de expressão, com obras cheias de significados e interpretações que, com criatividade, convidam o público a refletir criticamente sobre o mundo contemporâneo”. A mostra já foi apresentada na sede do próprio Bairro da Juventude para o público interno da instituição, proporcionando a alunos e educadores uma reflexão sobre as questões sociais e ambientais abordadas. Depois, foi exposta no principal centro comercial de Criciúma e agora ocupa a Alesc, com nova agenda prevista para a Associação Comercial e Industrial de Criciúma (Acic).
Fonte: Assembleia SC





















