O primeiro turno das eleições de 2026 consolidou os três estados do Sul como uma das principais bases eleitorais do Partido Liberal (PL) no país. Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul elegeram governadores do PL ainda no primeiro turno, enquanto a legenda conquistou quatro das seis cadeiras do Senado colocadas em disputa na região.
Em Santa Catarina, Jorginho Mello (PL) foi reeleito governador com 68,98% dos votos válidos. No Paraná, Sergio Moro (PL) garantiu a eleição no primeiro turno com 50,10%. No Rio Grande do Sul, Luciano Zucco (PL) venceu com 58,05%.
O desempenho se repetiu na disputa pelo Senado. Em Santa Catarina, as duas vagas ficaram com Carol de Toni (PL) e Carlos Bolsonaro (PL). No Paraná, foram eleitos Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo). Já no Rio Grande do Sul, as cadeiras ficaram com Sanderson (PL) e Marcel van Hattem (Novo). O resultado significa que, das seis vagas ao Senado disputadas nos três estados, quatro foram conquistadas pelo PL e duas pelo Novo.
A força eleitoral desse campo político também apareceu de maneira expressiva na eleição presidencial. Somados os resultados de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, Flávio Bolsonaro (PL) recebeu aproximadamente 10,52 milhões de votos, enquanto Luiz Inácio Lula da Silva (PT) obteve cerca de 5,48 milhões. A diferença regional foi de aproximadamente 5,04 milhões de votos em favor de Flávio Bolsonaro.
Considerando os cerca de 17,51 milhões de votos válidos registrados nos três estados, Flávio ficou com aproximadamente 60,1%, contra 31,3% de Lula. A diferença entre os dois correspondeu a cerca de 28,8 pontos percentuais no conjunto do eleitorado sulista. Os números resultam da soma dos três estados. Em Santa Catarina, Flávio recebeu cerca de 3 milhões de votos, contra 1,13 milhão de Lula; no Paraná, foram aproximadamente 3,95 milhões contra 2,05 milhões; e no Rio Grande do Sul, cerca de 3,57 milhões contra 2,29 milhões. Santa Catarina apresentou a maior diferença proporcional da região: Flávio terminou o primeiro turno com 66,66% dos votos válidos, contra 25,04% de Lula. No Paraná, foram 59,91% contra 31,20%. No Rio Grande do Sul, 55,64% contra 35,73%.
Com a definição de Flávio Bolsonaro e Lula para o segundo turno presidencial, marcado para 25 de outubro, os resultados deste domingo colocam os três estados do Sul no centro das estratégias das duas campanhas. Para a candidatura do PL, o desafio será preservar e tentar ampliar a vantagem construída na região, buscando absorver parte dos votos que no primeiro turno foram destinados a Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado, Romeu Zema e demais candidatos. Para Lula, a tarefa será reduzir uma diferença superior a cinco milhões de votos nos três estados ou compensá-la com vantagem maior em outras regiões do país.
Os resultados para governador e Senado também oferecem ao PL uma estrutura política importante para essa mobilização. Nos três estados, a campanha de Flávio poderá contar com governadores eleitos pela própria legenda e com quatro senadores recém-eleitos do partido, além dos dois representantes do Novo, legenda que também teve candidatos vitoriosos ao Senado no Paraná e no Rio Grande do Sul. Isso não significa, porém, que os votos dos candidatos eliminados no primeiro turno sejam automaticamente transferidos para qualquer uma das duas candidaturas presidenciais. O segundo turno constitui uma nova eleição, e o comportamento desse eleitorado será uma das variáveis centrais das próximas três semanas.
O que as urnas de 4 de outubro já demonstraram é o tamanho da vantagem construída por Flávio Bolsonaro na região: mais de 10,5 milhões de votos e aproximadamente 60% dos votos válidos do Sul, contra pouco menos de 5,5 milhões e 31% para Lula. Com os três governos estaduais nas mãos do PL e uma composição de Senado dominada por PL e Novo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul entram no segundo turno como uma região eleitoralmente favorável a Flávio Bolsonaro no resultado do primeiro turno. Agora, a disputa será para saber se essa diferença será mantida, ampliada ou reduzida até a votação de 25 de outubro.
Fonte: Redação


















