A produção agrícola de Santa Catarina registrou um crescimento de 8% em 2025, conforme dados da Pesquisa da Produção Agrícola Municipal (PAM) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pela Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (FACISC). O resultado coloca o estado entre os cinco principais produtores do país em pelo menos 20 culturas diferentes.
Esse desempenho representa uma recuperação parcial das perdas sofridas em 2024, quando eventos climáticos adversos afetaram diversas cadeias produtivas. A retomada evidencia a resiliência do setor agrícola catarinense, que não depende de auxílios governamentais para se manter competitivo.
A força da agricultura catarinense está fundamentada em um modelo baseado na pequena propriedade, no trabalho de imigrantes que desbravaram o território, no associativismo e cooperativismo, no suporte técnico da Epagri, na dedicação dos produtores rurais e no investimento em tecnologia e inovação por parte da agroindústria.
O levantamento considerou o valor pago ao produtor e revelou que 21 produtos apresentaram crescimento no estado, demonstrando a diversidade da produção catarinense, distribuída por diferentes regiões e com forte presença da agricultura familiar.
Segundo Lenoir Broch, diretor de Agronegócios e Ferrovias da FACISC, o resultado reflete a diversidade produtiva de Santa Catarina, que impacta diretamente a geração de emprego e renda tanto no campo quanto nas cidades. Ele destacou que 2025 foi um ano importante para várias culturas recuperarem parte das perdas provocadas pelo clima adverso nas safras anteriores.
Entre as principais posições ocupadas por Santa Catarina no cenário nacional, destacam-se o segundo lugar na produção de arroz, fumo, palmito e pera. O arroz tem forte presença no Extremo Sul; o fumo, no Planalto Norte; o palmito, na região Norte; e a pera, na Serra Catarinense.
O estado também ocupa a terceira posição nacional em erva-mate, maracujá, aveia e pêssego. A erva-mate é cultivada principalmente no Oeste e Planalto Norte, enquanto o maracujá se destaca no Sul, a aveia na Serra e o pêssego no Meio-Oeste.
O pêssego foi uma das culturas que ganharam posições no ranking nacional em 2025. Santa Catarina subiu uma colocação, com recuperação do volume produzido após as perdas de 2024. Além do aumento da produção, houve valorização dos preços pagos ao produtor e melhora na qualidade dos frutos.
De acordo com Broch, Santa Catarina é um dos poucos produtores de pêssego do país, uma cultura de clima temperado que exige cuidados desde o plantio até a pós-colheita, mas que oferece alto valor bruto por hectare. A recuperação registrada em 2025 demonstra a capacidade de reação da produção catarinense.
O maracujá também apresentou crescimento expressivo, com aumento de cerca de 30% na produção em 2025. O estado se diferencia pela qualidade visual e pela doçura dos frutos. Broch afirma que Santa Catarina tem uma agricultura formada principalmente por pequenas famílias rurais, que conseguem se destacar também em culturas não tradicionais, atividades que envolvem mais riscos, mas que podem oferecer maior valor agregado ao produtor.
Outra cultura que recuperou espaço foi o alho. O valor produzido cresceu 40% em 2025, após quedas em 2023 e 2024. Com isso, Santa Catarina avançou duas posições e voltou à quarta colocação entre os maiores produtores do país. A cadeia também registra investimentos em renovação genética, mas enfrenta pressão das importações provenientes da Argentina.
Broch ressalta que a recuperação do alho mostra a importância das condições climáticas e dos investimentos em renovação genética para a competitividade da cultura. Ao mesmo tempo, as importações argentinas pressionam os produtores catarinenses e exigem uma discussão sobre estratégias de proteção à produção local.
A cevada foi outro destaque da produção agrícola catarinense. O estado ocupa a quarta posição nacional e registrou crescimento de 162% no montante produzido em 2025. Parte do avanço ocorreu com a migração de áreas antes destinadas ao trigo para a cevada, em busca de maior rentabilidade. O fortalecimento das relações entre produtores e indústrias de malte e cerveja também contribuiu para o crescimento da cultura.
Na avaliação do diretor, existe potencial para Santa Catarina ampliar ainda mais a participação na produção de cevada, ao mesmo tempo em que fortalece a indústria de malte e cerveja. É uma cadeia que pode ganhar relevância tanto no campo quanto na indústria.
A edição de 2025 da pesquisa também colocou novas culturas entre os destaques catarinenses. O estado aparece entre os cinco maiores produtores brasileiros de canola, cenoura e abóbora. Santa Catarina ocupa a quarta posição nacional em canola e cenoura e a quinta em abóbora. Em morango e repolho, aparece na sétima posição.
Para a FACISC, a variedade de culturas é uma característica da agricultura estadual e amplia as alternativas de renda para produtores de diferentes regiões.
O cenário, porém, também apresenta desafios. Pelo menos cinco culturas perderam posições no ranking nacional em valor produzido: maçã, cebola, melancia, batata-doce e mandioca. Na cebola, Santa Catarina passou da liderança nacional em 2023 para a terceira posição em 2025. O setor enfrenta uma crise de preços, com impacto direto sobre a rentabilidade dos produtores.
Broch afirma que a situação da cebola exige uma resposta para preservar a atividade e a renda das famílias produtoras. A FACISC defende a adoção de mecanismos de apoio aos produtores diante da diferença entre o custo de produção e o preço recebido.
Na maçã, Santa Catarina perdeu em 2025 a liderança nacional que manteve por três anos consecutivos. O Rio Grande do Sul assumiu a primeira posição. A produção catarinense cresceu 30%, mas a gaúcha avançou 65%. A FACISC aponta diferenças na estrutura produtiva entre os dois estados como um dos fatores que ajudam a explicar o resultado. O Rio Grande do Sul possui propriedades maiores, maior possibilidade de mecanização dos tratos culturais e investimentos em pomares de alta densidade.
Segundo o diretor, Santa Catarina tem uma estrutura de produção diferente, com forte presença da agricultura familiar. Para manter a competitividade da maçã, é necessário criar condições para que esses produtores consigam arcar com investimentos de longo prazo, como a renovação dos pomares. Sem isso, existe o risco de perda de espaço no mercado nacional.
Fonte: NSC Total





















