Santa Catarina responde nas urnas aos rótulos que recebe de fora - GuaraNews
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AS CAMPEÃS DE VOTOSanta Catarina responde nas urnas aos rótulos que recebe de fora

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Santa Catarina voltou a falar pelas urnas. E o resultado das Eleições 2026 oferece elementos concretos para confrontar alguns dos rótulos que, nos últimos anos, passaram a ser lançados sobre o estado no debate político nacional.

O chamado Estado Barriga-Verde é frequentemente apresentado por vozes da esquerda nacional como território especialmente marcado por machismo, misoginia, intolerância e preconceito.

Até mesmo declarações atribuídas à primeira-dama Janja, alimentaram a percepção de que Santa Catarina seria um lugar hostil, onde determinados grupos “se sentem muito mal”.

É legítimo discutir preconceito, violência contra a mulher ou discriminação onde quer que ocorram. Nenhum estado brasileiro está imune a esses problemas.

Outra coisa, porém, é transformar quase seis milhões de eleitores em uma caricatura política.

E as urnas de 2026 tornam essa simplificação ainda mais difícil.

A candidata mais votada para a Assembleia Legislativa de Santa Catarina foi uma mulher.

Ana Campagnolo (PL) recebeu 387.523 votos, superando todos os demais candidatos ao Parlamento estadual. A nova composição da Alesc terá cinco mulheres entre seus 40 integrantes.

Para a Câmara dos Deputados aconteceu algo ainda mais expressivo.

Júlia Zanatta (PL) foi a candidata a deputada federal mais votada de Santa Catarina, alcançando 560.223 votos, quase três vezes a votação da segunda colocada, Ana Paula Lima (PT), que também foi eleita. Giovana Mondardo (PCdoB) igualmente conquistou mandato federal.

Portanto, mulheres de diferentes campos ideológicos receberam respaldo expressivo do eleitor catarinense.

No Senado, novamente uma mulher ficou no topo.

Carol de Toni (PL) foi eleita senadora com 2.694.918 votos, o equivalente a 33,46% dos votos computados para o cargo, terminando à frente de Carlos Bolsonaro, também eleito.

São números que merecem ser observados antes que se tente explicar Santa Catarina apenas por estereótipos.

Pode-se discordar profundamente das posições políticas de Ana Campagnolo, Júlia Zanatta ou Carol de Toni. Isso faz parte da democracia.

O que parece contraditório é afirmar que o eleitor catarinense rejeita mulheres politicamente enquanto esse mesmo eleitor coloca mulheres no topo das votações para Assembleia, Câmara dos Deputados e Senado.

Há aí uma questão importante.

Talvez parte do conflito não seja exatamente sobre mulheres na política, mas sobre quais mulheres recebem votos.

Quando uma mulher conservadora obtém votação expressiva, sua vitória não deixa de representar participação feminina simplesmente porque suas ideias não coincidem com aquelas defendidas por movimentos progressistas.

A democracia não determina qual pensamento uma mulher deve ter para que sua participação política seja considerada legítima.

O voto também mostrou pluralidade.

Enquanto Júlia Zanatta liderou a eleição federal pelo PL, Ana Paula Lima, do PT, recebeu mais de 201 mil votos, e Giovana Mondardo, do PCdoB, ultrapassou 114 mil votos, ambas conquistando mandato.

Na Assembleia, a segunda candidatura mais votada foi justamente Luciane Carminatti (PT), com 124.590 votos.

Ou seja: um eleitorado frequentemente descrito de maneira homogênea e intolerante colocou simultaneamente mulheres de direita e de esquerda entre as candidaturas mais votadas do estado.

Os catarinenses fizeram escolhas políticas muito claras em 2026. Elegeram um governador de direita, deram ampla votação ao PL e, ao mesmo tempo, entregaram votações históricas a mulheres.

Mulheres conservadoras.

Mulheres progressistas.

Mulheres escolhidas diretamente pelo voto popular.

Talvez essa seja a resposta mais objetiva aos que insistem em descrever Santa Catarina a partir de rótulos construídos longe daqui.

O estado não precisa ser idealizado.

Mas também não precisa aceitar passivamente caricaturas.

Nas democracias, argumentos podem ser respondidos com argumentos.

E, desta vez, Santa Catarina respondeu com números.

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