O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, voltou a defender neste domingo (30) a criação de um sistema de trabalho mais flexível no país, em contraponto à proposta que extingue a escala 6×1. A declaração ocorreu durante entrevista coletiva em São Paulo, após reunião com o ministro da Justiça de El Salvador, Gustavo Villatoro.
De acordo com o parlamentar, a ideia central é permitir que cada trabalhador defina sua própria jornada, com remuneração baseada nas horas efetivamente trabalhadas. Ele sugeriu que o modelo poderia beneficiar especialmente grupos como as mulheres, que muitas vezes enfrentam dificuldades para cumprir expedientes fixos de oito horas diárias.
“Vamos dar liberdade para o trabalhador escolher a própria carga horária. Se quiser trabalhar dois dias na semana, ou quatro, ou mais dias, poderá fazer, com todos os direitos garantidos”, afirmou Flávio, sem responder diretamente se votaria a favor da PEC que acaba com a escala 6×1.
A proposta defendida pelo candidato está alinhada à PEC 12/2026, de autoria do senador Rogério Marinho (PL-RN), que também coordena sua campanha. O texto, que aguarda análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, estabelece o pagamento por hora trabalhada e a flexibilização da jornada.
Vale destacar que essa PEC é distinta da que tramita no Congresso com o objetivo de reduzir a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. Enquanto a proposta de Marinho foca na liberdade de escolha do trabalhador, a outra prevê mudanças graduais no limite legal.
A PEC do fim da escala 6×1, aprovada em dois turnos pela Câmara dos Deputados no dia 27 de maio, segue agora para análise do Senado. No primeiro turno, foram 472 votos favoráveis e 22 contrários; no segundo, 461 a 19. O texto passou a avançar em agosto, após articulação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Na última quinta-feira (27), o relator da proposta no Senado, Omar Aziz (PSD-AM), apresentou parecer favorável, mantendo o texto aprovado pela Câmara. Ele rejeitou as 12 emendas que haviam sido apresentadas até então, incluindo aquelas que pretendiam manter a jornada em 44 horas semanais. Depois da divulgação do relatório, novas sugestões foram protocoladas.
Se aprovada, a emenda constitucional estabelecerá uma transição: 60 dias após a promulgação, a jornada máxima cairia de 44 para 42 horas; depois de 12 meses, passaria a 40 horas semanais, com dois dias de descanso, preferencialmente aos domingos.
A declaração de Flávio Bolsonaro ocorre em meio ao debate sobre a reforma trabalhista e as condições de trabalho no Brasil, temas que devem ganhar destaque na campanha eleitoral. O candidato, que tem feito críticas à gestão atual, aposta em pautas como segurança e custo de vida para atrair eleitores.
Especialistas ouvidos por veículos de imprensa divergem sobre os impactos das propostas. Enquanto alguns defendem que a flexibilização pode aumentar a produtividade e a satisfação dos trabalhadores, outros alertam para o risco de precarização e de redução da proteção social.
A expectativa é que o assunto continue sendo discutido nos próximos meses, tanto no Congresso quanto nas ruas, com a participação de sindicatos, empresários e da sociedade civil. Por ora, as duas PECs seguem tramitando em paralelo, e não há previsão de votação imediata no Senado.
O encontro de Flávio Bolsonaro com o ministro salvadorenho, que tratou de cooperação em segurança pública, foi mais um passo na construção de sua plataforma de governo. O candidato tem defendido medidas duras contra o crime, inspiradas em políticas adotadas em outros países.
Enquanto isso, a proposta da escala 6×1 segue como um dos temas centrais nas discussões sobre direitos trabalhistas, dividindo opiniões entre os parlamentares e a população. A decisão final caberá ao Congresso, que precisará conciliar os diferentes interesses envolvidos.
Fonte: ND+





















