Durante as fases iniciais da investigação envolvendo o Banco Master, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), substituiu seu telefone celular, o chip e o número de contato. A mudança ocorreu na segunda quinzena de fevereiro, conforme informações divulgadas pelo UOL.
No período, os agentes federais analisavam dois aparelhos apreendidos com o banqueiro Daniel Vorcaro, detido em 17 de novembro do ano passado no Aeroporto Internacional de Guarulhos. Um dos dispositivos guardava diálogos travados com o magistrado por meio do número antigo.
O número anterior de Moraes estava vinculado ao aparelho desde pelo menos 2022, de acordo com os registros obtidos. As mensagens trocadas com Vorcaro foram extraídas pela Polícia Federal e seguem sob análise no STF.
A equipe de investigação não conseguiu recuperar as respostas enviadas pelo ministro ao banqueiro. Um delegado ouvido pelo UOL explicou que seria indispensável examinar o celular de Moraes para acessar esse conteúdo.
A comunicação entre ambos ocorria de maneira peculiar: redigiam o texto no bloco de notas, tiravam uma captura de tela e encaminhavam a imagem pelo WhatsApp no formato de visualização única.
Foram localizadas 52 mensagens escritas por Vorcaro seguindo esse método. Para decifrá-las, os investigadores cruzaram dados de conexão do aplicativo com informações do sistema iOS, que registra os horários de abertura e fechamento dos apps.
Essa técnica permitiu identificar quando os prints eram realizados. Logo após gerar a imagem, Vorcaro acessava a conversa com Moraes e enviava o arquivo como mensagem efêmera.
Para obter as mensagens do ministro, seria necessário aplicar o mesmo procedimento no aparelho dele. O UOL procurou a assessoria do STF, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.
O contato de Moraes chegou a Vorcaro em 26 de dezembro de 2023, repassado por Fábio Faria, então ministro das Comunicações. O banqueiro armazenou o número com a identificação “Alexandre de Moraes BRASILIA”.
As conversas recuperadas se concentram entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025, quando Vorcaro tentava embarcar para os Emirados Árabes Unidos. Nos primeiros contatos, ele buscava agendar um encontro com Moraes, que estava em Madri.
Numa mensagem de 30 de outubro, o banqueiro avisou: “Boa, vou mudar minha ida a abu dhabi pra conseguir te ver, se voce puder na terça feita!”.
Vorcaro também expressou inquietação sobre as apurações relacionadas ao Banco Master. Alegou ter sido informado por fontes ligadas ao Banco Central de que Gabriel Galípolo e outros diretores estariam sob forte pressão.
Ele solicitou que Moraes intercedesse junto ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, a fim de evitar medidas contra si.
Para a PF, a letra “G” citada nas mensagens era referência a Gabriel Galípolo, enquanto “Andrei” e “Paulo” apontavam para os ocupantes dos cargos públicos.
Há indícios de que os dois teriam se encontrado duas vezes próximo da prisão de Vorcaro. No dia 14 de novembro, ele enviou mensagem às 10h03 dizendo: “Vou chegar 14:30 ok! La em casa marcado”.
Na sequência, Vorcaro escreveu: “Estamos juntos sempre. Voce sabe que tenho gratidao da minha vida a você”, referindo-se à sua família, funcionários, parceiros e amigos.
No dia seguinte, ele perguntou se haveria possibilidade de se verem “amanha rapidamente algum horário”. As mensagens seguintes mostram apreensão com ações da PF e do MPF.
Em 16 de novembro, Vorcaro viajou de avião para encontrar Moraes. Após pousar, informou que iria direto ao local combinado. Depois do encontro, pediu que Andrei Rodrigues adiasse uma possível operação.
“Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”, escreveu o banqueiro.
Ele ainda questionou: “Você acha que existe alguma chance disso acontecer amanhã de manhã?”. A mensagem, segundo o UOL, fazia referência à operação que culminou na sua prisão no dia seguinte.
Fonte: ND+





















