O Campeonato Brasileiro entrou em uma fase decisiva na qual cada ponto pesa como uma final. A 27ª rodada, que só será encerrada nesta segunda-feira (14), com Bahia x Remo, às 20h, na Arena Fonte Nova, recolocou o Flamengo na liderança, manteve o Palmeiras a apenas um ponto da ponta e aumentou a pressão tanto na luta pelas vagas internacionais quanto na disputa contra o rebaixamento.
Depois de o Palmeiras derrotar o São Paulo por 2 a 0 no sábado e assumir provisoriamente a primeira posição, o Flamengo respondeu no domingo. No Maracanã, superou o Corinthians por 2 a 1, com gol de Bruno Henrique aos 44 minutos do segundo tempo, e chegou aos 57 pontos. O Palmeiras tem 56. A diferença de apenas um ponto transforma as 11 rodadas restantes em uma disputa direta na qual qualquer empate pode significar troca de liderança. Logo atrás, o Athletico-PR tem 46 pontos e o Fluminense, mesmo derrotado pelo Atlético-MG, permanece com 45.

O Bahia aparece em quinto, com 43 pontos e um jogo a menos. Por isso, o confronto desta segunda contra o Remo é especialmente importante: uma vitória levará o time baiano a 46 pontos, igualando o Athletico-PR e deixando ainda mais congestionada a perseguição aos dois líderes.
O Flamengo encontrou um Corinthians organizado defensivamente e teve enorme domínio territorial, mas precisou esperar até os minutos finais para transformar superioridade em três pontos. Lucas Paquetá abriu o placar no começo do segundo tempo. Gui Negão empatou para o Corinthians aos 32 minutos, mas Bruno Henrique apareceu aos 44 para marcar de cabeça e devolver a liderança ao Rubro-Negro. O resultado mostra uma característica importante de um candidato ao título: a capacidade de vencer mesmo quando o jogo não se resolve facilmente. O Flamengo chegou aos 57 pontos e também possui o melhor saldo entre os líderes, com +31. Para o Corinthians, a situação é inversa. A equipe permanece com 32 pontos, em 13º, e acumulou a quinta derrota consecutiva no Brasileiro. A distância para a zona de rebaixamento já é pequena o suficiente para impedir qualquer sensação de tranquilidade.
O Palmeiras fez aquilo que precisava fazer. Venceu o clássico, chegou aos 56 pontos e obrigou o Flamengo a responder no domingo. Murilo e Vitor Roque marcaram os gols da vitória sobre o São Paulo. A expulsão de Osorio ainda no primeiro tempo modificou bastante o cenário da partida e permitiu ao Palmeiras assumir o controle. Mais importante do que o resultado isolado é a regularidade. Com apenas três derrotas em 27 partidas, o Palmeiras possui o menor número de derrotas do campeonato e segue a apenas um ponto do Flamengo. O São Paulo, por sua vez, estacionou nos 33 pontos e permanece no meio da classificação, ainda sem conseguir transformar sua reação recente em aproximação consistente do grupo de cima.
Talvez nenhum resultado da rodada tenha deixado sensação tão amarga quanto o empate no Athletiba. O Athletico chegou a abrir 3 a 1, teve oportunidade de administrar uma vitória que o consolidaria ainda mais em terceiro lugar, mas permitiu a recuperação do Coritiba. O Coxa, mesmo diante das adversidades e ficando com um jogador a menos, buscou o empate nos acréscimos. Para o Athletico, o resultado pode custar caro na corrida pelas primeiras posições. O time chegou aos 46 pontos, mas deixou escapar a oportunidade de reduzir significativamente a distância para Flamengo e Palmeiras. Para o Coritiba, o 3 a 3 teve efeito quase de vitória emocional. O clube chegou aos 38 pontos e permanece no bloco intermediário.
O Atlético-MG conseguiu uma das vitórias mais relevantes da rodada. Depois de um primeiro tempo equilibrado, o Galo aumentou drasticamente a intensidade na etapa final e construiu o 3 a 1 com gols de Reinier, Cuello e Vitão. Castillo descontou. O resultado levou o Atlético a 39 pontos em 26 jogos. Além de possuir uma partida a menos que vários concorrentes, o clube voltou a olhar de maneira mais concreta para a zona de classificação continental. Para o Fluminense, a derrota custou uma oportunidade preciosa. Com 45 pontos, o Tricolor permanece em quarto, mas viu Athletico, Bahia e Atlético-MG aumentarem a pressão.
O Santos talvez seja a principal história de recuperação das últimas semanas. A vitória por 2 a 1 diante do Cruzeiro foi a terceira consecutiva da equipe no Brasileirão. O Peixe já havia derrotado Corinthians e Internacional. Rollheiser e um gol contra de Fabrício Bruno construíram a vantagem santista. Matheus Pereira descontou. Com 35 pontos, o Santos saltou para a décima posição e abriu sete pontos de vantagem em relação ao primeiro clube dentro da zona de rebaixamento. A sequência permite uma mudança de perspectiva: depois de passar boa parte do campeonato olhando para baixo, o Santos começa a enxergar a metade superior da tabela. O Cruzeiro permaneceu com 42 pontos e desperdiçou mais uma oportunidade de entrar efetivamente na disputa pelas primeiras colocações.
Foi um confronto direto com consequências profundas. O Grêmio abriu o placar com Villasanti, mas o Vasco conseguiu a virada no segundo tempo, com Thiago Mendes e Colidio. A vitória levou o Vasco aos 28 pontos, mesma pontuação do Grêmio. O clube carioca continua dentro da zona de rebaixamento pelos critérios de desempate, mas reduziu dramaticamente a diferença para sair dela. Do outro lado, a derrota aprofundou a crise gremista e provocou a demissão do técnico Luís Castro no domingo. O Grêmio permanece com 28 pontos e está perigosamente próximo do Z-4. A vantagem sobre Vasco e Internacional praticamente desapareceu.
Para o Internacional, não havia espaço para outro resultado. Depois de oito partidas sem vencer no Brasileirão, o Colorado ganhou da Chapecoense por 2 a 1, com gols de Bruno Henrique e Carbonero. Garcez marcou para a equipe catarinense. O Inter chegou aos 28 pontos e continua em 18º, mas agora está exatamente na mesma pontuação de Vasco e Grêmio. Isso significa que a luta para escapar do rebaixamento passou a envolver diretamente quatro ou cinco equipes separadas por pouquíssimos pontos. Para a Chapecoense, a situação é muito mais complicada. Com apenas 17 pontos, o clube permanece na última colocação e começa a precisar de uma sequência excepcional de resultados para reconstruir suas chances de permanência.
O Bragantino abriu o placar, mesmo ficando com um jogador a menos após a expulsão de Wallace Yan, mas o Botafogo conseguiu empatar com Vitinho. Para o Botafogo, o resultado prolongou a sequência sem vitórias e manteve a equipe perigosamente próxima da parte inferior da classificação. O clube tem 32 pontos em 26 jogos e ocupa o 14º lugar. O Bragantino chegou aos 36 pontos e continua na nona posição. Para uma equipe que tenta aproximar-se da zona de classificação continental, foi uma oportunidade desperdiçada.
O Vitória chegou a abrir 2 a 0 e parecia encaminhar uma vitória fora de casa. O Mirassol, porém, reagiu. Bruno Santos diminuiu e Edson Carioca empatou aos 45 minutos do segundo tempo. Foi um ponto importante pelo contexto, mas insuficiente para afastar completamente o risco. O Mirassol agora soma 29 pontos, apenas um acima do grupo que ocupa as primeiras posições da zona de rebaixamento. O Vitória, com 33, permanece em situação um pouco mais confortável, embora ainda não possa desconsiderar a luta na parte inferior.
A rodada reforça a existência, neste momento, de três campeonatos dentro do Brasileirão. O primeiro é a corrida pelo título. Flamengo e Palmeiras criaram um pequeno campeonato particular. São 57 pontos contra 56. O terceiro colocado, Athletico-PR, aparece dez pontos atrás do líder. A vantagem não torna a disputa resolvida, mas mostra que cariocas e paulistas atingiram um nível de regularidade superior ao restante da competição. O segundo campeonato é a corrida pelas vagas internacionais. Athletico-PR, Fluminense, Bahia, Cruzeiro e Atlético-MG estão separados por apenas sete pontos — e Bahia e Atlético ainda possuem somente 26 partidas disputadas. Uma pequena sequência de duas ou três vitórias pode modificar completamente esse bloco. A terceira disputa talvez seja a mais dramática. Grêmio, Vasco e Internacional têm exatamente 28 pontos. O Mirassol possui 29. Corinthians e Botafogo aparecem com 32. Na prática, seis clubes estão separados por apenas quatro pontos entre a 13ª e a 18ª colocações. É uma margem mínima. Uma vitória pode significar subir várias posições. Duas derrotas consecutivas podem empurrar uma equipe para dentro da zona de rebaixamento.
A principal conclusão esportiva da rodada, porém, está na parte superior. Flamengo e Palmeiras começam a criar uma distância relevante. O Rubro-Negro tem 57 pontos, 17 vitórias e saldo de 31 gols. O Palmeiras soma 56, perdeu somente três partidas e apresenta uma consistência defensiva impressionante: sofreu apenas 21 gols. A disputa está longe de terminar, mas a tabela começa a sugerir que os demais candidatos precisarão não apenas melhorar seu próprio aproveitamento — precisarão também esperar uma queda de rendimento dos dois primeiros.
A rodada termina nesta segunda-feira em Salvador e o jogo possui implicações nas duas partes da tabela. O Bahia começa a noite com 43 pontos. Se vencer, chegará aos 46, mesma pontuação do Athletico-PR, e ficará definitivamente no centro da disputa pelas primeiras colocações. Para o Remo, a necessidade é ainda maior. Com 23 pontos, o clube paraense ocupa a 19ª colocação. Uma vitória na Fonte Nova o levaria aos 26 e reduziria para apenas dois pontos a distância para Vasco e Internacional. Por isso, o último jogo da 27ª rodada não é apenas complemento de tabela. Pode mexer simultaneamente com a corrida pela Libertadores e com a batalha contra o rebaixamento. E essa talvez seja a melhor definição do Brasileirão neste momento: na frente, Flamengo e Palmeiras correm quase lado a lado; atrás deles, praticamente ninguém tem margem para desperdiçar pontos.
Fonte: Redação





















