O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vão se enfrentar no segundo turno das eleições presidenciais, que promete ser o mais disputado desde a redemocratização do Brasil. Conforme os dados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com 96,78% das urnas apuradas, Flávio Bolsonaro obteve 54.761.247 votos, enquanto Lula alcançou 51.473.436. A diferença entre os dois é de 3.287.811 votos.
A vantagem do senador no primeiro turno veio acompanhada de um avanço expressivo da direita nas disputas estaduais e nas cadeiras do Congresso Nacional. Esse cenário configura uma onda conservadora que pode influenciar os rumos do segundo turno.
Desde 1989, quando ocorreu a primeira eleição presidencial após a ditadura, nunca houve uma distância tão pequena entre o primeiro e o segundo colocado. O recorde anterior era de 2022, quando Lula e Jair Bolsonaro (PL) ficaram separados por 6,1 milhões de votos.
Confira a diferença de votos entre primeiro e segundo colocados em cada eleição desde 1989:
- 1989: 8.988.709
- 1994: 17.242.834
- 1998: 14.461.171
- 2002: 19.749.788
- 2006: 6.693.996
- 2010: 14.519.151
- 2014: 8.370.457
- 2018: 17.934.985
- 2022: 6.187.159
Flávio Bolsonaro foi beneficiado por um movimento de voto útil na fase final da campanha, conforme indicaram as principais pesquisas da última semana. O senador, que aparecia com 36% das intenções de voto em levantamento do Datafolha em 24 de setembro, saltou para 47,48% dos votos válidos neste domingo até as 21h. Lula, que tinha 40% na mesma pesquisa, terminou com 44,63% dos votos válidos.
A pesquisa Datafolha da véspera da eleição já mostrava uma aproximação entre os dois candidatos. Lula marcava 42% dos votos totais, enquanto Flávio tinha 40%. Considerando os votos válidos, o presidente aparecia com 45% e o senador com 42%.
O segundo turno está marcado para 25 de outubro. Os dois candidatos terão três semanas para conquistar os eleitores que votaram nos demais candidatos, além dos mais de 32 milhões de brasileiros que não compareceram às urnas no primeiro turno.
Flávio Bolsonaro leva vantagem porque a maioria dos candidatos derrotados tem identificação ideológica com a direita. A campanha do senador espera obter o apoio de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante). Os bolsonaristas também cortejam o eleitorado de Renan Santos (Missão), embora o líder do MBL não deva declarar apoio público no segundo turno.
Lula, por outro lado, precisará encontrar alternativas para se aproximar desse eleitorado, mesmo com os candidatos derrotados mais alinhados ao bolsonarismo do que ao PT. O presidente conta com a máquina pública a seu favor nessa etapa final.
As apostas de Flávio Bolsonaro incluem ênfase em pautas populares, acenos aos eleitores da terceira via e busca de reforço político, tanto de aliados nos estados quanto de adversários que ficaram pelo caminho na disputa presidencial.
O senador chegou ao primeiro turno sem coligações ou apoios formais de outros partidos. Ele espera contar com o suporte de Caiado, Cury e Zema, inclusive em seus palanques. Renan Santos já sinalizou que não deve endossá-lo.
Flávio também deve procurar PP, União Brasil e Republicanos para negociar apoio. As três legendas optaram pela neutralidade no primeiro turno, mas devem avaliar um possível endosso nos próximos dias.
Segundo articuladores, Flávio Bolsonaro deve manter a estratégia de explorar a corrupção não pelos escândalos do Mensalão ou Petrolão, mas pela figura de Lulinha, filho do presidente Lula, apontado pela Polícia Federal como um dos operadores de fraudes em aposentadorias e pensões.
A campanha de Lula terá de se reconstruir para superar o favoritismo de Flávio Bolsonaro no segundo turno e reorganizar sua militância após a frustração com o resultado das urnas neste domingo.
O primeiro passo nesse início de campanha é a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que acaba com a escala de trabalho 6×1. A PEC foi pautada para esta terça-feira, 6, no plenário do Senado. Os petistas contam com ela para intensificar a disputa entre pobres e ricos na eleição.
Como o Broadcast Político mostrou, o clima no comando da campanha petista neste domingo era de preocupação e frustração com o resultado. Lula liderava todas as principais pesquisas publicadas até a reta final, e os trackings contratados pela campanha não captaram o movimento pró-Flávio.
O PT trabalhará para que nenhum partido do Centrão declare apoio público a Flávio nas próximas duas semanas. Esse tipo de adesão não alteraria o tempo de TV, por exemplo, mas os petistas temem que a campanha de Flávio possa transmitir uma imagem de união.
Fonte: Jovem Pan




















