O índice de volatilidade da B3, conhecido como VIX Brasil, que estima as oscilações esperadas para o Ibovespa nos próximos 30 dias, registrou alta de 41,1% entre 9 e 20 de outubro. No mesmo intervalo, o principal índice acionário brasileiro apresentou queda modesta, de apenas 0,4%.
Esse contraste evidencia que, apesar da relativa estabilidade do Ibovespa, os investidores estão dispostos a pagar mais caro por proteção contra possíveis turbulências. A volatilidade implícita, componente essencial na formação do preço das opções, reflete a expectativa de maiores oscilações futuras.
O VIX Brasil avançou de 27,83 pontos em 9 de outubro para 39,26 pontos no dia 20, terça-feira. Para dimensionar o quanto desse movimento é específico do mercado brasileiro, comparou-se com o VIX americano, calculado a partir de opções sobre o S&P 500. No mesmo período, o indicador dos EUA subiu de 14,84 para 17,31 pontos, alta de 16,6%. O avanço proporcional do índice brasileiro foi quase duas vezes e meia superior.
Essa discrepância sugere que a percepção de risco no mercado acionário nacional aumentou de forma mais acentuada, ainda que não seja possível atribuir toda a diferença exclusivamente ao processo eleitoral.
Na manhã de quarta-feira, 21, a divergência persistia. Por volta das 10h10, o Ibovespa subia 0,42%, aos 209.169 pontos, enquanto o dólar era cotado próximo de R$ 5,02. Os juros futuros também abriram em queda, com o contrato para janeiro de 2035 recuando cerca de nove pontos-base.
O comportamento dos investidores ocorre em meio à divulgação de três pesquisas eleitorais que apontam empate técnico entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na Meio/Ideia, os candidatos aparecem com 51,1% e 48,9% dos votos válidos, respectivamente. A Quaest registra 45% a 44% nas intenções totais, enquanto a Palver indica 50% a 48%.
Esses números ajudam a explicar por que a volatilidade se tornou uma variável crucial para os investidores às vésperas da votação. A alta das ações pode continuar acompanhada de forte demanda por instrumentos de proteção, especialmente diante da possibilidade de ajustes bruscos nos preços após a divulgação do resultado.
A diferença entre o desempenho praticamente estável do Ibovespa e a disparada do seu índice de volatilidade revela que, independentemente da direção das apostas, o mercado se prepara para oscilações mais intensas. A Bolsa ainda encontra compradores, mas a tranquilidade tornou-se mais cara.
Fonte: Veja




















