Os preços futuros do petróleo encerraram o pregão de quarta-feira (23) em alta, interrompendo uma sequência de cinco quedas consecutivas. O movimento foi impulsionado pela decepção do mercado com o resultado da mais recente rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã, que não sinalizou avanços concretos.
A cotação também recebeu suporte da notícia de que o governo americano estuda proibir as exportações de diesel por um período de três meses, o que restringiria a oferta global do derivado.
Na ICE, em Londres, o barril do Brent com vencimento em dezembro subiu 2,84%, ou US$ 2,71, fechando a US$ 98,12. Já o WTI para novembro avançou 1,81%, equivalente a US$ 1,64, cotado a US$ 92,16 na Nymex.
As conversas entre Washington e Teerã confirmaram a ausência de progresso nesta quarta-feira, afastando a expectativa de um desfecho rápido para o conflito no Oriente Médio. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, reiterou que os EUA mantêm opções militares contra o Irã, enquanto o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, advertiu os países europeus sobre “consequências de longo prazo” caso apoiem o que classificou como “crimes de guerra” cometidos por Estados Unidos e Israel em Gaza e no Irã.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, declarou na Assembleia Geral da ONU que a navegação livre no Estreito de Ormuz só será restabelecida após a suspensão das sanções impostas ao país.
Paralelamente, uma reportagem do Politico indicou que o governo de Donald Trump prepara um plano para banir as exportações de diesel por 90 dias. A Casa Branca, no entanto, negou a informação. Na terça-feira, em Nova York, Trump havia afirmado que defendia, junto a membros de sua equipe, a interrupção das vendas externas do derivado como forma de conter a alta de preços no mercado interno.
Nesta quarta, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, alertou que uma eventual proibição das exportações americanas de diesel poderia desencadear uma série de efeitos colaterais indesejados, comprimindo a oferta tanto do próprio derivado quanto da gasolina e, consequentemente, pressionando ainda mais os preços.
O Bank of America (BofA) revisou para cima sua projeção para o preço do Brent no segundo semestre, de US$ 83 para US$ 95 por barril, citando a significativa interrupção no fornecimento de petróleo bruto e de produtos refinados. O banco avalia que a continuidade dos confrontos até o fim do ano é agora o cenário mais provável, embora rotas alternativas e o transporte escoltado em Ormuz tenham amenizado parte da escassez.
Por fim, o Departamento de Energia dos EUA informou que os estoques de petróleo no país registraram alta de 2,969 milhões de barris na semana, contrariando a expectativa dos analistas, que projetavam queda de 500 mil barris.
Fonte: CNN Brasil





















