O Porto de Itajaí, no Litoral Norte de Santa Catarina, suspendeu totalmente a navegação em seu canal de acesso nesta segunda-feira (31). A decisão foi tomada após a forte correnteza, intensificada pelas chuvas que atingem a região, ultrapassar os parâmetros de segurança estabelecidos para a realização de manobras de entrada e saída de navios.
De acordo com a Delegacia da Capitania dos Portos em Itajaí, as operações estão proibidas enquanto as condições hidrológicas não forem consideradas seguras. Não há previsão de quando a navegação será liberada, o que depende da redução da vazão do Rio Itajaí-Açu e da melhora das condições no canal.
O complexo portuário é um dos mais movimentados do estado. Somente no primeiro semestre de 2026, foram movimentadas mais de 1,2 milhão de toneladas de cargas. A interrupção das atividades gera preocupação no setor logístico e na economia local, uma vez que o porto é essencial para o escoamento da produção regional.
As chuvas intensas e persistentes que atingem o Vale do Itajaí e toda a bacia do Rio Itajaí-Açu provocaram um aumento expressivo da vazão do rio. Esse volume de água corre em direção ao estuário com força elevada, criando condições consideradas excepcionalmente severas para a navegação.
Além da correnteza, há o risco de acúmulo de sedimentos no canal. O grande volume de água transporta areia e outros materiais, que se depositam no fundo e podem reduzir rapidamente a profundidade em alguns pontos. Isso agrava o problema de assoreamento, que já é monitorado constantemente pela administração do porto.
A combinação de fatores — correnteza forte, chuva contínua, ventos e intenso transporte de sedimentos — torna o cenário especialmente delicado. A autoridade marítima ressalta que a medida é preventiva e tem como objetivo garantir a segurança das embarcações, das equipes e do próprio canal.
Enquanto a navegação está suspensa, a draga Hopper TSHD Utrecht permanece em operação no canal desde domingo (30). O equipamento está trabalhando na retirada dos sedimentos depositados no fundo, um serviço essencial para minimizar os efeitos do assoreamento e ajudar na recuperação da profundidade adequada.
A continuidade da dragagem é considerada fundamental, mas depende das condições hidrológicas. A execução dos serviços só é possível quando há segurança para as equipes e para o equipamento. Por isso, o trabalho segue de forma intermitente, conforme o clima permite.
A suspensão da navegação no Porto de Itajaí não tem prazo definido para ser revertida. A previsão é de que as chuvas persistam nos próximos dias, o que deve manter o rio com vazão elevada e a correnteza forte. As autoridades monitoram a situação em tempo real e avaliam diariamente as condições do canal.
A população e os operadores portuários foram informados sobre a decisão. A recomendação é que as empresas que dependem do porto busquem alternativas temporárias ou aguardem a normalização, que ocorrerá assim que as condições forem seguras.
O Porto de Itajaí é um importante polo de movimentação de contêineres e cargas gerais, com conexões para diversos mercados internacionais. A paralisação pode impactar a cadeia logística, incluindo exportações e importações de empresas da região.
Especialistas alertam que o assoreamento é um problema recorrente na região e que eventos climáticos extremos tendem a se tornar mais frequentes. Medidas de prevenção e investimentos em infraestrutura são apontados como necessários para reduzir os impactos de futuros episódios.
A Defesa Civil e outros órgãos seguem monitorando os níveis dos rios e as condições meteorológicas. A população deve ficar atenta aos alertas oficiais e evitar áreas de risco, especialmente próximas a encostas e margens de rios.
Até o momento, não há registro de danos estruturais no porto ou acidentes envolvendo embarcações. A administração do porto informa que a prioridade é a segurança e que todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas para minimizar os impactos da paralisação.
A expectativa é que, com a diminuição das chuvas, a vazão do rio reduza e as condições de navegação voltem ao normal. No entanto, isso pode levar dias, dependendo da intensidade das precipitações e do comportamento da bacia hidrográfica.
Fonte: NSC Total





















