O mercado brasileiro de suínos encerrou a semana com liquidez reduzida e cotações heterogêneas, tanto para o animal vivo quanto para os cortes negociados no atacado. A consultoria Safras & Mercado aponta que os frigoríficos adotam postura defensiva diante da oferta disponível e de uma demanda interna que ainda não dá sinais claros de recuperação.
A média nacional do suíno vivo cedeu de R$ 4,77 para R$ 4,75 por quilo. No atacado, o preço médio dos cortes de carcaça subiu levemente, de R$ 7,50 para R$ 7,52 por quilo, enquanto o pernil registrou recuo de R$ 9,49 para R$ 9,47.
Conforme o analista Allan Maia, da Safras & Mercado, a indústria avalia que a quantidade de animais prontos para abate supera a necessidade imediata das plantas. Esse excesso inibe compras mais volumosas e impede uma reação mais firme das cotações.
O escoamento da proteína suína mostrou ligeira melhora ao longo da semana, mas insuficiente para impulsionar os preços. A consultoria entende que uma recuperação mais consistente depende, em primeiro lugar, de um ajuste na oferta interna. Sem esse ajuste, os frigoríficos devem continuar com aquisições seletivas e escalas de abate limitadas ao curto prazo.
Esse quadro amplia a apreensão dos suinocultores, sobretudo os que operam de forma independente, que acumulam perdas e enfrentam dificuldades para repassar os custos de produção.
As expectativas para o consumo de carne suína seguem positivas. A elevação da renda das famílias e a competitividade do produto frente à carne bovina podem impulsionar as vendas nas próximas semanas.
A proteína suína costuma ganhar participação no orçamento doméstico quando a diferença de preço em relação à carne bovina se amplia. Contudo, essa vantagem ainda não se traduziu em demanda suficiente para absorver a oferta e provocar uma recuperação generalizada das cotações.
O desempenho do atacado será determinante para o mercado do animal vivo. Uma melhora mais firme nas vendas de cortes pode estimular novas compras pelos frigoríficos e aliviar a pressão sobre os produtores.
Em São Paulo, a arroba suína permaneceu em R$ 95. No Rio Grande do Sul, o quilo do animal vivo ficou estável em R$ 4,80 no sistema de integração, mas caiu de R$ 4,65 para R$ 4,60 no interior gaúcho.
Santa Catarina manteve o preço na integração em R$ 4,65 por quilo. No interior catarinense, a cotação recuou de R$ 4,60 para R$ 4,55.
No Paraná, o suíno vivo caiu de R$ 4,60 para R$ 4,55 por quilo no mercado livre. Na integração, o valor seguiu em R$ 5,05.
Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o preço ficou estável em R$ 4,80 por quilo. Na integração estadual, no entanto, houve queda de R$ 4,80 para R$ 4,65.
Em Goiânia, a cotação recuou de R$ 5 para R$ 4,90. No interior de Minas Gerais, o preço permaneceu em R$ 5 por quilo, enquanto o mercado independente registrou estabilidade em R$ 5,20.
Em Rondonópolis, Mato Grosso, o quilo vivo continuou cotado a R$ 5,05. Na integração estadual, o valor caiu de R$ 4,80 para R$ 4,65.
No mercado externo, as exportações brasileiras de carne suína in natura mantiveram desempenho positivo em volume no início de setembro.
Nos quatro primeiros dias úteis do mês, os embarques geraram receita de US$ 58,583 milhões, com média diária de US$ 14,646 milhões. O Brasil exportou 24,927 mil toneladas no período, equivalentes a uma média de 6,232 mil toneladas por dia.
O preço médio da carne suína exportada ficou em US$ 2.350,10 por tonelada, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
Na comparação com setembro de 2025, a quantidade média diária embarcada cresceu 2,3%. Em contrapartida, a receita média diária recuou 6,9% e o preço médio por tonelada caiu 9%.
Os dados revelam que o setor brasileiro segue ampliando sua presença no comércio internacional, mas enfrenta obstáculos para converter o aumento dos volumes em maior faturamento. A desvalorização da tonelada exportada permanece, portanto, como um dos principais pontos de atenção para a cadeia suinícola.
O mercado também monitora a confirmação de um foco de febre aftosa do sorotipo O em suínos no distrito de Dazu, no município de Chongqing, sudoeste da China.
Segundo o Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais chinês, a ocorrência foi identificada em um estabelecimento de abate que alojava 677 suínos. Desse total, 37 animais apresentaram sinais compatíveis com a enfermidade.
O caso foi comunicado ao governo central após diagnóstico do Centro de Prevenção e Controle de Doenças Animais de Chongqing.
Apesar de o episódio exigir acompanhamento, a Safras & Mercado avalia que ainda não há indícios de disseminação em larga escala. A China ampliou sua capacidade sanitária e operacional nos últimos anos, o que pode facilitar uma contenção mais rápida do foco.
A China mantém ampla disponibilidade de carne suína, fruto dos investimentos para reconstruir sua produção após os impactos da peste suína africana.
O país conseguiu elevar a produtividade de suas matrizes e, mesmo com um rebanho reprodutor menor, continua gerando volume suficiente de leitões para atender ao mercado doméstico.
Por essa razão, eventuais reflexos do foco de febre aftosa sobre as importações chinesas ainda são considerados incertos. No curto prazo, a oferta elevada no país asiático reduz a possibilidade de uma mudança significativa na demanda pela carne brasileira.
Para o mercado nacional, o cenário permanece condicionado ao equilíbrio entre oferta e consumo. Enquanto a demanda interna não ganhar força suficiente e o preço médio das exportações continuar pressionado, os frigoríficos devem manter a cautela e os preços do suíno vivo podem seguir sem espaço para uma recuperação consistente.
Fonte: Portal do Agronegócio





















