ECONOMIA CATARINENSESanta Catarina vê alta de 32% em recuperações judiciais, mas mantém menor volume do Sul

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O ano de 2025 encerrou com um cenário de estresse financeiro sem precedentes para o setor produtivo brasileiro. Impulsionado pela manutenção da taxa Selic em patamares elevados (15% ao ano) e pela restrição severa ao crédito, o país atingiu o recorde histórico de 5.680 empresas em processo de recuperação judicial ao fim do quarto trimestre. Esse montante representa um crescimento anual de 24,3% no estoque de processos ativos em comparação ao final de 2024.

 

No cenário nacional, somente no ano passado, 1.665 novas companhias ingressaram com pedidos de reestruturação — uma alta de 35,2% frente ao ano anterior. O impacto financeiro também saltou: apenas as 510 empresas que buscaram o Judiciário no último trimestre de 2025 declararam dívidas somadas de R$ 40 bilhões, valor potencializado pelo pedido bilionário do Grupo Unigel. Além das recuperações, o país registrou o encerramento definitivo de 854.150 empresas em 2024, mantendo a tendência de alta observada em períodos anteriores.

 

O panorama na região Sul A região Sul consolidou-se como uma das áreas de maior preocupação para especialistas, apresentando um Índice de Recuperação Judicial (IRJ-RGF) de 2,67, valor significativamente superior à média nacional de 2,13. Ao todo, o Sul encerrou 2025 com 1.318 empresas em recuperação judicial, um avanço anual de 28%. O Rio Grande do Sul lidera o volume regional com 507 casos, seguido pelo Paraná com 458.

 

A condição de Santa Catarina

Apesar de Santa Catarina registrar o menor número absoluto de empresas em recuperação judicial entre os estados do Sul (353 casos), o estado apresentou a maior aceleração anual da região, com um salto de 32% nos pedidos em relação a 2024. No último trimestre de 2025, o estado catarinense foi o terceiro do país em volume de novos processos, com 52 novos CNPJs recorrendo ao mecanismo.

O posicionamento de Santa Catarina no contexto geral revela um contraste:

·       Em relação ao país: O índice de insolvência catarinense (IRJ de 2,27) está acima da média brasileira (2,13), indicando que, proporcionalmente ao total de negócios ativos, o estado enfrenta um estresse financeiro mais agudo que a média nacional.

·       Em relação ao fechamento de portas: Entre julho de 2023 e julho de 2024, o estado registrou o encerramento de 128.241 empresas de médio e pequeno porte. Embora o saldo de abertura de novos negócios ainda seja positivo, o setor de comércio e varejo foi o que mais sofreu baixas no período.

 

Sobrevida econômica

Historicamente reconhecida pela alta taxa de sobrevivência de suas empresas (85,4% em dados consolidados anteriores), a economia catarinense agora enfrenta o desafio de conter o avanço das insolvências em um ambiente macroeconômico de juros restritivos que atinge, especialmente, os setores de serviços e comércio.

Redação guaranews

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