AGRICULTURAInovação e crédito mantêm jovens no campo em Santa Catarina

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“Vejo o campo como uma grande chance de empreender e aplicar boas práticas”, afirma Iuri Oliveira, de 20 anos, que assumiu a modernização da propriedade da família em Urupema, focada na produção de maçã. Recém-formado como técnico agrícola, ele recusou propostas de emprego fora para retornar ao sítio, onde avô e pai apoiaram suas ideias inovadoras. Para ele, produzir no campo é um legado familiar e uma oportunidade de introduzir novas tecnologias, algo que seus antepassados não tiveram.

A entrevista com Iuri, realizada por videoconferência via Starlink, mostra como a conectividade rural já é realidade. Ele reconhece que muitos jovens buscam retornos financeiros rápidos, mas destaca que no campo o tempo é diferente: é preciso plantar, cuidar e esperar. Apesar disso, aponta vantagens emocionais, como estar perto da família e em contato com a natureza. As principais dificuldades, segundo ele, são a falta de mão de obra e de crédito. Ele defende que o apoio financeiro deve vir acompanhado de compromisso com a qualidade dos alimentos.

Entre 24 e 30 de novembro, Santa Catarina celebra a Semana de Incentivo à Permanência dos Jovens no Meio Rural, criada pela Lei 18.004/2020. A iniciativa se soma a outras ações do Parlamento estadual para fortalecer políticas públicas voltadas à população rural, que atua em cerca de 180 mil propriedades. Outra lei relevante é a 19.142/2024, que instituiu a Política Estadual de Incentivo à Permanência de Jovens e Adultos no Meio Rural.

A lei prevê educação de qualidade para filhos de agricultores, com projetos experimentais nas propriedades e ênfase em saúde e segurança. Também propõe articulação com instituições para avançar na educação rural, valorizando as experiências dos jovens como conhecimento válido. Um dos destaques é a pedagogia da alternância, que alterna períodos presenciais e em casa, fortalecendo vínculos e difundindo saber.

A conectividade no campo é considerada essencial para a agricultura de precisão e a gestão moderna, amparada pelo Fundo de Desenvolvimento Rural (Lei Estadual nº 8.676/1992), que promove eletrificação, saneamento e desenvolvimento rural.

O Fundo Estadual de Desenvolvimento Rural e a Política Estadual de Estímulo ao Empreendedorismo do Jovem Agricultor (Lei 18.624/2023) garantem acesso a crédito rural, subvenção de juros e prazos estendidos para jovens de 15 a 29 anos, estimulando a sucessão familiar.

Para evitar o êxodo, foram criadas medidas de capacitação técnica e educação voltada ao campo, como a Política Estadual de Incentivo à Permanência de Jovens e Adultos (Lei 19.142/2024), que qualifica a oferta educacional e valoriza parcerias para alcançar as famílias rurais.

A modernização é vista como fundamental para tornar o campo atrativo às novas gerações. Dados mostram que, em 1950, 1,2 milhão de catarinenses viviam no meio rural, contra 362 mil nas cidades; em 2010, a população urbana já era de 5,24 milhões, evidenciando a necessidade de estímulos contínuos.

Fonte: Assembleia SC

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