O dólar encerrou a sessão desta terça-feira com valorização de 1,04%, negociado a R$ 5,1639, marcando o maior patamar desde o início de julho. O movimento foi oposto ao observado nos mercados internacionais, onde a moeda americana permaneceu praticamente estável. A alta no Brasil refletiu a avaliação dos investidores sobre novos dados de inflação e a mais recente pesquisa eleitoral, que indicou a liderança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas intenções de voto.
No cenário doméstico, os ativos brasileiros tiveram desempenho negativo, com elevação das taxas de juros futuros e queda expressiva do Ibovespa. O índice de ações sofreu também com a redução da recomendação para papéis brasileiros pelo banco JPMorgan, que passou a classificação de ‘overweight’ para ‘neutra’.
O contrato futuro de dólar para setembro, o mais negociado na B3, subia 1,06% no fim da tarde, cotado a R$ 5,1875. Na semana, a moeda acumula ganho de 1,56%, refletindo a cautela dos agentes financeiros com o noticiário político e econômico.
A pesquisa CNT/MDA, divulgada nesta terça, mostrou que Lula venceria um eventual segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro, com 48% das intenções de voto ante 39,1% do adversário. No primeiro turno, o atual presidente também lidera, com 42,4%, enquanto Flávio tem 28,7%, e nenhum outro candidato atinge 4%.
Analistas destacam que a possibilidade de alternância no poder gera expectativas positivas no mercado, especialmente quanto a uma política fiscal mais rigorosa. Notícias que fortaleçam a perspectiva de reeleição de Lula, por outro lado, tendem a aumentar a percepção de risco e a demanda por prêmios mais altos nos ativos brasileiros.
Na mesma sessão, o JPMorgan justificou a mudança de recomendação para as ações do Brasil, citando o fim iminente do ciclo de flexibilização monetária, desaceleração do crescimento econômico e deterioração do crédito – fatores que, na visão do banco, tornam o ambiente menos favorável para os resultados corporativos.
A ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada na abertura do pregão, trouxe alertas sobre a possível propagação de choques nos preços do petróleo e efeitos climáticos, o que exigiria reação firme da política monetária. O Banco Central também demonstrou preocupação com a inflação pressionada pela demanda, impulsionada por medidas de estímulo fiscal.
Em seguida, o IBGE informou que o IPCA de julho subiu 0,07%, ligeiramente acima da expectativa de 0,03% de avanço. Em 12 meses, a inflação acumulada ficou em 4,44%, ainda abaixo do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional.
No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra seis moedas principais, operava com leve alta de 0,04%, aos 99,810 pontos, com os mercados aguardando os dados de inflação ao consumidor dos Estados Unidos, previstos para esta quarta-feira.
Os preços do petróleo também subiram nesta terça, influenciados pelas incertezas em torno de um possível acordo entre Estados Unidos e Irã, o que mantém o temor de interrupções no fornecimento da commodity. No fim da manhã, o Banco Central vendeu integralmente os 50 mil contratos de swap cambial ofertados para rolar vencimentos, sem impacto nas cotações.
Fonte: Ecos da Notícia




















