A Justiça de Joinville, no Norte de Santa Catarina, condenou Amanda Maria Souza de Oliveira, de 38 anos, a uma pena de um ano, seis meses e dez dias de reclusão, além de quatro meses e dezoito dias de detenção, em regime inicial semiaberto. A sentença, divulgada na quinta-feira (20), foi proferida após audiência de instrução e julgamento realizada na quarta-feira (19) no Fórum da cidade.
Amanda foi acusada de se passar por uma adolescente de 12 anos e viver com uma família por 14 meses, período em que recebeu abrigo, alimentação e até tratamento médico. Os crimes pelos quais foi condenada são estelionato e falsa identidade. O juiz responsável pelo caso manteve a prisão preventiva e negou o direito de recorrer em liberdade.

Segundo a decisão judicial, ficou comprovado que Amanda agiu de forma consciente e deliberada ao criar uma identidade fictícia para enganar as vítimas e obter vantagens materiais. O magistrado também destacou os danos emocionais causados à família, que desenvolveu um vínculo afetivo com a falsa adolescente.
A fraude foi descoberta quando um parente da família desconfiou da situação e acionou a polícia. A mulher foi presa em flagrante no dia 3 de agosto, na casa onde residia com a família no distrito de Pirabeiraba. Na ocasião, alguns familiares chegaram a resistir à abordagem policial, acreditando que se tratava de um equívoco.
Durante a investigação, a polícia apurou que Amanda conheceu a família por meio de uma igreja local. Ela contou uma história de que havia fugido de casa por ser forçada à prostituição e ao uso de hormônios, o que justificaria sua aparência adulta. A falsa adolescente utilizava o nome de Gabriele e se recusava a ser matriculada em escola, alegando não querer que o pai biológico soubesse de seu paradeiro.
A família, que tinha entre 40 e 50 anos, acreditou na história e acolheu Amanda como se fosse uma filha. Durante o período em que viveu com eles, a mulher chegou a ganhar uma festa de aniversário de 12 anos e recebeu tratamento para obesidade com o medicamento Mounjaro, à base de tirzepatida.
O delegado Rodrigo Bueno Gusso, responsável pelas investigações, afirmou que a família foi vítima desde o início, agindo de boa-fé. Ele reforçou que a responsabilidade pelo crime é exclusivamente da suspeita.
Ainda de acordo com a investigação, Amanda confessou integralmente o crime durante o interrogatório. Ela passou por exame psiquiátrico, mas o resultado não foi divulgado. O processo tramita em segredo de Justiça.
A defesa de Amanda foi procurada pela reportagem do NSC Total, mas ainda não se manifestou sobre a condenação. O espaço segue aberto para esclarecimentos.
Este caso ganhou repercussão nacional devido à ousadia da fraude e ao longo período de convivência da mulher com a família. A sentença desta quinta-feira representa o desfecho judicial de uma história que chamou atenção para a vulnerabilidade de famílias que agem de boa-fé.
A Justiça também considerou que Amanda obteve vantagem patrimonial ilícita, uma vez que teve todas as suas despesas de subsistência custeadas pela família durante os 14 meses. A fraude só foi descoberta após o alerta de um familiar que desconfiou da situação.
A mulher já havia sido presa em outros estados, conforme registros divulgados pela polícia. Ela também tem mais de 200 agulhas no corpo, o que chamou atenção durante as investigações.
O caso reforça a importância de denúncias e da atuação policial para desvendar crimes que envolvem falsidade ideológica e estelionato, especialmente quando há envolvimento emocional das vítimas.
Com a sentença, a Justiça de Joinville encerra mais uma etapa desse processo, que agora segue para as instâncias superiores caso a defesa recorra. A prisão preventiva de Amanda permanece garantida até o cumprimento da pena.
Fonte: NSC Total





















