Um dado quase escondido entre os números para governador, senador e presidente talvez seja um dos mais importantes da primeira pesquisa Quaest sobre as eleições de 2026 em Santa Catarina: 29% dos catarinenses se classificam como eleitores independentes. São pessoas que não se identificam como lulistas nem bolsonaristas e que também rejeitam, quando questionadas sobre sua identidade política, o enquadramento tradicional entre esquerda e direita.
Na prática, são quase três em cada dez eleitores de Santa Catarina dizendo aos partidos que não querem ser automaticamente incorporados às duas principais forças que dominam a política brasileira. O percentual coloca o estado muito próximo do comportamento observado no país: na pesquisa nacional Genial/Quaest de agosto, os independentes representaram 32% do eleitorado brasileiro.
A distinção fundamental é que independência política não significa necessariamente centro ideológico. Estudo da própria Genial/Quaest, que construiu um índice baseado em valores e crenças dos eleitores, mostrou que, embora existam independentes progressistas e conservadores, a maior concentração do grupo aparece próxima à centro-direita. Eles concordam com pautas à esquerda, como manutenção do Bolsa Família e redução da jornada de trabalho, mas também defendem privatizações e posições mais duras contra o crime.
Em Santa Catarina, o ambiente eleitoral reforça essa interpretação. Na mesma pesquisa, Flávio Bolsonaro aparece com 45% das intenções de voto para presidente, enquanto Lula tem 20%. Para o governo do estado, Jorginho Mello (PL) alcança 50%, contra 17% de João Rodrigues (PSD). No Senado, nomes identificados com a direita ou centro-direita também lideram.
O eleitor independente não deve ser tratado como uma terceira via automática. A pesquisa nacional mostra que eles também votam em Lula e Flávio Bolsonaro, mas sem fidelidade. Em eventual segundo turno, 33% dos independentes declaravam voto em Lula e 30% em Flávio, enquanto 29% afirmavam que não votariam. É um eleitorado pragmático, que decide tarde e é suscetível ao voto útil.
Esses 29% representam um contingente grande demais para ser ignorado. Em um estado de forte presença bolsonarista, o dado sugere um descolamento entre ideias e lideranças: há eleitores conservadores que não querem ser definidos pelo sobrenome Bolsonaro, assim como há eleitores de esquerda que rejeitam o lulismo. São eles que podem decidir a eleição.
Fonte: Redação





















