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ARTEExposição em Florianópolis retrata superação e transformação pessoal por meio da arte

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A artista visual Larissa Arpana encontrou na formação da pérola uma metáfora para sua própria vida. A partir da imagem da ostra que transforma um agente agressor em camadas de nácar, ela criou a exposição “Desdobramentos da Transmutação”, que ocupa a Galeria de Arte Ernesto Meyer Filho, no saguão da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc), em Florianópolis. A abertura ocorreu nesta quinta-feira (10), com a presença de convidados, amigos, familiares e do público em geral. A visitação é gratuita e segue até 24 de setembro.

A mostra reúne 20 trabalhos, entre pinturas a óleo sobre tela, aquarelas, desenhos, uma escultura e uma instalação. O fio condutor é o processo de formação da pérola dentro da ostra, que a artista utiliza para falar sobre dores e recomeços. “Eu trago uma metáfora da transformação de um grão de areia em pérola no interior da ostra. São as dores que a gente sente e passa durante a vida. Cada um tem uma experiência dolorosa”, explica Larissa.

O processo criativo começou há cerca de dez anos, quando a artista enfrentava dificuldades em várias frentes: relacionamentos, questões familiares, uma doença na família e obstáculos profissionais. Nesse período, ela iniciou pesquisas sobre conchas e a formação das pérolas, e a ostra passou a ter papel central em sua produção. “Com o tempo, fui assimilando, ressignificando e transmutando os eventos e, então, me deparei com a simbologia da formação da pérola em minha vida”, conta.

Para Larissa, transmutar não é simplesmente apagar ou superar uma experiência difícil. O conceito envolve permitir que aquilo que causou uma ferida também possa abrir novos caminhos, sentidos e formas de existir. A metáfora ganha contornos ainda mais pessoais quando relacionada à deficiência da artista. Larissa nasceu com escoliose congênita e ausência de três costelas, já passou por duas cirurgias na coluna e convive com limitações respiratórias provocadas pela deformidade da caixa torácica.

Essa experiência está presente na produção mais recente. Algumas obras utilizam formas inspiradas nas conchas das ostras para representar os próprios pulmões da artista, que são assimétricos em razão da deformidade. “No início do processo artístico, eu focava muito na dor, na transmutação do grão de areia em pérola, focando muito naquele sofrimento. Agora estou com uma produção mais focada na transmutação da ostra em si”, explica.

A mudança representa uma nova etapa de sua produção. Se inicialmente a pérola simbolizava a transformação da dor, agora a própria ostra passa a representar a pessoa que se transforma diante das experiências vividas. “É a transmutação não só da dor, mas da pessoa em si, que se transforma com todos os desafios que a gente passa”, afirma.

A exposição também dialoga com referências da cultura oriental, especialmente os conceitos de wabi-sabi e kintsugi. O wabi-sabi valoriza a impermanência e as imperfeições, estabelecendo relação direta com a proposta da artista de reconhecer as marcas da vida como parte de uma trajetória. Já o kintsugi, técnica japonesa de restauração de objetos quebrados que evidencia as marcas do reparo, reforça a ideia de que as cicatrizes não precisam ser escondidas. “Eles não jogam fora. Eles mostram que ali existe um passado e que é um passado que tem que ser ressignificado”, explica Larissa.

Essa perspectiva também se relaciona à experiência da artista como pessoa com deficiência. Em vez de tratar as marcas e limitações apenas como obstáculos, sua produção procura incorporá-las à obra e transformá-las em elementos de identidade, reflexão e expressão.

Embora tenha origem em experiências pessoais, a artista espera que a exposição ultrapasse sua própria história e permita que cada visitante estabeleça uma relação particular com as obras. “Cada um tem questões de vida, passa por momentos difíceis. Acredito que as pessoas encontram essa conexão com a temática nas minhas obras”, afirma. É nesse encontro entre a experiência individual e a percepção de quem visita a mostra que a exposição ganha uma dimensão coletiva. A dor representada nas obras pode ser diferente para cada pessoa, mas a possibilidade de transformação é uma experiência comum.

“Desdobramentos da Transmutação” é a terceira exposição individual de Larissa Arpana em Florianópolis e dá continuidade às mostras “Transmutação”, realizada em 2024, e “Fragmentos da Transmutação”, de 2025. A mostra propõe um olhar sobre dor, deficiência, imperfeições e transformação, definiu a artista.

Natural de Curitiba e moradora de Florianópolis, Larissa é artista visual, servidora pública federal, bacharel em Direito e integrante da Associação Catarinense dos Artistas Plásticos.

Fonte: Assembleia SC

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