Soja dispara em Chicago e atinge maior preço em três anos
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AGRONEGÓCIOSoja dispara em Chicago e atinge maior preço em três anos com demanda chinesa

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O mercado da soja registrou forte valorização na quinta-feira (10/09), tanto no Brasil quanto no exterior. Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os contratos futuros atingiram os maiores níveis dos últimos três anos, sustentados pelo aumento da demanda chinesa pela oleaginosa norte-americana e pela escalada do petróleo.

O movimento internacional também impulsionou os preços da soja no mercado brasileiro. As maiores altas ocorreram nos portos, enquanto a comercialização no interior seguiu moderada, reflexo da oferta limitada e da retração dos produtores.

A China adquiriu aproximadamente 1 milhão de toneladas de soja dos Estados Unidos ao longo da semana, reforçando as expectativas de aumento das exportações norte-americanas.

A movimentação ocorreu antes da visita do presidente chinês, Xi Jinping, a Washington, prevista para o fim de setembro. As negociações entre as duas maiores economias mundiais aumentaram a expectativa de continuidade das compras chinesas nos próximos meses.

Com as aquisições recentes, o volume de soja dos Estados Unidos comprado pela China já se aproxima da metade das 25 milhões de toneladas anuais que, segundo a Casa Branca, Pequim teria se comprometido a adquirir até 2028.

A China ocupa posição central na formação dos preços internacionais por ser a maior importadora mundial de soja. Qualquer aceleração de suas compras tende a reduzir a disponibilidade nos países exportadores e oferecer suporte às cotações na CBOT.

Além da demanda chinesa, a forte valorização do petróleo contribuiu para elevar os contratos futuros da soja e, principalmente, do óleo de soja.

O petróleo mais caro aumenta a competitividade econômica dos biocombustíveis, como o biodiesel, ampliando a expectativa de utilização de óleos vegetais na produção de energia. Esse movimento fortalece o complexo soja e influencia diretamente a formação dos preços do grão.

Apesar da correção registrada pelo petróleo nesta sexta-feira, após superar US$ 109 por barril, a commodity ainda acumula forte valorização na semana e mantém seus efeitos sobre os mercados agrícolas.

No mercado brasileiro, a oferta restrita de soja disponível continua oferecendo sustentação às cotações. Segundo o analista Rafael Silveira, da Safras & Mercado, os preços ficaram especialmente aquecidos nos portos, com negócios registrados em Rio Grande e Paranaguá.

Produtores que ainda possuem estoques demonstram pouca disposição para vender, enquanto compradores precisam elevar suas ofertas para garantir volumes. A combinação entre Chicago em alta, demanda ativa e escassez de produto fortaleceu as referências no mercado físico.

Nas regiões centrais do país, especialmente em Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais, resta pouco volume da safra disponível para comercialização. No Maranhão, Piauí e Tocantins, que integram o chamado Mapito, as negociações também são limitadas e estão concentradas principalmente na soja da nova safra.

O basis — diferença entre o preço local da soja e a cotação correspondente em Chicago — continua muito forte no Brasil. Em Mato Grosso, algumas ofertas ficaram acima da paridade de exportação, embora envolvam volumes reduzidos.

Esse cenário mostra que os compradores enfrentam dificuldades para encontrar soja disponível no mercado físico. Ao mesmo tempo, o spread entre as ofertas de compra e os valores pedidos pelos vendedores permanece elevado, restringindo o fechamento de novos negócios.

A movimentação comercial ficou concentrada nos portos, onde exportadores e indústrias disputam os lotes disponíveis. No interior, a originação avançou em ritmo mais lento.

As cotações subiram nas principais regiões acompanhadas durante a quinta-feira.

Em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, a saca de 60 quilos avançou de R$ 153,50 para R$ 155, alta de R$ 1,50. Em Cascavel, no Paraná, o preço passou de R$ 150 para R$ 151,50.

Em Rondonópolis, Mato Grosso, a valorização foi mais intensa. A saca subiu de R$ 144 para R$ 147, representando avanço diário de R$ 3.

Nos portos, Paranaguá registrou aumento de R$ 161 para R$ 162,50 por saca. Em Rio Grande, a referência avançou de R$ 161,50 para R$ 163, o maior valor entre as praças mencionadas.

A combinação entre Chicago nos maiores níveis em três anos, prêmios firmes e dólar próximo de R$ 5,10 melhora as referências para a soja brasileira. Entretanto, a baixa disponibilidade da safra velha limita o volume de negócios imediatos.

Para a nova safra, o avanço das cotações pode estimular operações antecipadas, especialmente entre produtores interessados em proteger margens diante da elevação dos custos de produção.

O mercado seguirá atento às compras da China, ao comportamento do petróleo, às condições climáticas nos principais países produtores e ao andamento do plantio da safra brasileira 2026/27. As oscilações do dólar também continuarão decisivas para a formação dos preços da soja no país.

Fonte: Portal do Agronegócio

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