Neste domingo, quando se celebra o Dia Nacional da Doação de Órgãos, organizações que apoiam a causa promovem uma mobilização das 9h às 13h no Parque de Coqueiros, na capital catarinense. A iniciativa marca o Setembro Verde, campanha de conscientização e estímulo à doação de órgãos e tecidos.
A analista do Centro de Pesquisas Oncológicas (Cepom), Júlia Bottini Mohr, ocupa a vice-presidência da Associação de Pacientes Renais de Santa Catarina (Apar/SC), entidade que reúne 840 pessoas na fila por transplantes no estado. Seu engajamento voluntário nasce da própria experiência como transplantada renal e da percepção das dificuldades enfrentadas por quem aguarda ou se recupera de cirurgias desse tipo.
Sua trajetória mudou em 2011, quando buscou ajuda médica devido a dores nos pés. Recebeu prescrição de palmilhas ortopédicas e trocou os calçados por tênis mais confortáveis, mas o incômodo não passou. Exames clínicos revelaram alterações nos níveis de ureia e creatinina. Após novos testes laboratoriais, exames de imagem e acompanhamento com nefrologista, veio o diagnóstico de insuficiência renal. Em dois anos, passou a depender de três sessões semanais de hemodiálise e entrou na fila por um transplante.
“O diagnóstico é a notícia que ninguém quer receber. Consegui continuar trabalhando e adaptei minha vida com o suporte da família, mas saía exausta das sessões de hemodiálise, que aconteciam todas as terças, quintas e sábados”, relata Júlia.
A espera média por um rim no estado é de cerca de dois anos e meio. Júlia recebeu a confirmação da doação em apenas um ano, ao término de uma sessão, ainda na clínica. O transplante foi realizado em 2013 no Hospital Celso Ramos, em Florianópolis. “Quando se está na fila, a esperança é que alguma família tenha a consciência de autorizar a doação, para que a vida continue em outra vida”, afirma.
“Gratidão” é a palavra que define o sentimento de Júlia por ter recebido um órgão. “É uma sensação indescritível, e não consigo imaginar o que sente uma família que permite a doação de órgãos”, diz ela, que também enaltece o trabalho das equipes treinadas para a captação. “Ainda bem que existem pessoas abertas à importância das doações”, completa, lembrando que, em momentos críticos, a decisão de doar cabe aos familiares.
Fonte: Assembleia SC





















