Estudantes da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) realizaram um protesto, nesta segunda-feira (17), no campus de Balneário Camboriú, em resposta à suposta existência de uma “lista de estupráveis” envolvendo alunas da instituição. O ato reuniu dezenas de pessoas que exigem medidas concretas por parte da administração universitária.
As manifestantes, organizadas por coletivos feministas e estudantes independentes, apresentaram uma série de reivindicações à direção da universidade. Entre elas, a resposta formal sobre a investigação interna, a adoção de medidas cautelares contra os acusados e a atualização das normas institucionais para lidar com casos de violência e discriminação.
Uma das organizadoras do ato, que preferiu não se identificar, relatou ao ND Mais que o objetivo principal é pressionar a universidade para que o caso seja tratado com a seriedade que merece. “A gente não quer apenas uma posição formal. Queremos que a Udesc tome atitudes concretas para proteger as alunas e garantir que os responsáveis sejam punidos”, afirmou.
O protesto contou com cartazes e palavras de ordem como “não é não” e “fora, estupridores”. As estudantes também usaram as redes sociais para divulgar suas pautas e pedir apoio da comunidade acadêmica e da sociedade civil.
Entre as cobranças, destaca-se a solicitação de afastamento cautelar dos alunos citados na denúncia, até a conclusão das investigações. As manifestantes argumentam que a presença dos acusados no ambiente universitário pode intimidar as vítimas e atrapalhar o andamento do processo.
O grupo também pede que a Udesc interceda junto à Federação das Empresas Juniores de Santa Catarina (Fejesc) para que os estudantes envolvidos sejam impedidos de participar de um evento no Rio de Janeiro, marcado para os próximos meses. A reivindicação se baseia no fato de que a PetroJunior, citada nas denúncias, é filiada à federação.
Além disso, as estudantes querem que a universidade divulgue amplamente um abaixo-assinado criado para coletar assinaturas de apoio às vítimas e pressionar por Justiça. Outra demanda é a alteração do Regimento Interno da Udesc, para incluir a penalidade de afastamento cautelar em casos de misoginia, racismo, gordofobia e LGBTfobia, além de outros tipos de violência.
Em nota oficial, a Reitoria da Udesc informou que o caso está sendo tratado com prioridade e que os procedimentos investigativos, que inicialmente estavam sob a responsabilidade do campus de Balneário Camboriú, foram transferidos diretamente para a Reitoria.
A universidade comunicou a criação de uma comissão de sindicância investigativa, instituída pelo Gabinete do Reitor, que tem como objetivo apurar os fatos, identificar as circunstâncias e os possíveis responsáveis, garantindo o devido processo legal e a análise minuciosa das informações disponíveis.
“A Udesc repudia veementemente toda e qualquer forma de violência, assédio, constrangimento, discriminação, desrespeito, misoginia, bem como qualquer conduta que atente contra a dignidade das mulheres. A universidade reafirma seu compromisso com um ambiente seguro, inclusivo e respeitoso”, diz trecho do comunicado.
Sobre o protesto, a administração universitária declarou que o considera “legítimo e democrático” e que compartilha da preocupação da comunidade acadêmica diante da gravidade do caso. No entanto, enfatizou que as medidas disciplinares serão tomadas somente depois que os resultados da sindicância forem divulgados.
O caso também chegou à esfera política. A Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) está acompanhando de perto o desenrolar dos fatos. A procuradora Luciane Carminatti, responsável pelo órgão, entrou em contato com a direção do campus de Balneário Camboriú para obter esclarecimentos e acompanhar os trâmites internos.
Carminatti informou que, em razão do sigilo processual, os detalhes da investigação não podem ser revelados, mas garantiu que a denúncia já foi encaminhada ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) para a devida apuração. “Estamos encaminhando ao MP a averiguação destes fatos, porque isto é crime e os criminosos precisam ser punidos adequadamente”, destacou.
A procuradora também fez um apelo às estudantes para que não se intimidem e continuem ocupando os espaços universitários. “As mulheres não têm que ter medo, não têm que ficar em casa por conta desta lista. As mulheres precisam soltar a sua voz, precisam denunciar. Quem tem que ficar em casa e ser punido são esses estudantes”, afirmou.
A Procuradoria da Mulher garantiu que continuará monitorando o caso até que todas as providências sejam tomadas. A expectativa é de que a universidade e as autoridades competentes trabalhem em conjunto para garantir a segurança e a dignidade das estudantes envolvidas.
Fonte: ND+





















