PROSPERIDADE X MEDO
A eleição presidencial de 2026 caminha para seu desfecho no próximo domingo, 25 de outubro, revelando uma divisão muito mais profunda do que aquela tradicionalmente associada à disputa entre esquerda e direita.
Não se trata apenas de ricos contra pobres, trabalhadores contra empresários ou cristãos contra agnósticos. O Brasil parece dividido, sobretudo, entre duas maneiras de enxergar o futuro: a segurança de preservar o que já se tem e a esperança de prosperar por iniciativa própria par melhorar de vida.
Em uma interpretação política, essa disputa pode ser sintetizada em duas palavras: PROSPERIDADE X MEDO.
De um lado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) concentra parte significativa de seu discurso na proteção dos direitos trabalhistas, na valorização do salário mínimo, nos benefícios sociais e na manutenção dos mecanismos de transferência de renda. Sua campanha também explora os riscos que, segundo os petistas, uma vitória de Flávio Bolsonaro representaria para essas conquistas.
Do outro, Flávio Bolsonaro (PL) procura associar sua candidatura à liberdade econômica, ao empreendedorismo, à segurança pública e à possibilidade de crescimento individual e familiar. Sua mensagem busca alcançar principalmente o brasileiro que deseja deixar de depender exclusivamente de um salário e construir seu próprio patrimônio.
A diferença entre esses discursos, frequentemente tratada apenas como estratégia eleitoral, ganhou uma dimensão concreta com a pesquisa Meio/Ideia, divulgada na quarta-feira (21).
O levantamento perguntou aos brasileiros o que significa melhorar de vida. Para 43,3%, a resposta foi ter o próprio negócio ou trabalhar por conta própria, com maior autonomia sobre horários e rendimentos. Outros 32% apontaram o emprego com carteira assinada e direitos garantidos.
A revelação mais significativa aparece quando essas aspirações são cruzadas com a intenção de voto.
Entre os eleitores que associam a melhoria de vida ao empreendedorismo, Flávio Bolsonaro alcança 62,3%, contra 33,5% de Lula. Entre aqueles que preferem a segurança da carteira assinada, a situação se inverte: Lula registra 65,4%, enquanto Flávio soma 30,2%.
Não é apenas a situação econômica atual que diferencia esses brasileiros. É, principalmente, a maneira como imaginam conquistar um futuro melhor.
Os números ficam ainda mais reveladores quando examinados por faixa de renda. Na chamada classe C, entre um e três salários mínimos, Flávio chega a 67,8% entre aqueles que desejam abrir o próprio negócio. Já Lula conquista 63% entre os que preferem a estabilidade do emprego formal.
São brasileiros com condições econômicas semelhantes, mas expectativas distintas. Uns procuram segurança na relação de emprego; outros enxergam na autonomia econômica a oportunidade de ascensão social.
A pesquisa também relativiza a interpretação de que a religião, isoladamente, determina o voto. Entre os católicos, por exemplo, Lula alcança 76,7% entre aqueles que desejam carteira assinada. Entretanto, quando a preferência é pelo negócio próprio, Flávio passa à frente, com 53,6%, contra 42,3% do presidente.
O desejo de independência econômica atravessa, portanto, fronteiras religiosas e sociais.
Sob essa perspectiva, a prosperidade depende de fatores concretos: segurança jurídica, controle da inflação, responsabilidade fiscal, acesso ao crédito, qualificação profissional, redução da burocracia, estímulo ao investimento privado e proteção à propriedade.
É nesse terreno que o discurso de Flávio Bolsonaro encontra parte de sua força eleitoral. O candidato procura representar uma expectativa de mobilidade social baseada na iniciativa individual, enquanto Lula sustenta sua identidade política na proteção dos direitos e na presença do Estado como garantidor de segurança econômica.
O que a eleição de 2026 coloca em debate é qual projeto político consegue transformar essas expectativas em resultados.
De um lado alguém que é atual, que quer um Brasil novo, em que as pessoas possam ter PROSPERIDADE e ascender; do outro lado um modelo que está superado, analógico, que não evoluiu e que ainda pensa como quando carros tinham carburadores e por isso usa a tática do MEDO para escravizar o eleitor.




















