No Oeste catarinense, a cerca de 500 quilômetros de Florianópolis, a cidade de Itá guarda memórias de um passado que ficou literalmente submerso. No início dos anos 2000, a antiga sede do município foi completamente inundada para dar lugar ao reservatório de uma usina hidrelétrica, em um projeto que alterou para sempre a paisagem e a vida dos moradores locais.
Na época, a área urbana, que abrigava em torno de 2 mil pessoas, foi tomada por mais de 49 milhões de metros cúbicos de água. O alagamento foi planejado para criar o lago de alimentação da usina, que aproveita o potencial energético do Rio Uruguai, que faz divisa entre Santa Catarina e o Rio Grande do Sul.
Para que a inundação ocorresse, todas as edificações da antiga Itá foram demolidas. No entanto, as duas torres que pertenciam à igreja dedicada a São Pedro Apóstolo, padroeiro do município, não cederam às tentativas de derrubada, resistindo de pé em meio ao caos da remoção. Os moradores interpretaram a resistência das estruturas como um sinal divino e solicitaram que elas fossem poupadas.
A igreja em questão foi fundada em 1936 e teve sua última celebração religiosa em 1994, pouco antes de a cidade original desaparecer sob as águas do rio. Hoje, aquelas torres são o único vestígio visível da antiga área urbana, emergindo como um símbolo da história local e atraindo a atenção de visitantes.
Com a necessidade de recomeçar, a nova Itá foi construída a aproximadamente cinco quilômetros do ponto original, já no final dos anos 1990. O novo traçado urbano foi planejado para receber os moradores que tiveram que deixar suas casas, e a cidade se reorganizou em torno das atividades que restaram.
Segundo o Censo de 2022, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o município conta com cerca de 7 mil habitantes atualmente. A economia local se apoia no turismo sustentável, na agricultura e nos benefícios decorrentes da operação da usina hidrelétrica, que se tornou uma das principais fontes de recursos e desenvolvimento para a região.
O turismo, aliás, tornou-se um dos alicerces da nova Itá. O que antes era uma tragédia ambiental para os antigos moradores transformou-se em atrativo para quem busca conhecer uma história peculiar e desfrutar de belezas naturais. A cidade aposta em um modelo de visitação que alia preservação e lazer.
Entre os destaques turísticos estão os mirantes espalhados pela região, que oferecem vistas panorâmicas do reservatório e das paisagens ao redor. O Mirante Caracol, o Mirante Belvedere Dona Roma e o Mirante do Vertedouro da Usina são opções de acesso gratuito que permitem uma perspectiva única sobre o lago e a área alagada.
Além dos pontos de observação, a cidade oferece espaços para relaxamento e contato com a água, como a Prainha de Itá e o Porto Náutico. Esses locais são procurados por moradores e turistas que buscam momentos de descanso e atividades de lazer, aproveitando o ambiente fluvial que a região proporciona.
Para os que apreciam cultura, os museus Alberton e Camarolli preservam a memória do município, com exposições que resgatam a história da antiga Itá e a vida dos pioneiros que colonizaram a área. Esses espaços são fundamentais para que a nova geração conheça as origens da cidade e o processo de transformação pelo qual ela passou.
A cidade também é reconhecida pela excelência ambiental: em outubro de 2023, recebeu o certificado Bandeira Azul, um selo internacional que destaca praias e marinas que atendem a rigorosos critérios de gestão ambiental, segurança e infraestrutura. A conquista reforça o papel de Itá como um destino de turismo sustentável no Sul do Brasil.
Fonte: NSC Total





















