CONFLITO GRAÚDODisputa entre Fifa e Uefa ameaça rachar o futebol mundial

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A relação entre a Fifa e a Uefa atingiu um novo patamar de tensão após a proposta da entidade máxima do futebol de criar uma subsidiária para vender parte dos direitos comerciais da Copa do Mundo a investidores privados. O projeto, chamado Fifa Forward Enterprise (FFE), provocou uma reação imediata e unânime das 55 federações europeias, que ameaçam boicotar o torneio de 2030.

A FFE seria uma empresa controlada pela Fifa, mas com participação de até 20% para investidores externos, com o objetivo de levantar US$ 4,2 bilhões. Os recursos viriam da venda de direitos de transmissão, patrocínios, licenciamento e ingressos dos principais torneios, especialmente a Copa do Mundo.

Para a Uefa, a iniciativa representa uma ameaça à governança do futebol. A entidade europeia argumenta que o esporte não pode ser tratado como um ativo financeiro e que o plano carece de transparência sobre as condições do acordo. Em reunião de emergência, as federações decidiram, por unanimidade, rejeitar a proposta e estudar medidas drásticas.

O contexto da disputa remonta a divergências anteriores, como a expansão do calendário internacional e a criação da Copa do Mundo de Clubes ampliada. Em 2018, a Fifa já havia tentado um acordo com o SoftBank, travado justamente pela oposição europeia. Agora, a situação se agravou com o envolvimento de investidores ligados a figuras políticas, como Joshua Kushner, irmão do genro do presidente americano.

O plano da Fifa prevê um prazo até setembro de 2026 para que as federações nacionais adiram ao projeto. Como incentivo, a entidade oferece um aumento de até US$ 40 milhões no financiamento para cada associação. Críticos veem nessa oferta uma tentativa de comprar apoio eleitoral, especialmente entre as federações mais pobres, em detrimento do bloco europeu.

A Uefa e seus aliados, como a Fifpro e as principais ligas, acusam a Fifa de colocar interesses comerciais acima do bem-estar dos atletas. Especialistas alertam que a entrada de capital privado pode pressionar por mais torneios e frequência maior da Copa do Mundo, aumentando o desgaste dos jogadores. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defende o projeto como uma forma de democratizar o futebol e gerar receita para o desenvolvimento global.

Como próximo passo, a Uefa convocou reuniões com suas federações e avalia usar o que chama de “opção nuclear”: o boicote aos torneios da Fifa. Na prática, isso desvalorizaria a Copa do Mundo financeiramente, já que os mercados europeus representam a maior parte da receita. Além disso, uma queixa formal foi apresentada na Comissão Europeia contra a Fifa, acusando-a de conduta anticompetitiva e abuso de posição dominante.

A disputa coloca em xeque o equilíbrio de poder no futebol mundial. A Fifa conta com o apoio da maioria de suas 211 associações, mas a Uefa detém o poder econômico. A decisão final dependerá de negociações nos próximos meses, com a ameaça de ruptura do calendário global. Se concretizado, o boicote europeu poderia transformar a Copa do Mundo em um torneio sem prestígio e com receitas drasticamente reduzidas.

Enquanto isso, a comunidade do futebol acompanha atentamente os desdobramentos. A crise expõe as tensões entre a busca por lucro e a governança esportiva, com potenciais consequências para torcedores, jogadores e federações. A Fifa insiste que o projeto trará benefícios, mas a Uefa se mantém firme em sua posição de não negociar a alma do esporte.

Fonte: Veja

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