Os grupos etários com maior histórico de comparecimento às urnas cresceram nos últimos dois anos, e o engajamento típico das eleições gerais também tende a impulsionar a votação. Dados divulgados pela Justiça Eleitoral na semana passada sobre o perfil do eleitorado brasileiro e catarinense em 2026 são fundamentais para avaliar se a abstenção continuará a subir. Santa Catarina, que registrou 87% de participação no primeiro turno das eleições gerais na década passada, viu esse índice cair para 78% em 2024, igualando-se à média nacional.
A análise do perfil dos eleitores catarinenses pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SC) aponta fatores que podem reverter a tendência de queda. Entre 2024 e 2026, a faixa etária de 30 a 69 anos, que apresenta maior índice de votação, ganhou 71 mil novos eleitores. Já o grupo de 18 a 29 anos, que tem a menor participação entre os que têm voto obrigatório, perdeu 61 mil pessoas. O desembargador Sérgio Francisco Carlos, diretor da Escola Judiciária Eleitoral de Santa Catarina (EJESC), destacou que os jovens de 16 e 17 anos, que aumentaram em 4 mil desde 2024, têm reagido bem às campanhas de incentivo, com participação crescente desde 2018.
O contingente de eleitores com 70 anos ou mais, que representa 10% do eleitorado catarinense e cresceu 73 mil em relação a 2024, tem efeito ambíguo. Embora a participação desse grupo venha aumentando desde 2018, ainda fica abaixo da média, especialmente entre os maiores de 80 anos. O desembargador atribui o menor engajamento a fatores como saúde, mobilidade urbana e desestímulo político, e ressalta que a Justiça Eleitoral age para facilitar o voto, como com prioridades nas filas para idosos e direito a acompanhante para pessoas com mobilidade reduzida.
Os eleitores de voto facultativo somam 12% do total em 2026, incluindo jovens de 16 e 17 anos, maiores de 70 anos e analfabetos. Este último grupo, que tem cerca de metade de comparecimento, representa apenas 1% do eleitorado catarinense e vem diminuindo. A diferença de participação entre quem não é obrigado a votar (59% em 2024) e quem é (81%) continua expressiva.
Santa Catarina possui 5.725.753 eleitores em 2026, 85 mil a mais que em 2024. As mulheres ampliaram a vantagem sobre os homens: eram 212 mil a mais em 2024, agora são 258 mil. O impacto no comparecimento é incerto, pois a participação feminina foi ligeiramente superior em 2022 e 2024, mas inferior em 2020.
O nível de escolaridade continua a subir, mas o Ensino Médio completo ainda é o mais comum. A distribuição por cor/raça mudou pouco, e apenas um em cada dez eleitores declarou essa informação. Eleitores pretos e pardos tiveram maior abstenção em 2024.
Além do perfil, a qualidade da mobilidade urbana e a distância dos locais de votação desestimulam o comparecimento. Para quem tem voto obrigatório, a abstenção sem justificativa gera irregularidades que impedem a participação em programas sociais, concursos, posse em cargo público, emissão de passaporte, entre outros. Após três eleições sem votar, o título é cancelado. A regularização, porém, é simples e envolve multas baixas.
O desembargador Sérgio Francisco considera os prejuízos da irregularidade eficazes, mas defende campanhas de conscientização. Ele afirma: “A participação deixa a democracia mais altiva.” As eleições gerais de 2026 definirão presidente, governadores, senadores e deputados.
Fonte: Assembleia SC




















