Os governos dos Estados Unidos e do Japão uniram forças no mercado cambial nesta semana em uma medida que não acontecia desde 2011. A ação, que envolveu a compra de ienes por parte das autoridades americanas, é a primeira do tipo em aproximadamente dez anos. O movimento ocorre em meio à forte desvalorização da moeda japonesa, que estava sendo negociada próxima dos 160 ienes por dólar, menor patamar desde 1986.
O presidente americano, Donald Trump, confirmou a operação na segunda-feira (3) e explicou que a compra de ienes foi realizada como um gesto de apoio ao Japão, considerado um aliado estratégico. Segundo ele, a medida representa um sinal de amizade e reforça o compromisso dos Estados Unidos com a estabilidade econômica do país asiático. O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, também se manifestou. Em uma postagem na rede social X, ele declarou que a administração americana apoia firmemente as ações japonesas no câmbio e na política monetária destinadas a corrigir a desvalorização substancial do iene.
A execução da compra de ienes foi feita pelo Banco da Reserva Federal de Nova York, que vendeu euros e adquiriu a moeda japonesa em nome do Tesouro dos EUA. Segundo o jornal britânico Financial Times, as negociações foram intermediadas por grandes instituições financeiras, incluindo o Goldman Sachs e o Morgan Stanley.
Detalhes sobre a operação vieram à tona após uma foto tirada durante uma reunião do gabinete do presidente Trump. Na imagem, um bloco de anotações de Scott Bessent exibia a frase “Comprar ienes japoneses (JPY) – US$ 5 bilhões a US$ 10 bilhões”, indicando que o Tesouro americano planejava uma intervenção dentro desse valor.
A ação japonesa, porém, foi ainda mais vultosa. Estimativas de analistas apontam que o governo do Japão utilizou cerca de 8,45 trilhões de ienes, o equivalente a aproximadamente US$ 54 bilhões, para sustentar sua moeda.
O mercado reagiu de imediato. Após o anúncio, o iene se fortaleceu para cerca de 155,21 por dólar, registrando uma alta superior a 4% em relação às mínimas recentes. O dólar, por sua vez, perdeu força frente às principais moedas internacionais.
Especialistas avaliam que a intervenção conjunta pode aliviar a pressão sobre o câmbio no curto prazo, mas ressaltam que a valorização sustentável do iene dependerá de novas elevações das taxas de juros pelo Banco do Japão. Atualmente, o diferencial entre as taxas americanas e japonesas é considerado um dos principais fatores que levaram à forte desvalorização da moeda japonesa nos últimos anos.
Fonte: Jovem Pan





















