GEOPOLÍTICAArábia Saudita, Turquia e Paquistão fecham pacto de defesa em meio a tensões

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Autoridades confirmaram que Arábia Saudita, Turquia e Paquistão devem firmar um acordo de defesa conjunto nesta sexta-feira (7), conforme apuraram fontes da AFP. O movimento ocorre em um cenário de escalada da violência regional, marcado por ataques dos houthis e pelo confronto entre Estados Unidos e Irã, que afetou diretamente a navegação em pontos estratégicos como o Estreito de Ormuz e o Mar Vermelho.

Riade busca intensificar seus vínculos de segurança num momento em que o conflito entre Washington e Teerã reconfigura alianças no Oriente Médio. A guerra não só aproximou o Irã de seus aliados houthis, que passaram a atacar território saudita, mas também levantou dúvidas sobre a confiabilidade dos Estados Unidos como parceiro estratégico.

Desde o início das hostilidades, a Arábia Saudita estreitou laços com Turquia, Egito e Paquistão, nações que têm defendido a mediação e uma solução diplomática para a crise. O pacto em gestação reflete essa nova dinâmica, ainda que as conversas entre os três países já estivessem em andamento antes do agravamento do cenário.

Uma fonte ligada aos círculos militares e governamentais sauditas explicou que os eventos recentes na região aceleraram as negociações, que já vinham sendo conduzidas há algum tempo. Outra fonte próxima às autoridades de Riade, que preferiu não se identificar, confirmou que a assinatura estava prevista para esta sexta-feira.

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, desembarcou em Jeddah, cidade litorânea do Mar Vermelho, onde deve se encontrar com o príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman e com o primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, conforme noticiou a mídia local. Sharif e o chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, também chegaram ao reino e chegaram a realizar uma peregrinação a Meca, segundo o Ministério da Informação de Islamabad.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Paquistão, Tahir Andrabi, destacou que a visita transcende a crise imediata, indicando um significado estratégico de longo prazo, mesmo diante das tensões elevadas no Golfo. Os três países vêm sendo alvo de especulações sobre uma possível aliança militar há meses.

Ancara e Islamabad têm desempenhado papéis diplomáticos relevantes, seja na mediação do conflito entre EUA e Irã, seja nas negociações voltadas a um cessar-fogo em Gaza. A assinatura do acordo ocorre em um momento em que Riade enfrenta novos ataques dos houthis, que também anunciaram o bloqueio de portos sauditas.

Os houthis, apoiados pelo Irã, aumentaram a pressão sobre os países exportadores de energia do Golfo, já afetados pelo fechamento do Estreito de Ormuz imposto por Teerã. Os rebeldes, que controlam a capital iemenita e vastas áreas do norte do país, travam uma guerra contra as forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita há mais de uma década.

Desde 2015, Riade lidera uma coalizão militar em apoio ao governo iemenita reconhecido internacionalmente. Um cessar-fogo acordado há quatro anos foi, em grande parte, respeitado até as hostilidades recomeçarem recentemente. Na quinta-feira, os houthis mataram pelo menos 58 soldados do governo em ataques com mísseis e drones, marcando um dos dias mais letais do conflito nos últimos anos.

A guerra civil no Iêmen já vitimou centenas de milhares de pessoas e provocou uma severa crise humanitária, com a população enfrentando escassez de alimentos e serviços básicos. O novo pacto de defesa, segundo analistas, pode ser uma resposta coordenada a essas ameaças, reforçando a cooperação militar entre os três países muçulmanos.

Fonte: Jovem Pan

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