14° Jaraguá do Sul Parcialmente nublado
Qui ☁️ 25° 17°
Sex ☁️ 27° 18°
Sáb 🌦️ 30° 18°

SAÚDEFebre do Nilo mata idosa em SC e acende alerta para novos casos

publicidade

Santa Catarina registrou oficialmente sua primeira infecção pelo vírus da Febre do Nilo Ocidental. O caso, identificado no município de Imbituba, no litoral sul, envolve uma mulher de 77 anos que desenvolveu sintomas neurológicos e não resistiu à doença. O óbito foi confirmado pelas autoridades de saúde nesta semana.

Além do caso em Imbituba, a Secretaria de Estado da Saúde também confirmou um segundo registro da doença no território catarinense. Dessa vez, em Caçador, no meio-oeste. O paciente é um homem de 56 anos que, assim como a vítima fatal, apresentava comorbidades e teve manifestações no sistema nervoso. Ele precisou ser hospitalizado, mas já recebeu alta e segue em recuperação.

O superintendente de Vigilância em Saúde de Santa Catarina, Fábio Gaudenzi, esclarece que, mesmo com a gravidade do primeiro caso, a doença costuma se manifestar de forma leve na grande maioria das pessoas. “A imensa maioria das infecções não apresenta sintomas. A evolução para quadros neurológicos graves ou para o óbito é algo raro”, explica o gestor.

No caso da idosa de Imbituba, além da idade avançada, ela convivia com hipertensão e diabetes, condições que elevam o risco de complicações. A equipe de vigilância epidemiológica do estado segue investigando o caso para tentar identificar com mais precisão onde a contaminação pode ter ocorrido.

A Febre do Nilo é uma arbovirose transmitida por mosquitos, principalmente os do gênero Culex, conhecidos popularmente como pernilongos. O ciclo de transmissão envolve principalmente aves e mosquitos: as aves migratórias podem introduzir o vírus em uma região, e o mosquito, ao picá-las, adquire o patógeno e pode transmiti-lo a humanos e outros mamíferos.

Não há contágio direto entre aves e pessoas, nem transmissão de humano para humano. Os seres humanos são considerados hospedeiros acidentais nesse ciclo. Por essa característica, a Vigilância em Saúde considera pouco provável uma disseminação intensa em Santa Catarina, embora a vigilância esteja reforçada para monitorar a eventual circulação do vírus.

Embora seja novidade no estado, a Febre do Nilo já é monitorada no Brasil desde 2014, com registros anteriores em 13 unidades federativas. A maioria dos infectados não chega a desenvolver sintomas graves: cerca de 80% das pessoas não apresentam nenhuma manifestação clínica. Quando os sintomas aparecem, podem incluir febre, dor de cabeça, dores no corpo e mal-estar generalizado.

Menos de 1% dos casos evolui para as formas mais severas, nas quais o vírus ataca o sistema nervoso central, podendo provocar meningite ou encefalite, inflamações que podem deixar sequelas ou levar à morte. Por isso, a recomendação é buscar atendimento médico diante de febre acompanhada de sintomas neurológicos, como confusão mental, alteração do nível de consciência ou fraqueza.

Após as duas confirmações, a Secretaria de Estado da Saúde intensificou as ações de vigilância em várias frentes: epidemiológica, laboratorial, animal e entomológica. O objetivo é acompanhar qualquer sinal de circulação do vírus e identificar novos casos precocemente para uma resposta rápida.

A prevenção continua sendo a principal arma contra a doença. As medidas incluem o uso de repelentes, a instalação de telas em portas e janelas, o uso de roupas que protejam a pele e, sobretudo, a eliminação de água parada e de outros criadouros de mosquitos.

Gaudenzi reforça que, apesar do susto com o primeiro registro, o estado não está diante de um surto. “Esses primeiros casos exigem atenção, mas não significam que temos uma epidemia. A vigilância e os serviços de saúde estão em alerta para monitorar a situação”, pondera. A população deve manter as medidas preventivas e ficar atenta aos sintomas, mas sem pânico.

Fonte: Sul in Foco

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe

publicidade