Enquanto o varejo nacional enfrenta uma onda de recuperações judiciais e gigantes como a Casas Bahia buscam proteção na Justiça para evitar a falência, as principais companhias catarinenses do setor seguem em trajetória oposta, registrando expansão significativa. Dados apurados pelo Instituto Retail Think Tank Brasil, divulgados na última semana, mostram que o seleto grupo de varejistas do estado com receita anual superior a R$ 1 bilhão — apelidado de ‘clube do bilhão’ — ampliou suas vendas de forma geral em 2025.
De acordo com o levantamento, que elenca as 300 maiores empresas varejistas do país, Santa Catarina conta agora com 13 companhias nesse patamar, atuantes em segmentos como supermercados, lojas de departamento, drogarias, calçados, móveis, eletroeletrônicos e materiais de construção. O ranking considera o volume de vendas realizado no ano passado.
A Havan, com sede em Brusque, manteve a liderança estadual, alcançando um faturamento de R$ 18,3 bilhões em 2025, o que representa um avanço de 16% em relação ao ano anterior. A empresa ocupa a 14ª posição no ranking nacional. logo atrás aparece o Grupo Pereira, dono das redes Comper e Fort Atacadista, que registrou vendas de R$ 17,5 bilhões, alta de 14%, garantindo a 16ª colocação no país.
O Grupo Koch, controlador das marcas Komprão e SuperKoch, ficou com a 21ª posição nacional, tendo movimentado R$ 12,9 bilhões — um crescimento expressivo de 25% sobre 2024. Outras redes também se destacaram, como a Giassi, que vendeu R$ 4,49 bilhões (alta de 10%), e a Angeloni, com R$ 3,89 bilhões (crescimento de 2%).
O levantamento ainda inclui a Clamed, responsável pelas drogarias Catarinense, Preço Popular, Farmagora e Proformula, cujas vendas somaram R$ 3,6 bilhões no ano passado, embora o resultado de 2024 não tenha sido informado. A Passarela Supermercados aparece com R$ 3,03 bilhões, avanço de 15%, enquanto a Mundial Mix, que opera o Brasil Atacadista e o Supermercado Imperatriz, alcançou R$ 3,02 bilhões, alta de 11%.
Também integram o grupo a Portobello Shop, com R$ 1,52 bilhão — resultado estável frente a 2024 — e a Lojas Koerich, especializada em móveis e eletrodomésticos, que registrou o maior crescimento percentual entre as selecionadas: 36%, elevando suas vendas para R$ 1,5 bilhão. A rede Studio Z vendeu R$ 1,3 bilhão, alta de 13%; a Rede Top, dona dos supermercados Top e Preceiro, alcançou R$ 1,17 bilhão, crescimento de 16%; e a Cassol Centerlar, do ramo de materiais de construção, fechou com R$ 1,03 bilhão, uma retração de 5%.
Dos 13 varejistas catarinenses no ‘clube do bilhão’, apenas a Cassol apresentou queda nas vendas anuais. A Portobello Shop permaneceu estável, enquanto a Clamed não teve o resultado de 2024 divulgado para fins de comparação. As demais dez empresas registraram avanços em seus faturamentos.
O desempenho positivo refletiu em uma melhor posição no ranking nacional, como já havia sido antecipado por análises da coluna. Atualmente, oito das companhias catarinenses figuram entre as 100 maiores varejistas do Brasil, consolidando a força do estado no setor.
Especialistas apontam que a resiliência dessas empresas se deve a uma combinação de estratégias focadas em eficiência operacional, expansão planejada e forte presença regional. Enquanto o cenário macroeconômico segue desafiador, com juros altos e consumo cauteloso, os grupos locais têm conseguido encontrar nichos de crescimento.
O ranking completo, com as 300 maiores empresas, evidencia a heterogeneidade do varejo brasileiro: de um lado, redes nacionais enfrentando turbulências financeiras; de outro, players regionais como os catarinenses, que aproveitam a capilaridade e o conhecimento do mercado local para prosperar.
Com o avanço de 2025, a tendência é que o ‘clube do bilhão’ catarinense continue a se fortalecer nos próximos anos, caso as condições econômicas permitam. Novas empresas podem ingressar no seleto grupo, ampliando ainda mais a representatividade do estado no cenário varejista nacional.
Fonte: NSC Total





















