A rede municipal de ensino de Joinville conta com um programa específico para a educação de estudantes surdos. Batizado de Mãos em Ação, o projeto mantém turmas exclusivas nas quais a Língua Brasileira de Sinais (Libras) é a primeira língua, com o português como segunda. Atualmente, 56 alunos são atendidos em quatro unidades consideradas polos do programa.
Essas escolas são o Centro de Educação Infantil (CEI) Zé Carioca, que atende a Educação Infantil, e as escolas municipais Léa Maria Aguiar Lepper e Sebastião Scarzello, ambas com turmas do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental, além da Anna Maria Harger, que abrange do 6º ao 9º ano. Nessas unidades, os estudantes surdos são agrupados em salas multisseriadas, nas quais as aulas são ministradas por professores bilíngues, surdos ou ouvintes.
O conteúdo trabalhado é o mesmo do currículo regular, mas adaptado às particularidades da língua e do aprendizado dos alunos surdos. Além disso, a comunidade escolar das escolas-polo – incluindo estudantes ouvintes, professores e demais funcionários – tem acesso a cursos de Libras para facilitar a comunicação com os colegas surdos.
A gerente de Apoio à Aprendizagem da Secretaria de Educação, Deyse Zapelini Faust, destaca que a preparação das unidades envolve também a capacitação constante dos profissionais. Ela explica que a secretaria oferece formações em Libras, do nível básico ao avançado, todos os anos. Os cursos são abertos a cozinheiros, zeladores, professores e equipes administrativas, pois os alunos precisam circular por espaços como recepção, refeitório e pátio, e é fundamental que esses ambientes estejam preparados para a comunicação em Libras.
Um exemplo do impacto do programa é o professor surdo Killian Ferreira, que leciona na Escola Municipal Professora Anna Maria Harger. Ele recorda que, quando criança, estudou em uma sala com apenas alunos ouvintes, o que dificultou seu aprendizado. Hoje, como docente, ele considera que a situação melhorou e vê na troca com os alunos surdos uma experiência enriquecedora.
Na Anna Maria Harger, 21 estudantes surdos estão matriculados. Entre eles está Julia Schubert Araújo, de 11 anos, que relata a importância da turma bilíngue para seu dia a dia. Ela conta que é muito bom ter professores ensinando em Libras, e que consegue conversar e brincar com os demais colegas, além de aprender bastante.
A diretora da escola, Lucelia Krelling, afirma que ser um polo bilíngue é motivo de satisfação, pois representa o cumprimento de uma função social. Segundo ela, a surdez impõe apenas uma limitação linguística, já que os alunos aprendem como os demais, apenas por um caminho diferente. Eles interagem e se comunicam em todas as atividades, o que confirma que a escola está no rumo certo.
O ensino bilíngue em Joinville segue etapas. Na Educação Infantil, as crianças surdas geralmente chegam com sinais caseiros para indicar rotinas. É no CEI que elas costumam iniciar o contato sistemático com a Libras como primeira língua e o português como segunda. Nos anos iniciais do Fundamental, a professora pedagoga trabalha o currículo da rede adaptado às especificidades dos surdos, com foco na alfabetização e no progresso em sala. Já nos anos finais, há aulas de diferentes componentes curriculares, com professores bilíngues que auxiliam na adaptação de conteúdos e na interpretação em Libras. Também há aulas de Libras ministradas por um professor surdo, que aprofunda as particularidades da língua com os alunos.
Fonte: Pref. Joinville





















