A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) confirmou que disputará uma vaga no Senado Federal pelo Distrito Federal nas eleições deste ano. A decisão foi sacramentada na última sexta-feira (31), após conversa com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e será oficializada durante a convenção do partido no DF, marcada para este domingo (2).
Inicialmente, Michelle esteve próxima de desistir da candidatura após um desentendimento com o enteado, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que foi escolhido pelo pai, Jair Bolsonaro, para concorrer à Presidência da República. O atrito ocorreu no fim de junho, quando ela publicou vídeos nas redes sociais relatando ter sido humilhada por Flávio.
Na ocasião, Michelle afirmou que Flávio a maltratou e disse que ela deveria ficar de fora das decisões partidárias. Ela também o acusou de ter a “apunhalado” ao defender o deputado André Fernandes (PL-CE), que declarou apoio ao pré-candidato ao governo do Ceará, Ciro Gomes (PDT), considerado por Michelle um adversário político.
A reconciliação entre madrasta e enteado ocorreu em 23 de julho, quando ambos publicaram vídeos nas redes sociais. Michelle aceitou o pedido de desculpas de Flávio, ressaltando que o propósito pelo bem do povo sempre foi maior que os desentendimentos. A governadora do DF, Celina Leão (Progressistas), teve papel determinante no acordo, sendo inclusive mencionada por Michelle em seu vídeo de desculpas.
Agora, Michelle e a deputada federal Bia Kicis (PL) devem ser anunciadas como candidatas ao Senado pelo partido no DF, em uma tentativa de formar uma chapa forte para conquistar as duas vagas em disputa. Aliados próximos à ex-primeira-dama afirmam que a conversa com Valdemar Costa Neto foi decisiva, pois ele enfatizou sua importância para a estratégia da direita no cenário nacional.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora Celina Leão também foram fundamentais para convencer Michelle a permanecer na disputa, segundo fontes ouvidas pela reportagem. Amigas pessoais da ex-primeira-dama, elas atuaram nos bastidores para superar a crise e garantir sua participação no pleito.
Dentro do PL, a vitória de Michelle é considerada praticamente certa. Sua popularidade entre bolsonaristas, evangélicos e conservadores moderados a torna uma peça-chave para a legenda manter influência no Congresso na próxima legislatura. Além disso, ela é vista como potencial sucessora política de Jair Bolsonaro, caso Flávio não vença o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas em outubro.
O anúncio oficial da candidatura ocorrerá na convenção do PL no Distrito Federal, onde Michelle e Flávio devem aparecer juntos publicamente pela primeira vez desde o desentendimento. O encontro é aguardado como um gesto de união do grupo bolsonarista em torno das candidaturas majoritárias e proporcionais.
A decisão de Michelle de concorrer ao Senado pelo DF, em vez de outros estados onde teria base eleitoral maior, foi estratégica, segundo analistas. O Distrito Federal concentra eleitores de perfil conservador e evangélico, segmentos nos quais a ex-primeira-dama possui forte apelo, além de ser um reduto de votos do bolsonarismo.
A campanha de Michelle deve focar em pautas como família, liberdade econômica e defesa dos valores cristãos, temas que a tornaram conhecida nacionalmente durante o mandato do marido. Sua entrada na disputa eleitoral também é vista como um teste para sua viabilidade política futura, independente do resultado do pleito presidencial.
Fonte: Jovem Pan




















