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DEFESA CIVILPlano estadual prepara Santa Catarina para o El Niño em 2026

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O governo de Santa Catarina formalizou um documento estratégico para lidar com os possíveis efeitos do El Niño ao longo de 2026. A proposta, elaborada pela Secretaria de Estado da Proteção e Defesa Civil (SDC), estabelece um esquema de cooperação entre diversos órgãos públicos diante da expectativa de temperaturas mais altas e precipitações acima da média, com atenção redobrada para tempestades, enchentes e deslizamentos.

O planejamento funciona como um guia para antecipar a logística de equipes, maquinário e verbas, bem como para distribuir atribuições entre as instituições responsáveis pela prevenção, pelo socorro imediato e pela recomposição dos serviços essenciais à população.

O Palácio do Planalto, por meio de decreto, já havia instituído o Estado de Alerta Climático, com validade inicial de 180 dias a partir de 18 de maio de 2026. Essa medida, porém, não configura decretação de situação de emergência ou calamidade pública; trata-se de um mecanismo para reforçar o monitoramento e acelerar a tomada de decisões.

O objetivo central é intensificar a vigilância sobre os fenômenos meteorológicos, agilizar a alocação de recursos e capacitar as equipes para minimizar prejuízos. O plano também visa assegurar a manutenção de serviços fundamentais e a rápida volta à normalidade depois de possíveis desastres.

O El Niño, conforme explica o documento, caracteriza-se pelo aquecimento anômalo das águas do Oceano Pacífico Equatorial. Essa alteração na temperatura dos oceanos mexe com a circulação dos ventos e pode modificar o regime de chuvas e as temperaturas em diversas regiões do globo.

Para Santa Catarina, a projeção é de que os termômetros fiquem acima da média histórica e que o volume de precipitações aumente. No inverno, a tendência é de temperaturas mais amenas, apesar de ainda serem possíveis episódios de frio intenso.

Nos meses seguintes, o cenário se torna mais preocupante. O documento indica que os impactos no padrão de chuvas tendem a se intensificar, com possibilidade de precipitação acima do normal em várias áreas do estado.

Os efeitos mais severos são aguardados para a primavera e o verão, quando a combinação do fenômeno com o aumento natural das chuvas pode elevar o risco de eventos extremos, como temporais, chuvas torrenciais, alagamentos, enxurradas, inundações e deslizamentos de terra.

O plano estabelece uma escala de resposta gradativa, com quatro estágios distintos: verde, amarelo, laranja e vermelho. Cada um corresponde a um nível de mobilização das equipes e recursos.

O nível verde representa a situação de normalidade, em que não há necessidade de ações extraordinárias. O estado mantém suas estruturas rotineiras de acompanhamento e preparação.

No nível amarelo, há um incremento na vigilância. As Salas de Situação dos municípios ameaçados podem ser acionadas, e os integrantes do Comitê de Gestão de Crise entram em alerta, passando a monitorar mais de perto a evolução dos eventos. Os Grupos de Ações Coordenadas (GRAC) regionais também podem ser mobilizados.

O nível laranja é direcionado para operações em âmbito regional. Essa etapa é acionada quando há ocorrências com danos relevantes em municípios de até três Coordenadorias Regionais de Proteção e Defesa Civil (Coredecs). Nesse cenário, são deflagradas operações integradas de resposta, com o estabelecimento do Sistema de Comando em Operações (SCO) e o envolvimento do Comitê de Gestão de Crise.

O nível vermelho é o estágio máximo de mobilização, destinado a eventos de grande severidade que afetem mais de cinco regionais. Nessa fase, o estado realiza uma Operação de Resposta Integrada de alcance estadual, com o Comitê de Gestão de Crise atuando presencialmente na Sala de Estado do Centro Integrado de Gerenciamento de Riscos e Desastres (CIGERD). O GRAC Estadual é acionado por completo no Centro Integrado de Operações (CIOP), e a coordenação fica a cargo do governador ou, na falta deste, do vice-governador.

Uma das prioridades do plano é o atendimento imediato às vítimas de eventos extremos. As ações preveem busca, resgate e salvamento de pessoas feridas, ilhadas ou impossibilitadas de se locomover para áreas seguras.

Além disso, há protocolos para a avaliação das condições de saúde dos resgatados, a regulação hospitalar, a definição de unidades de referência e a ativação de abrigos temporários. O Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina, a Secretaria de Estado da Saúde, o Samu e a Secretaria de Estado da Assistência Social, Mulher e Família são apontados como peças-chave nessa frente.

O restabelecimento dos serviços essenciais também recebeu atenção especial no planejamento. Estão previstas ações para garantir o fornecimento de energia elétrica, a distribuição de água potável, a desobstrução de vias e a recuperação da trafegabilidade em rodovias estaduais, municipais e federais. O transporte coletivo e as operações rodoviárias, aéreas e marítimas também são contemplados.

A Celesc e a Casan são listadas como as principais responsáveis por essas ações. No caso das estradas, a Secretaria de Estado da Infraestrutura e Mobilidade e a Polícia Militar Rodoviária têm prioridade na atuação.

O plano também prevê um plano B para a comunicação em caso de falha dos sistemas tradicionais. Serão utilizados meios suplementares, como radioamadores voluntários e redes de comunicação via satélites de baixa órbita, com apoio do Centro de Informática e Automação do Estado (Ciasc) e da Rede Estadual de Emergência de Radioamadores.

Essa estratégia visa garantir que as equipes de diferentes municípios possam continuar trocando informações mesmo diante de interrupções nos serviços convencionais de telefonia e internet.

Os impactos do El Niño sobre o meio ambiente e o agronegócio também são abordados. O plano inclui monitoramento ambiental, orientação aos produtores, avaliação de danos e medidas de prevenção e recuperação.

Para os animais, há procedimentos específicos: a Diretoria do Bem-Estar Animal cuida dos domésticos; a Cidasc, dos de produção; e o Instituto do Meio Ambiente, com apoio da Polícia Militar Ambiental, dos silvestres.

A liberação de recursos emergenciais também está prevista, com mecanismos para agilizar compras, repasses a associações de municípios, emendas parlamentares e convênios. A ideia é criar fluxos mais céleres para o financiamento das ações.

Além disso, o plano prevê a mobilização de profissionais especializados, como médicos, engenheiros, geólogos e eletricistas, e o levantamento de equipamentos e insumos essenciais para as operações.

A comunicação com a população é outro ponto central. O plano define que informações oficiais sobre riscos, alertas e medidas de proteção serão divulgadas de forma coordenada. Em níveis de normalidade e pré-impacto, a Assessoria de Comunicação da Defesa Civil lidera o processo. A partir do nível laranja ou na evolução para o vermelho, a coordenação passa para a Secretaria de Estado da Comunicação.

É importante destacar que o Estado de Alerta Climático não significa que uma emergência ou calamidade pública já foi decretada. A medida tem caráter preventivo e visa aumentar a capacidade de resposta do estado antes que eventos extremos causem danos significativos.

O plano é um documento dinâmico, que deverá ser atualizado conforme a evolução dos cenários e o surgimento de novos conhecimentos. Para a população catarinense, a principal mudança é a preparação antecipada de uma rede integrada que envolve Defesa Civil, forças de segurança, saúde, infraestrutura, energia, saneamento, agricultura e assistência social.

A intenção é que, caso eventos severos ocorram, a resposta seja rápida e coordenada desde os primeiros sinais até a completa restauração dos serviços. O cidadão deve ficar atento aos avisos oficiais e seguir as orientações das autoridades.

Fonte: SC Todo Dia

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