MOVIMENTAÇÃOPré-campanha presidencial foca no Sudeste, com São Paulo como prioridade

publicidade

Um levantamento realizado pelo g1 com base nas agendas divulgadas pelas equipes dos candidatos revelou que, entre maio e a primeira quinzena de julho, os cinco presidenciáveis com melhores índices nas pesquisas eleitorais dedicaram a maior parte de seus compromissos ao Sudeste, especialmente ao estado de São Paulo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) manteve uma rotina intensa de viagens e entregas institucionais, antes do período de defeso eleitoral que proíbe inaugurações de obras públicas. O chefe do Executivo federal visitou diferentes regiões, mas o principal destino foi a capital paulista.

Em São Paulo, Lula participou de eventos ligados à construção civil, à indústria e ao lançamento de linhas de crédito para taxistas e motoristas de aplicativo. Também esteve em Guarulhos, onde anunciou o programa Celular Seguro, visitou o Hospital Santa Marcelina e inaugurou um centro de radioterapia. Em São Caetano do Sul, conheceu o Instituto Mauá de Tecnologia.

Saúde e agronegócio foram os temas mais recorrentes nas agendas do presidente. No mês de maio, ele esteve na Bahia para visitar a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen-BA) e em Paulínia (SP) para anunciar investimentos da Petrobras na refinaria local.

Além dos compromissos nacionais, Lula realizou viagens internacionais, embora em menor número. Passou pelos Estados Unidos, pela Europa durante a reunião do G7 e pelo Paraguai na Cúpula do Mercosul. A visita mais longa foi à França, com quatro dias de programação.

O senador Flávio Bolsonaro (PL), por sua vez, foi anunciado em dezembro de 2025 como o nome escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro para concorrer ao Palácio do Planalto. Desde então, o parlamentar percorreu diversos estados brasileiros.

Entre maio e julho, Flávio priorizou eventos de cunho partidário e estadual, como lançamentos de pré-candidaturas ao Senado e a governos estaduais. Participou de cerimônias ao lado de pré-candidatos como Guilherme Derrite (SP), André do Prado (SP), Maguinha Malta (ES), Deltan Dallagnol (Novo-PR) e Alcides Fernandes (CE).

Além disso, o presidenciável do PL marcou presença em reuniões internas, como um café com lideranças femininas do partido e o seminário nacional de comunicação da sigla, ambos em julho. Também anunciou propostas de governo, como o plano de segurança pública “Brasil sem Medo” e o programa voltado às mulheres, “Brasil por Elas”.

Flávio Bolsonaro foi o único entre os candidatos, além de Lula, a ter compromissos fora do Brasil. Em maio, esteve nos Estados Unidos para se encontrar com Donald Trump; em julho, retornou ao país para uma audiência na USTR (órgão de comércio dos EUA) sobre tarifas e o Pix. Ainda no período, foi à Argentina, onde se reuniu com o presidente Javier Milei e participou da “Latin America Chairmen’s Conference”, promovida pela Israel Allies Foundation.

O ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) apostou em uma pré-campanha com muitas viagens, passando por 14 estados das regiões Sul, Nordeste e Centro-Oeste.

Um dos focos de Caiado foi o agronegócio. Ele esteve na Expo Agro em Dourados (MS), na Fenamilho em Patos de Minas (MG) e na Feira PEC Brasil no Nordeste, em Fortaleza (CE). Também se reuniu com a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, em Curitiba.

Outra prioridade foram os eventos religiosos. Caiado participou da Marcha para Jesus em São Paulo, em junho, além do Congresso da Confederação de Irmãs Beneficentes Evangélicas Mundial (Cibem) no Rio de Janeiro e do Totus Tuus Festival em Goiânia.

O candidato também deu atenção ao empresariado. Em maio, teve encontro com empresários em Santa Catarina e jantou com representantes do setor produtivo gaúcho. Nos meses seguintes, compareceu ao Fórum Empresarial de Sergipe, ao encontro da Confederação Nacional do Comércio em Brasília e ao Entrepreneurs Organization no Rio de Janeiro.

Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais, adotou uma estratégia baseada na exposição midiática. Ele concedeu entrevistas a veículos de comunicação locais por onde passou, como em Sorocaba (SP), Caruaru (PE), Salvador (BA) e Santos (SP), muitas vezes dando mais de uma entrevista por dia.

Assim como Caiado, Zema mirou no empresariado. Na maioria das cidades visitadas, participou de almoços ou reuniões com representantes de setores como varejo e indústria. Esteve na MegaLeite, em Minas Gerais, e teve um encontro no Instituto do Desenvolvimento do Varejo, em São Paulo.

O pré-candidato ainda realizou encontros com filiados em Recife, Salvador e Fortaleza ao longo de junho. Em julho, participou do encontro nacional e estadual do Novo em São Paulo. A convenção nacional do partido ocorreu em Brasília no dia 27.

Renan Santos (Missão), que nunca ocupou cargos públicos, construiu sua base de apoio principalmente na internet. Sua agenda reflete essa origem: lives diárias chamadas “análises renais”, gravação de conteúdo para redes sociais e forte presença digital.

Ele oficializou a candidatura em 20 de janeiro, após o partido realizar uma convenção online e antecipada. Segundo Renan, ameaças de facções criminosas motivaram a antecipação, permitindo que ele já usufrua do esquema de segurança da Polícia Federal destinado a presidenciáveis.

A estratégia de Renan também inclui eventos menos institucionais. Sua agenda registrou happy hours em Santa Cruz do Sul e Caxias do Sul, participação em um show de stand-up comedy em Fortaleza e presença no evento Anime Friends em São Paulo, ao lado do deputado federal Kim Kataguiri. O candidato também divulga publicamente sua agenda de shows com a banda “Limão Rosa”.

O levantamento do g1 mostra que, exceto Zema, todos os outros quatro presidenciáveis escolheram a capital paulista para realizar suas convenções partidárias, eventos em que oficializam as candidaturas. São Paulo é o maior colégio eleitoral do país, com 34,1 milhões de eleitores aptos a votar.

A pré-campanha, portanto, revela uma clara concentração geográfica no Sudeste, especialmente em São Paulo, refletindo a importância estratégica do estado para as pretensões eleitorais dos candidatos.

Fonte: G1

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe

publicidade