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VOLTA POR CIMAStartup catarinense perde 70% dos clientes na pandemia e agora mira expansão na América Latina

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Uma empresa catarinense do ramo de software para academias conseguiu dar a volta por cima após atravessar um dos períodos mais desafiadores da sua história. A Next Fit, fundada em Criciúma, no Sul de Santa Catarina, amargou uma queda de 70% na base de clientes durante a fase mais crítica da pandemia de Covid-19, mas se reergueu e hoje ostenta números que impressionam.

Sete anos após o início do projeto, a companhia se aproxima de 18 mil negócios do setor fitness atendidos em todo o território nacional. A estimativa de valor atual da empresa gira entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões, um salto considerável para quem começou quase do zero em uma cidade do interior.

A plataforma desenvolvida pela Next Fit é voltada para a gestão de academias, estúdios de ginástica, boxes de crossfit e outros empreendimentos esportivos. Atualmente, mais de 250 funcionários trabalham na operação, que registra cerca de 2 milhões de alunos ativos utilizando o sistema.

Para os próximos anos, a meta é ambiciosa: dobrar o tamanho do negócio até 2028. Uma das frentes para alcançar esse objetivo é a expansão internacional, com a América Latina aparecendo no radar da diretoria como um mercado promissor.

O cenário atual é bem diferente do enfrentado em 2020, quando a empresa tinha pouco mais de um ano de vida e se preparava para acelerar o crescimento. Com a chegada da pandemia e o fechamento obrigatório das academias, a Next Fit viu sua carteira de clientes despencar em questão de semanas.

Em aproximadamente um mês, a companhia perdeu 70% dos contratos que possuía na época. Apesar do baque, a diretoria manteve uma decisão firme: a meta de fechar o ano com 500 clientes não seria alterada.

Como costumava dizer o fundador Douglas Waltricke em meio à crise, o que se ajusta é o plano, não o objetivo. Essa postura deu resultado, e na véspera de Natal de 2020, por volta das 19h54min, a empresa bateu a meta estipulada no planejamento anual.

A trajetória da Next Fit começou entre 2018 e 2019, quando Douglas atuava como consultor de marketing, vendas e gestão para estabelecimentos do ramo. Foi nessa época que ele notou um padrão de dificuldades administrativas em diversas academias e estúdios que atendia.

Papel, caneta e planilhas eletrônicas ainda dominavam a rotina de grande parte do setor, tornando tarefas simples extremamente morosas. Atividades como prescrição de treinos, avaliações físicas e controles administrativos consumiam de 40 a 50 horas mensais dos profissionais.

A análise do mercado também revelou uma oportunidade clara: embora existissem muitas academias e negócios esportivos no Brasil, as principais empresas de tecnologia do segmento ainda não alcançavam a maioria desses estabelecimentos. Havia espaço, portanto, para uma nova solução.

Foi com esse diagnóstico que Douglas, ao lado dos sócios Guilherme Waltricke e Luiz Otávio Gava, decidiu criar uma plataforma que reunisse as diferentes etapas da gestão em um só lugar. O diferencial, segundo eles, seria a simplicidade de uso.

O desenvolvimento do produto mínimo viável, o famoso MVP, levou cerca de seis meses. Nessa primeira versão, já estavam presentes ferramentas como prescrição e biblioteca de treinos, avaliações físicas, gráficos e relatórios gerenciais, além de um aplicativo básico para os alunos acompanharem suas atividades.

Os testes foram feitos diretamente com academias e outros negócios de Criciúma e região. Muitos desses estabelecimentos já eram clientes das consultorias prestadas por Douglas, o que facilitou a validação das funcionalidades em um ambiente real de uso.

O próprio fundador assumiu a missão de vender o produto no início da operação. Ele foi pessoalmente fechar os primeiros 100 contratos da Next Fit e seguiu atuando na área comercial até a empresa ganhar tração no mercado.

Quando a pandemia atingiu o país, a Next Fit estava prestes a intensificar a conquista de novos clientes. Com as academias fechadas, a equipe se concentrou no aprimoramento do software e na criação de soluções que ajudassem os estabelecimentos a manter seus serviços, como a prescrição de treinos à distância.

Esse período de crise também serviu como um catalisador para a digitalização do setor, que até então demonstrava certa resistência a novas tecnologias. A retomada das atividades presenciais veio acompanhada de uma recuperação da base de clientes — a empresa encerrou o ano de 2020 com os 500 contratos previstos.

A partir daquele momento, a Next Fit passou por uma forte expansão nacional. Em 2021, recebeu seu primeiro aporte externo, de R$ 1 milhão, quando contava com cerca de 15 funcionários e era avaliada em aproximadamente R$ 10 milhões. Cinco anos depois, a avaliação está entre R$ 200 milhões e R$ 250 milhões.

O crescimento se reflete na estrutura da companhia. A equipe, que chegou a trabalhar em uma sala de apenas 10 metros quadrados, hoje conta com mais de 250 colaboradores. A plataforma atende quase 18 mil negócios fitness e esportivos, com mais de 2 milhões de alunos cadastrados como ativos.

Para sustentar a expansão, a empresa investiu na padronização de processos internos, criando treinamentos e playbooks para reduzir a dependência de profissionais experientes. Essa estratégia permitiu que a Next Fit formasse novos talentos dentro da própria operação.

Recrutar pessoas em Criciúma, porém, ainda é um desafio. Nos primeiros anos, a empresa recebia entre 700 e 800 currículos nos melhores meses. Hoje, esse número saltou para mais de 4 mil por mês, o que demonstra o reconhecimento da marca no cenário local e nacional.

Apesar da expansão para outros estados, a sede da Next Fit permanece em Criciúma. Segundo Douglas, estar longe dos principais polos de tecnologia traz dificuldades na captação de especialistas, mas também permite usar a qualidade de vida da região como um atrativo para profissionais de outras partes do país.

Agora, a empresa se prepara para dar mais um passo ousado: levar sua operação para além das fronteiras brasileiras. Com a meta de dobrar de tamanho até 2028, a internacionalização para países da América Latina está nos planos da diretoria, que deve reforçar as equipes de vendas e tecnologia para dar conta dessa nova fase.

O que antes era um projeto testado com academias de uma cidade do interior catarinense se transformou em uma plataforma de alcance nacional, com expectativas claras de se tornar uma referência também no mercado latino-americano.

Fonte: NSC Total

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