As negociações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para ampliar sua coligação na disputa pela Presidência em 2026 podem definir qual candidato terá o maior tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão. Um levantamento do Metrópoles, baseado nas pré-candidaturas já anunciadas e nos partidos que superaram a cláusula de desempenho, indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) parte na frente se o adversário concorrer apenas pelo Partido Liberal.
Caso Flávio consiga atrair legendas do Centrão, como Republicanos e Podemos, o cenário se inverte, e o senador assume a liderança no tempo de TV. A projeção considera apenas candidatos apoiados por partidos que atingiram o desempenho mínimo exigido para ter acesso ao horário eleitoral. Nesse recorte, apenas quatro nomes teriam direito à propaganda: Lula, Flávio, Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante).
Pré-candidatos como Romeu Zema (Novo), Rui Costa Pimenta (PCO), Edmilson Costa (PCB) e Renan Santos (Missão) ficariam de fora do horário eleitoral, pois não são respaldados por legendas que cumpriram a exigência legal. Até o momento, Lula é o único postulante que já consolidou uma coligação para a disputa presidencial. O petista deve concorrer à reeleição com o apoio da federação formada por PT, PCdoB e PV, além de PSB, PDT e da federação PSOL-Rede.
Flávio, por sua vez, ainda busca ampliar sua aliança e, até aqui, conta apenas com o PL. Nessa configuração, o presidente teria 5 minutos e 34 segundos em cada bloco do horário eleitoral, enquanto o senador apareceria com 4 minutos e 18 segundos — cerca de 23% menos tempo de propaganda que o petista. Ronaldo Caiado teria 2 minutos e 2 segundos; e Augusto Cury, 36 segundos.
A projeção reforça a importância das negociações conduzidas pelo PL para aumentar sua coligação. Flávio tenta atrair partidos do Centrão desde o início da pré-campanha, mas enfrenta dificuldades para consolidar uma aliança nacional. Atualmente, dirigentes dessas legendas avaliam que a tendência é liberar os diretórios estaduais para apoiar os candidatos de sua preferência à Presidência, em vez de fechar apoio formal a um único nome.
O sistema de divisão do tempo de propaganda eleitoral determina que apenas partidos que superam a cláusula de desempenho têm direito ao horário gratuito. No primeiro turno, a propaganda para presidente é exibida às terças, quintas e sábados, em dois blocos diários de 12 minutos e 30 segundos no rádio e na TV. Do tempo total, 10% são divididos igualmente entre todos os candidatos, e 90% são distribuídos conforme o número de deputados federais eleitos em 2022 pelos partidos que compõem cada coligação.
No segundo turno, os dois candidatos restantes dividem igualmente o tempo de propaganda. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgará a divisão oficial do horário eleitoral após o registro das candidaturas. Em 2026, a propaganda do primeiro turno está prevista para ocorrer entre 28 de agosto e 1º de outubro.
Caso o PL consiga formar uma coligação com Republicanos e Podemos, o cenário muda. Flávio passaria a ter 5 minutos e 35 segundos por bloco, contra 4 minutos e 38 segundos de Lula. O senador teria, nesse caso, cerca de 21% mais tempo de propaganda do que o presidente. Caiado ficaria com 1 minuto e 44 segundos, enquanto Cury teria 33 segundos.
Uma aliança apenas entre PL e Podemos também reduziria a vantagem de Lula. Nesse cenário, o presidente teria 5 minutos e 13 segundos, enquanto Flávio contaria com 4 minutos e 47 segundos. O pré-candidato do PL teria cerca de 8% menos tempo de propaganda que o petista. Caiado apareceria com 1 minuto e 55 segundos, e Cury, com 35 segundos.
Já um acordo apenas entre PL e Republicanos seria suficiente para inverter a liderança. Flávio teria 5 minutos e 12 segundos por bloco, contra 4 minutos e 55 segundos de Lula, passando a contar com cerca de 6% mais tempo de propaganda. Caiado ficaria com 1 minuto e 49 segundos, enquanto Cury teria 34 segundos.
A dificuldade de Flávio em ampliar seu palanque não se restringe ao Republicanos e ao Podemos, que ainda não decidiram como se posicionarão na disputa ao Planalto. A principal mudança ocorreu na federação União Progressista, formada por União Brasil e PP. Após sinalizar uma possível aliança com o senador, as duas siglas passaram a indicar que devem permanecer neutras na eleição presidencial.
Nos bastidores, dirigentes atribuem a mudança tanto ao desgaste da pré-candidatura de Flávio, em meio às sucessivas crises políticas, quanto ao estremecimento da relação com o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), que avalia não ter recebido do parlamentar o apoio esperado após ser alvo de uma operação da Polícia Federal no caso Banco Master.
Outros partidos que também teriam direito ao horário eleitoral caminham na mesma direção. MDB, a federação PSDB-Cidadania e a federação PRD-Solidariedade não devem lançar candidatos ao Planalto e, até o momento, sinalizam que devem permanecer neutros na disputa presidencial. As decisões serão oficializadas ao longo dos próximos dias, durante o período de convenções partidárias que vai de 20 de julho a 5 de agosto.
Fonte: Metrópoles


















