Nova lei em SC amplia assistência a pacientes com doença da
🌧️ 15° Jaraguá do Sul Pancadas de chuva
Dom 🌦️ 17° 12°
Seg ☁️ 16° 10°
Ter 22°

SAÚDENova lei em SC amplia assistência a pacientes com doença da borboleta

publicidade

Uma enfermidade incomum que se caracteriza pela formação de bolhas na pele diante de qualquer atrito ou trauma leve, muitas vezes perceptível já ao nascimento, é a epidermólise bolhosa (EB). No território catarinense, conforme levantamento de 2026 realizado pela Secretaria de Estado da Saúde (SES), existem 97 casos oficialmente registrados. A condição é popularmente chamada de “doença da borboleta”, numa alusão à vulnerabilidade extrema da pele dos acometidos, que lembra a fragilidade das asas desse inseto. A EB engloba um grupo de enfermidades distintas, desencadeadas sobretudo por mutações genéticas que afetam as proteínas responsáveis pela firmeza e pela aderência entre as camadas cutâneas. Dependendo da variedade e da intensidade, a doença também pode atingir mucosas e outros órgãos internos.

Desde 2024, os portadores de epidermólise bolhosa em Santa Catarina já dispõem do Programa Santa Catarina Cuidando das Borboletas, uma iniciativa da SES que garante atendimento especializado e entrega de materiais não incluídos na tabela do Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2026, esse suporte ganhou reforço com a criação do Programa Estadual de Assistência Especializada em Epidermólise Bolhosa, estabelecido pela Lei 19.937/2026. O objetivo é estruturar o atendimento e ampliar as possibilidades de acesso ao diagnóstico, ao tratamento e ao acompanhamento dos pacientes. A nova legislação assegura a oferta de consultas, exames, procedimentos diagnósticos, curativos, coberturas, medicamentos e suplementos, além do acompanhamento por equipes multidisciplinares.

O cuidado deverá ser prestado de acordo com as necessidades individuais de cada paciente, envolvendo profissionais de áreas como dermatologia, genética, pediatria, enfermagem, nutrição, fisioterapia, psicologia, odontologia e ortopedia. A lei ainda contempla a realização de atendimento domiciliar quando imprescindível e determina que os serviços sejam executados, preferencialmente, na cidade ou na macrorregião onde o paciente reside. Outro aspecto relevante da norma diz respeito à notificação compulsória de casos suspeitos ou confirmados em recém-nascidos. Maternidades, unidades de saúde e clínicas que realizam partos serão obrigadas a comunicar qualquer indício ou confirmação da enfermidade à Secretaria de Estado da Saúde. A legislação também estabelece o mapeamento genético de parentes consanguíneos quando houver risco de ocorrência da doença em uma futura gestação.

Entre os que serão beneficiados está Lucas, de 7 anos, que recebeu o diagnóstico logo ao nascer. Ele é portador da forma distrófica recessiva da epidermólise bolhosa, considerada uma das variantes mais severas, pois acarreta lesões constantes e complicações em múltiplos órgãos. O tratamento concentra-se na prevenção e no manejo das feridas, no alívio da dor e na prevenção de infecções, o que exige trocas regulares de curativos especiais, utilização de produtos de limpeza e medicamentos de acesso limitado. Além disso, é necessário um acompanhamento contínuo por diversos especialistas. Para Cláudia Marian Pauli, mãe de Lucas, a inclusão de um programa estadual de assistência aos pacientes com epidermólise bolhosa representa uma chance de melhorar a qualidade do cuidado oferecido a esse grupo. Ela ressalta que a visão multidisciplinar é essencial, pois o tratamento não se restringe apenas ao curativo, mas envolve uma gama de outras necessidades. Cláudia espera que a lei saia do papel e que os direitos dessas pessoas sejam efetivamente garantidos, proporcionando acolhimento e suporte adequados.

No estado, o atendimento especializado aos pacientes com epidermólise bolhosa está disponível nas cidades de Florianópolis, Blumenau, Joaçaba e São Pedro de Alcântara. A médica Barbara Lovato, coordenadora do Ambulatório de Doença Bolhosa do Hospital Santa Teresa de Dermatologia, em São Pedro de Alcântara, observa que, embora o SUS possua uma rede de saúde abrangente, sua organização foi desenhada principalmente para enfermidades de alta prevalência. Isso pode representar um obstáculo para o tratamento de condições raras, como a epidermólise bolhosa, que, apesar da baixa frequência, provocam intenso sofrimento nos pacientes e em suas famílias. Ela também menciona que, até recentemente, o fornecimento de medicamentos e materiais essenciais para o tratamento da EB pelo Estado dependia de decisões judiciais. Nesse contexto, a médica enfatiza a relevância de uma política estadual que organize a assistência conforme as especificidades de cada região, identifique os pacientes e defina uma rede capaz de atendê-los adequadamente. Para ela, é fundamental conhecer a realidade local, saber quantos pacientes existem, para quais hospitais encaminhá-los e de que forma garantir o acesso tanto às consultas e aos cuidados em situações de emergência quanto aos medicamentos, insumos e curativos.

Fonte: Assembleia SC

COMENTE ABAIXO:

Compartilhe

publicidade