As legendas que compõem o chamado Centrão se preparam para anunciar posição de neutralidade nas convenções partidárias até 5 de agosto, focando recursos e esforços nas disputas para o Congresso Nacional. Com isso, os partidos não subirão nos palanques do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Ambas as campanhas presidenciais cortejaram essas siglas, que ocupam espaços na Esplanada dos Ministérios do governo Lula, embora os cargos de primeiro escalão tenham diminuído após a desincompatibilização.
Em todo o Brasil, as alianças locais variam: em estados onde Lula tem vantagem, como no Nordeste, pré-candidatos do Centrão próximos a Bolsonaro evitam declarar apoio, para não prejudicar suas candidaturas. O pragmatismo domina as decisões.
O PT foi mais discreto nas negociações com o Centrão. Lula distribuiu ministérios a partidos de centro para garantir governabilidade, mas agora, com foco eleitoral, preferiu alianças mais à esquerda para formar o palanque nacional.
No entanto, localmente, o PT busca aproximação com nomes de centro para aumentar a visibilidade do projeto de reeleição nos estados.
Já o PL, partido de Jair Bolsonaro, foi mais agressivo, tentando atrair legendas de centro até os últimos dias, inclusive oferecendo a vice-presidência. O presidente da sigla, Valdemar Costa Neto, se reuniu com a senadora Tereza Cristina (PP-MS), mas ela recusou.
Flávio Bolsonaro também tentou convencer o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, que já sinalizou neutralidade para viabilizar candidaturas estaduais. “Esse sempre foi o consenso da federação para que os estados fiquem livres para eleger o maior número de deputados”, afirmou um integrante da executiva nacional do Progressistas.
Valdemar Costa Neto procurou ainda Republicanos e Podemos, mas ambos não fecharam apoio a Flávio. O Republicanos testou nomes femininos para vice, mas o resultado não animou. A convenção nacional do PL ocorre neste sábado (25/7), em São Paulo.
O nome preferido de Flávio para vice é Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. Recém-filiada ao Republicanos, ela enfrenta resistências no PL e no próprio partido. Valdemar afirmou que Marques “precisa ter voto” para ocupar o cargo. Ele deixou a decisão final para os Bolsonaros, dizendo que será “uma escolha pessoal” do pré-candidato.
O MDB, Solidariedade e PRD também devem adotar neutralidade.
O único partido do Centrão com candidatura própria é o PSD, que lançará o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado como cabeça de chapa e o presidente nacional, Gilberto Kassab, como vice. Apesar disso, o PSD não forçará palanques nos estados, respeitando realidades locais.
O PSD tem proximidade com bolsonaristas em alguns estados e com Lula em outros. No Rio de Janeiro, por exemplo, o pré-candidato Eduardo Paes (PSD-RJ) é lulista assumido, e Caiado não terá palanque no estado.
O cenário atual difere de 2022, quando PP e Republicanos coligaram com o PL para reeleger Bolsonaro. Naquele ano, MDB, União Brasil e PDT tiveram candidaturas próprias no primeiro turno. Simone Tebet (MDB) apoiou Lula no segundo turno e virou ministra; o PDT também apoiou Lula, mas Ciro Gomes não. O União Brasil lançou Soraya Thronicke e depois manteve neutralidade.
Em 2022, apoiaram Bolsonaro no primeiro turno: PL, PP e Republicanos. Apoiaram Lula: PT, PV, PCdoB, Psol, Rede, PSB, Avante, Solidariedade, Pros e Agir.
Fonte: Metrópoles





















