Uma investigação recente sugere que manter níveis adequados de vitamina D durante a meia-idade pode estar relacionado a uma menor concentração da proteína tau no cérebro, um dos marcadores da doença de Alzheimer. O trabalho foi publicado em 1º de abril na revista Neurology Open Access.
Os pesquisadores acompanharam adultos por aproximadamente 16 anos e constataram que aqueles com maiores concentrações sanguíneas de vitamina D na faixa dos 40 anos apresentaram menos depósitos de tau cerebral em exames posteriores. Esta é uma das primeiras evidências de que a vitamina nessa fase da vida pode influenciar alterações cerebrais associadas ao Alzheimer antes mesmo do aparecimento de sintomas.
O estudo analisou dados de 793 participantes do tradicional Estudo do Coração de Framingham, nos Estados Unidos. Nenhum dos voluntários tinha demência no início da pesquisa. Quando a idade média era de 39 anos, os níveis de vitamina D foram medidos por exames de sangue. Cerca de 16 anos depois, aproximadamente 430 pessoas realizaram tomografia por emissão de pósitrons (PET) para identificar acúmulos de proteínas ligadas ao Alzheimer.
Os cientistas avaliaram duas proteínas: tau e beta-amiloide. A análise mostrou que níveis mais elevados de vitamina D na meia-idade estavam associados a menor acúmulo de tau no cérebro ao longo do acompanhamento. Por outro lado, não foi encontrada associação com os depósitos de beta-amiloide, outro marcador característico da doença.
Segundo a autora principal, Emer McGrath, da Universidade de Galway, na Irlanda, os resultados reforçam a importância de investigar fatores que possam proteger o cérebro antes do envelhecimento. Ela destacou que, embora estudos anteriores tenham ligado baixos níveis de vitamina D em idosos a maior risco de demência, este é um dos primeiros a avaliar essa relação na meia-idade.
O Alzheimer é uma doença progressiva que afeta o funcionamento cerebral, prejudicando a memória e outras funções cognitivas. É o tipo mais comum de demência em pessoas idosas, responsável por mais da metade dos casos no Brasil, segundo o Ministério da Saúde. Os primeiros sinais incluem perda de memória recente, seguida por dificuldades com fatos antigos, confusão temporal e mudanças na comunicação.
Os autores ressaltam que o estudo é observacional, portanto mostra apenas uma associação, não comprova que a vitamina D seja a causa da redução de tau. Ensaios clínicos ainda são necessários para verificar se a suplementação pode diminuir o risco de Alzheimer.
Pesquisas anteriores com suplementação em idosos não encontraram benefícios sobre os níveis de tau. No entanto, os cientistas levantam a hipótese de que intervenções iniciadas mais cedo, na meia-idade, possam ter maior potencial protetor. Essa ideia precisa ser confirmada por novas investigações.
O estudo contribui com evidências para a compreensão dos fatores que podem influenciar o desenvolvimento do Alzheimer, abrindo caminho para estratégias preventivas focadas em fases intermediárias da vida.
Fonte: Metrópoles




















