INVASÃOMortes em Ceuta chegam a 34 e Espanha reforça segurança no enclave

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O enclave espanhol de Ceuta, localizado no norte da África, enfrenta uma crise migratória de grandes proporções, com o número de vítimas fatais subindo para 34, conforme atualização divulgada pelo prefeito local, Juan Jesús Vivas, nesta quinta-feira (30). A informação foi confirmada por autoridades municipais, que monitoram a situação desde as primeiras horas da manhã.

A onda de chegadas irregulares forçou o governo central a adotar medidas drásticas, como o envio de reforços militares e policiais à região. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, anunciou que viajará ao território nesta sexta-feira (31) para acompanhar pessoalmente o desenrolar dos acontecimentos e coordenar as ações de resposta.

De acordo com o Ministério do Interior da Espanha, o balanço anterior registrava 19 mortes, mas o número foi atualizado após novas informações. Ainda segundo a pasta, estima-se que cerca de 49 mil migrantes tenham tentado entrar em Ceuta por mar e terra nas últimas 24 horas, partindo do Marrocos. Já a emissora estatal TVE calcula que entre 2 mil e 3 mil pessoas conseguiram efetivamente acessar o enclave durante o dia de quinta-feira.

Imagens capturadas por veículos de imprensa e moradores mostram centenas de pessoas nadando a partir da costa marroquina, enquanto outras forçaram a abertura de um portão na cerca fronteiriça e correram para dentro da cidade. A Guarda Civil relatou que a entrada ocorreu de forma massiva pelo mar, especialmente na região do quebra-mar de Tarajal, onde alguns migrantes chegaram a gritar “Viva a Espanha” ao pisar em solo espanhol.

Relatos de residentes da cidade marroquina de Fnideq indicam que a maioria das travessias aconteceu antes do meio-dia. O ativista Zakaria Zarroqui, que defende os direitos dos migrantes, afirmou que novas tentativas continuavam ao longo do dia, descrevendo a situação como “fora de controle neste exato momento”.

Diante do agravamento do quadro, o governo espanhol determinou a mobilização de três pelotões militares com 20 soldados cada, além de uma unidade de mergulho e uma embarcação da Marinha. O contingente de agentes das unidades especiais de intervenção policial também será ampliado, chegando a 200 efetivos, para reforçar o controle na fronteira e nas áreas marítimas.

Antes da resposta do Executivo central, a administração regional de Ceuta havia solicitado formalmente a ativação do Exército, o fechamento imediato da fronteira com o Marrocos e a declaração de estado de emergência. O prefeito Vivas classificou o cenário como excepcional, destacando a necessidade de medidas extraordinárias para conter o fluxo migratório.

Pedro Sánchez desembarcará em Ceuta acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. A agenda prevê reuniões com autoridades locais, bem como com representantes da Polícia Nacional e da Guarda Civil, para avaliar a efetividade das ações já implementadas e definir novos passos.

Em comunicado publicado em suas redes sociais, o premiê reforçou o compromisso do governo em responder imediatamente à crise. “Estamos mobilizando todos os recursos necessários, trabalhando com as autoridades marroquinas e internacionais, e preparando as medidas necessárias para recuperar a normalidade o mais rápido possível”, declarou Sánchez.

A oposição, por sua vez, não poupou críticas à gestão migratória do governo. O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, chamou a situação em Ceuta de “desesperadora” e a classificou como uma “crise de segurança nacional”, culpando a política adotada pelo Executivo pela escalada dos últimos dias.

O aumento das travessias ocorre poucas semanas após uma decisão da Suprema Corte da Espanha, que determinou que migrantes interceptados no mar em tentativa de chegar a Ceuta ou Melilla não podem ser devolvidos sumariamente, com base no regime especial de rejeição na fronteira vigente nos enclaves. A medida judicial alterou a dinâmica das operações de controle, gerando consequências imediatas.

Um porta-voz da Guarda Civil, em declarações à agência Reuters, afirmou que o ritmo das entradas havia permanecido relativamente baixo desde a decisão da corte, mas mudou drasticamente. “O fluxo vinha sendo lento desde a decisão da Suprema Corte, mas hoje houve uma explosão”, destacou o oficial.

O Ministério do Interior assegurou que mantém cooperação com as autoridades marroquinas para conter as entradas irregulares, e anunciou a intenção de deportar imediatamente os imigrantes que ingressarem ilegalmente no território espanhol. A pasta também atribuiu a redes de tráfico de pessoas a exploração da decisão judicial para incentivar a migração sem documentos, aumentando a pressão sobre as fronteiras.

Ceuta e Melilla são os únicos territórios da União Europeia com fronteira terrestre no continente africano. Historicamente, as duas cidades vivenciam ondas periódicas de tentativas de travessia, com migrantes buscando alcançar o solo europeu. A cena desta quinta-feira rememora a crise de maio de 2021, quando cerca de 10 mil pessoas cruzaram para Ceuta em poucos dias, expondo as fragilidades do sistema de controle migratório na região.

Fonte: Revista Oeste

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