11 de setembro: 25 anos depois, como os ataques
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HISTÓRIA11 de setembro: 25 anos depois, como os ataques transformaram o mundo

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Para compreender a dimensão dos atentados de 11 de setembro de 2001, é necessário recuar alguns anos e analisar o contexto geopolítico que antecedeu a tragédia. O planeta ainda se ajustava ao término da Guerra Fria, em 1991, quando os Estados Unidos se firmaram como a principal força militar e econômica do globo, enquanto diversas nações continuavam a enfrentar guerras, disputas territoriais e conflitos políticos e religiosos.

No Afeganistão, a guerra contra a União Soviética, travada entre 1979 e 1989, deixou o país em ruínas e favoreceu a formação de redes de combatentes estrangeiros. Foi nesse cenário que emergiu uma geração de militantes que mais tarde integraria organizações extremistas, como a Al-Qaeda, criada por Osama bin Laden em 1988.

A Guerra do Golfo, entre 1990 e 1991, também teve desdobramentos importantes. A presença de tropas americanas na Arábia Saudita e a política dos Estados Unidos no Oriente Médio passaram a ser usadas pela Al-Qaeda como parte de sua justificativa ideológica contra os americanos.

Durante a década de 1990, os indícios de uma nova ameaça terrorista já se manifestavam. Em 1993, o World Trade Center sofreu seu primeiro atentado. Em 1998, ataques contra as embaixadas americanas no Quênia e na Tanzânia mataram centenas de pessoas. Em 2000, o navio militar americano USS Cole foi atacado no Iêmen.

O 11 de setembro, portanto, não surgiu do nada. Foi o resultado de um processo que vinha se desenrolando ao longo de vários anos.

Pouco depois das 9h40 da manhã, no horário de Brasília, os Estados Unidos ainda viviam uma manhã aparentemente comum. Em Nova York, eram pouco mais de 8h40.

Eu me lembro daquele momento. Estava saindo para trabalhar quando uma das primeiras chamadas do jornal de plantão mostrou as imagens da primeira torre atingida. A cena, transmitida pela televisão, abalou a todos. Naquele instante, ainda não era possível compreender a dimensão do que estava acontecendo.

Às 8h46 no horário local de Nova York (9h46 em Brasília), o voo American Airlines 11 atingiu a Torre Norte do World Trade Center.

Dezessete minutos depois, às 9h03 em Nova York (10h03 em Brasília), o voo United Airlines 175 atingiu a Torre Sul.

A partir daquele momento, ficou evidente que Nova York não estava diante de um acidente aéreo.

Às 9h37 em Nova York (10h37 em Brasília), o voo American Airlines 77 atingiu o Pentágono.

Às 9h59 em Nova York (10h59 em Brasília), a Torre Sul desabou.

Às 10h03 em Nova York (11h03 em Brasília), o voo United Airlines 93 caiu próximo a Shanksville, na Pensilvânia, depois que passageiros e tripulantes tentaram retomar o controle da aeronave.

Às 10h28 em Nova York (11h28 em Brasília), a Torre Norte também desabou.

O dia que se seguiu foi de completa perplexidade. O mercado de trabalho e o mercado financeiro pareciam ter enlouquecido diante da dimensão da tragédia e da incerteza sobre o que poderia acontecer. Assim como milhões de pessoas ao redor do mundo, eu também não sabia exatamente o que fazer no trabalho. Diante daquelas imagens e da incerteza sobre qual ainda poderia ser o desfecho de tudo o que estava acontecendo, era difícil pensar em uma rotina normal.

Na época, eu tinha uma empresa de marketing e precisava fechar os espaços publicitários para as próximas edições de nossa revista. O problema é que todo o mercado publicitário parecia sem saber como agir, onde investir e, principalmente, o que poderia acontecer nos dias seguintes. A insegurança tomou conta das empresas e dos anunciantes, e nós também fomos envolvidos por aquele clima de incerteza. De repente, decisões que pareciam normais até a véspera passaram a ser difíceis de tomar.

Era impossível saber se aquela seria apenas uma grande crise momentânea ou o início de algo muito maior. No meio daquele cenário, nossas oportunidades de trabalho e investimentos também pareciam estar suspensas, à espera de alguma resposta que ninguém ainda tinha.

Por trás das imagens que o mundo inteiro assistia pela televisão estavam milhares de histórias pessoais.

Os ataques mataram 2.977 pessoas, de 90 países: 2.753 em Nova York, 184 no Pentágono e 40 a bordo do voo 93. Entre elas estavam trabalhadores dos edifícios, passageiros e tripulantes dos aviões, funcionários do Pentágono e pessoas que simplesmente estavam nas ruas naquela manhã.

Mas a tragédia também atingiu aqueles que correram na direção contrária da maioria.

Bombeiros, policiais, paramédicos e outros profissionais de emergência entraram no World Trade Center enquanto milhares de pessoas tentavam sair. 343 bombeiros e paramédicos do FDNY morreram, além de 23 policiais do Departamento de Polícia de Nova York. No total, 411 profissionais de emergência perderam a vida nos ataques.

A operação de resgate foi uma das maiores da história de Nova York. Aproximadamente 2 mil policiais e quase mil bombeiros foram mobilizados inicialmente para o World Trade Center.

E existem ainda as histórias daqueles que, por uma mudança de rotina, um atraso, uma consulta médica, uma viagem ou simplesmente por acaso, não estavam no trabalho naquela manhã.

Eu mesmo conheço uma dessas histórias, contada por um parente da minha cunhada. Naquele 11 de setembro, ele havia trocado o dia de trabalho com um amigo por causa de uma comemoração e, por isso, não iria estar no local naquela manhã.

Por uma dessas circunstâncias que só o acaso pode explicar, o amigo que havia feito a troca acabou se atrasando e também não se tornou uma das vítimas da tragédia.

A história poderia ter terminado de maneira completamente diferente. Se a troca tivesse acontecido normalmente e o amigo tivesse chegado no horário, talvez ele estivesse entre as pessoas atingidas.

São histórias como essa que mostram que, por trás dos números do 11 de setembro, existem também milhares de histórias pessoais marcadas pelo acaso, pela sobrevivência e, em alguns casos, pelo trauma de pensar no que poderia ter acontecido.

As consequências foram muito além da destruição do World Trade Center.

Os Estados Unidos iniciaram uma nova estratégia internacional conhecida como “Guerra ao Terror”. Pouco depois dos ataques, uma coalizão liderada pelos americanos invadiu o Afeganistão para derrubar o regime do Talibã, que dava abrigo à Al-Qaeda. A guerra se estenderia por duas décadas.

Em 2003, os Estados Unidos invadiram o Iraque, ampliando ainda mais as consequências geopolíticas daquele período.

Mas algumas das mudanças passaram a fazer parte da vida cotidiana de pessoas que nunca estiveram próximas de uma guerra.

Viajar de avião nunca mais seria exatamente igual.

Os aeroportos passaram a adotar procedimentos de segurança mais rigorosos, com maior controle sobre passageiros e bagagens. Nos Estados Unidos, a Transportation Security Administration, a TSA, foi criada em novembro de 2001.

Também cresceram os mecanismos de inteligência, vigilância e cooperação internacional entre governos. O combate ao terrorismo passou a ocupar uma posição central na política externa americana e influenciou decisões de segurança em diversos países.

Existe ainda outro elemento fundamental para entender por que o 11 de setembro permanece tão presente na memória coletiva: as imagens.

Milhões de pessoas acompanharam pela televisão as Torres Gêmeas em chamas, a fumaça sobre Manhattan, os bombeiros, as pessoas tentando deixar a região e, posteriormente, o cenário devastado do Ground Zero.

Poucos acontecimentos foram registrados de maneira tão intensa e acompanhados simultaneamente por uma audiência tão grande.

A fotografia e o fotojornalismo ajudaram a transformar aquele acontecimento em memória.

As imagens deixaram de ser apenas registros de um momento. Tornaram-se símbolos de uma época.

Em 2026, o 11 de setembro completa 25 anos.

Para quem viveu aquele dia, existe uma lembrança muito clara de onde estava, o que fazia e como recebeu a notícia. Para uma geração mais jovem, entretanto, aquele acontecimento já pertence à história.

É essa passagem de uma geração para outra que torna a preservação da memória tão importante.

O 11 de setembro tornou-se uma referência de antes e depois.

Antes, um mundo que já enfrentava conflitos, terrorismo e disputas geopolíticas. Depois, uma realidade marcada por novas guerras, novas políticas de segurança, mudanças nas viagens, maior vigilância e uma transformação profunda na maneira como governos e sociedades passaram a enxergar as ameaças.

Mas existe uma razão ainda mais simples para a data continuar tão presente: o mundo viu tudo acontecer.

As imagens atravessaram fronteiras e gerações. Vinte e cinco anos depois, as Torres Gêmeas já não fazem parte da paisagem de Nova York, mas continuam presentes na memória de milhões de pessoas.

E talvez seja justamente essa a força da fotografia: transformar um instante em memória.

Fonte: O Cruzeiro Notícias

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