Monique Reinert tinha apenas alguns anos quando, antes da abertura do parque aquático da família, pegava uma vassoura e se dedicava a limpar as áreas próximas às piscinas. Para ela, aquele gesto era uma forma de garantir que os visitantes encontrassem tudo em ordem para um dia de diversão. Essa lembrança da infância, guardada com carinho, tornou-se o símbolo de uma trajetória que a levou do quintal de casa ao cargo de CEO do Grupo Cascaneia, um dos maiores complexos turísticos de Santa Catarina.
Nascida em 1990, três anos após a fundação oficial do empreendimento, em 1987, Monique cresceu vendo o parque se expandir e se transformar. Ao lado dos quatro irmãos, ela acompanhou de perto a evolução do negócio, que hoje engloba o parque aquático, um hotel e um resort. Apesar dessa convivência íntima com o ambiente empresarial, a liderança nunca esteve nos seus planos iniciais.
Durante a adolescência e o início da vida adulta, Monique chegou a considerar outras carreiras. Ela menciona que teve uma fase em que não queria permanecer no empreendimento familiar, pensando em seguir áreas como psicologia. No entanto, ao ingressar na faculdade de Turismo e Hotelaria, algo mudou. Diante da possibilidade de continuar no negócio da família, ela fez uma promessa interna: se ficasse, seria como uma profissional de alto nível, sem depender de privilégios.
Para ela, provar que uma empresa familiar pode ser conduzida com profissionalismo sempre foi uma motivação pessoal. Essa postura, cultivada ao longo dos anos, preparou o terreno para o processo de sucessão que viria a acontecer. O caminho até a presidência, no entanto, não foi imediato.
O processo de sucessão começou bem antes de Monique assumir oficialmente o cargo. A família passou por diversas consultorias e mudanças na gestão, até que chegou o momento de decidir quem estaria à frente do grupo. A opção foi escolher um CEO entre os próprios irmãos, em vez de recrutar um executivo externo.
Em uma votação secreta, o nome de Monique foi o escolhido por unanimidade. Ela recorda que todos os irmãos indicaram seu nome, o que ela considera um voto de confiança. Apesar disso, a transição não foi instantânea. Levaram-se anos até que a nova dinâmica se consolidasse, com os irmãos passando a integrar o conselho de administração e Monique assumindo a operação no dia a dia.
Durante todo o processo, a figura do pai, Quirino Reinert, fundador do parque, permaneceu como a principal referência de liderança. Monique destaca um ensinamento que ouviu repetidamente e que ainda orienta suas decisões: “o parque não está pronto”. Para ela, essa frase resume a filosofia do grupo, que busca evoluir junto com os clientes e as mudanças no mercado.
Outro conselho paterno, que ela considera uma regra para a família, é sobre a importância de haver alguém que decida. Se em algum momento os irmãos não conseguissem chegar a um acordo, a orientação era vender a empresa, pois o mais valioso é a harmonia familiar. Esse princípio, segundo Monique, ajudou a conduzir uma sucessão sem grandes rupturas.
A trajetória, no entanto, não foi livre de obstáculos. Já como CEO, Monique enfrentou um período de burnout, quando chegou a duvidar do futuro na empresa. Ela conta que não conseguia mais enxergar um caminho à frente. Foram os irmãos que a convenceram a permanecer, e a partir daí a estrutura de gestão passou por novas mudanças, acelerando a profissionalização do negócio.
Ela admite que foi um momento de redefinição, no qual precisou se posicionar de maneira diferente. A experiência trouxe lições sobre equilíbrio e sobre a importância de delegar. As mudanças implementadas após esse período foram fundamentais para a atual fase do grupo.
Atualmente, o Grupo Cascaneia concentra esforços em reduzir a sazonalidade, expandir os negócios e fortalecer a hotelaria. Apesar dos novos projetos, Monique afirma que a essência do empreendimento permanece a mesma: proporcionar momentos de felicidade aos visitantes. Ela deseja que as pessoas saiam do parque mais contentes do que quando chegaram.
O maior desafio, segundo ela, é manter o espírito familiar enquanto a empresa se profissionaliza cada vez mais. Ao lembrar do pai, a emoção fica evidente. Ela conta que já recebeu dele o reconhecimento que mais almejava, quando ele disse que ela estava no caminho certo e deveria continuar. Para Monique, essa frase resume a responsabilidade de dar sequência a um legado construído ao longo de quase quatro décadas.
Paralelamente à condução do processo de profissionalização, Monique lidera um dos maiores ciclos de investimento da história do grupo. O complexo turístico de Gaspar anunciou a aplicação de R$ 40 milhões nos próximos anos, com foco na modernização das estruturas e na diminuição da sazonalidade. Esses recursos devem transformar ainda mais o empreendimento.
Para a temporada de verão 2026/2027, estão previstos R$ 8 milhões, que serão destinados à criação de uma nova atração, à revitalização da estrutura conhecida como Toboloko e à ampliação da área para receber excursões. O Hotel Villa di Acqua também passará por reformas em seus apartamentos, enquanto o Resort Ecoar ganhará um novo espaço para crianças.
Nos últimos anos, o grupo já havia investido cerca de R$ 7 milhões na expansão da hotelaria e na modernização do complexo. Esses aportes incluíram novas suítes, um restaurante, um centro de convenções, áreas de convivência e uma nova entrada para o parque. Essas melhorias fazem parte da estratégia de transformar o Cascanéia em um destino turístico para todas as estações.
Além do parque aquático, o grupo aposta na expansão da hotelaria, na realização de eventos e em novas experiências ligadas ao turismo de natureza e lazer. O objetivo é consolidar Gaspar como um dos principais destinos turísticos de Santa Catarina. A visão de Monique é que o complexo continue crescendo e se adaptando às novas demandas do mercado.
A história de Monique Reinert, que começou com uma vassoura na mão, é um exemplo de como a dedicação e o respeito às origens podem se unir à visão empresarial. Sua trajetória, marcada por desafios e conquistas, inspira não apenas a região, mas todos aqueles que acompanham o desenvolvimento do turismo no estado. A menina que varria piscinas se tornou uma líder à frente de um dos maiores complexos do Sul do país.
Fonte: ND+





















