O ex-chefe do gabinete pessoal da Presidência da República, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, é alvo de novas suspeitas que ligam o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a um esquema investigado pela Polícia Federal. Ele deixou o cargo há duas semanas, oficialmente para integrar a coordenação da campanha pela reeleição do petista.
Segundo informações divulgadas pelo jornalista Nino Guimarães, Marcola recebeu pagamentos da empresária Roberta Luchsinger, que é investigada por ligações com Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, apontado como líder de um esquema de fraudes contra a Previdência. O montante repassado a Marcola ainda não foi divulgado oficialmente.
A relação entre eles teria começado por meio do filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, que também é formalmente investigado pela PF. Ele é suspeito de tráfico de influência em três frentes, incluindo supostos pagamentos mensais de R$ 300 mil feitos pelo Careca, além de possível sociedade oculta em negócios dele.
Ao que tudo indica, foi Roberta quem aproximou Lulinha do ex-funcionário do INSS. A empresária é tratada como uma espécie de elo entre os envolvidos, embora não tenha recebido apelidos como os demais personagens da trama.
O primeiro dos três focos de investigação contra Lulinha envolve suposto lobby no Ministério da Saúde para favorecer Roberta e Careca em um negócio de cannabis medicinal. O segundo trata de suposta atuação dele em benefício de uma empresa de tecnologia de Cléber Ribas de Oliveira, que firmou contratos de mais de R$ 55 milhões com o governo. O terceiro ainda é desconhecido.
No centro dessas suspeitas está a atuação de Marcola, que teria usado sua posição no Palácio do Planalto para facilitar os interesses do grupo. Ao ser questionado sobre as transferências financeiras, ele afirmou que recebeu a notícia com surpresa, classificando o valor como um empréstimo pessoal já quitado e sem qualquer ilegalidade.
Contudo, analistas apontam que sua saída do cargo tão próxima das eleições indica que o governo tenta evitar constrangimentos. A mudança, ainda que oficialmente apresentada como parte da equipe de campanha, foi vista como uma tentativa de blindar Lula diante do avanço das investigações.
Especialistas em direito criminal ouvidos pela reportagem ressaltam que a proximidade entre os envolvidos reforça a necessidade de esclarecer os fatos. Eles lembram que, em Brasília, é comum que decisões e movimentações políticas ocorram justamente para proteger interesses estratégicos.
O presidente Lula, por sua vez, declarou que, se Lulinha tiver cometido irregularidades, ele “vai ter que pagar como todo mundo”. No entanto, a fala contrasta com a saída de Marcola do cargo, o que gerou cobranças para que a Polícia Federal aprofunde as apurações e esclareça todos os pontos ainda obscuros.
O caso promete render novos desdobramentos nas próximas semanas, especialmente porque a campanha eleitoral já começou e o tema pode assombrar a corrida presidencial.
Fonte: Metrópoles





















